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Aplicativo Confide, com autodestruição de mensagens e bloqueio de prints, está fora do ar no Brasil

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O Confide, um aplicativo de mensagens criptografadas gerenciado pela empresa italiana Bending Spoons S.p.A., que se destaca por sua capacidade de apagar textos automaticamente após a leitura e impedir capturas de tela, mostrou-se indisponível para download oficial no Brasil em testes realizados na quinta-feira (15). Desde seu lançamento, a plataforma registra a entrega e eliminação de 350 milhões de mensagens, além de ter bloqueado 7,9 mil tentativas de captura de tela com sua tecnologia exclusiva.

Para que os conteúdos e mensagens sejam visualizados, é imprescindível que ambos os participantes da conversa possuam o software instalado em seus dispositivos. Uma declaração da Central de Ajuda do Confide, traduzida da documentação oficial, esclarece: “Sim, devido à nossa criptografia de ponta a ponta e proteção contra captura de tela, o destinatário da mensagem deve baixar o Confide para ler as mensagens do Confide.”

Crédito: Mixvale.com.br

Entenda como funciona o Modo Confidencial do Confide

A funcionalidade central do Confide reside no “Confidential Mode” (Modo Confidencial), um seletor que determina o comportamento das interações. Quando ativado, este recurso sobrepõe uma camada de segurança visual ao texto recebido, exigindo que o usuário deslize o dedo sobre a tela para revelar o conteúdo linha por linha. Isso impede que o nome do remetente e a mensagem completa sejam exibidos simultaneamente, elevando a privacidade. Após a leitura, o texto é imediatamente removido da conversa, do aparelho do usuário e dos servidores da desenvolvedora.

Mensagens sem autodestruição mantêm proteção de privacidade

Mesmo que o usuário opte por desativar o Modo Confidencial antes de enviar uma mensagem, o texto permanece visível na janela de bate-papo por um período máximo de 24 horas, sem a proteção visual linha a linha. Contudo, as barreiras de segurança principais são mantidas. A Central de Ajuda do Confide reafirma, em tradução livre, que “as conversas do Confide são sempre criptografadas de ponta a ponta e à prova de captura de tela, e não podem ser controladas pelo Modo Confidencial”, garantindo um nível básico de segurança.

Tecnologias ScreenShield e ScreenShieldKit protegem contra prints

O mecanismo de prevenção de registros visuais é implementado pelas tecnologias patenteadas ScreenShield e ScreenShieldKit, apresentadas inicialmente em 1º de janeiro de 2018. Se o sistema operacional identificar qualquer tentativa de captura ou gravação de tela durante a visualização do conteúdo, o aplicativo automaticamente exibe os dados em branco, frustrando a ação. É importante notar que, embora o serviço ofereça uma extensão integrada ao iMessage para dispositivos Apple, a documentação da empresa alerta que restrições técnicas impostas pela fabricante limitam o nível de proteção contra capturas, não sendo tão robusto quanto o oferecido no aplicativo principal.

O mensageiro suporta o compartilhamento de diversos tipos de arquivos, como textos, fotos, vídeos, documentos e áudios, tanto em conversas individuais quanto em grupos. O acesso é dividido entre uma conta básica gratuita e a assinatura Confide Plus, com valores que variam de acordo com o país e a loja virtual do dispositivo utilizado na contratação. A plataforma opera com uma estrutura técnica focada em segurança.

Indisponibilidade do aplicativo Confide no Brasil

Apesar de sua página oficial permanecer ativa, o download do aplicativo Confide através dos canais oficiais indicados pela desenvolvedora não pôde ser concluído no Brasil durante os testes realizados em 15 de outubro de 2026. Até a publicação desta reportagem, a empresa não divulgou o motivo oficial para a indisponibilidade do Confide nas lojas de aplicativos para a região brasileira, o que pode frustrar usuários em busca de maior privacidade.

Fora das lojas oficiais, o arquivo de instalação do programa para Android (formato APK) pode ser encontrado na internet. No entanto, a instalação por meio de pacotes externos compromete a verificação automática de autenticidade do software, expondo o aparelho a potenciais vulnerabilidades de segurança. Além disso, exige que o usuário esteja atento para não confundir o aplicativo com outros softwares de nomes semelhantes disponíveis no mercado.

O Confide foi concebido pela startup Confide, Inc., sediada em Nova York, fundada por Howard Lerman e Jon Brod, com o registro inicial de sua marca nos Estados Unidos em 10 de dezembro de 2013. O serviço ganhou reconhecimento internacional no início de 2017, quando se tornou uma ferramenta de comunicação interna para membros da Casa Branca e figuras políticas do Partido Republicano norte-americano, evidenciando a busca por comunicações seguras em ambientes sensíveis.

Essa visibilidade, no entanto, também atraiu escrutínio técnico que revelou falhas na arquitetura antiga do programa. Em 8 de março de 2017, uma auditoria conduzida pela empresa de segurança IOActive, somada a levantamentos da Kudelski Security entre fevereiro e março daquele ano, identificou vulnerabilidades críticas no aplicativo. Entre os problemas, destacava-se o uso de uma versão desatualizada do protocolo OpenSSL e brechas no gerenciamento de sessão. Em resposta, entre abril e maio de 2017, a desenvolvedora submeteu o sistema a uma revisão pela Positive Technologies, que confirmou a correção das falhas e a ausência de erros críticos ou de alta gravidade na versão atualizada. Este histórico de vulnerabilidades ressalta a importância da constante vigilância e atualização em softwares de segurança.

Mudança de controle corporativo e limitações de segurança

A gestão corporativa da ferramenta foi alterada em 13 de fevereiro de 2024, data em que a Confide, Inc. formalizou a transferência definitiva da marca registrada e das patentes do aplicativo para a Bending Spoons S.p.A., uma empresa de tecnologia italiana sediada em Milão. Apesar das correções aplicadas no código e da proteção contra capturas de tela diretas, a documentação técnica do setor aponta que o sistema não consegue impedir completamente o registro físico das conversas, caso o destinatário utilize a câmera de um segundo aparelho para fotografar a tela durante a leitura, uma limitação inerente a qualquer aplicativo de segurança digital.