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Anatel reconfigura faixa de 6 GHz, limita Wi-Fi e prioriza expansão da telefonia móvel

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A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) confirmou, em decisão de agosto de 2026, uma reconfiguração significativa no uso do espectro de 6 GHz no Brasil. A medida restringe o funcionamento de redes Wi-Fi em parte dessa banda, direcionando o segmento que vai de 6.425 MHz a 7.125 MHz exclusivamente para as operações de telefonia móvel. Essa alocação visa impulsionar a capacidade das operadoras, potencialmente beneficiando a expansão do 5G e futuros avanços na comunicação celular.

Formalizada por meio do Acórdão nº 203 e do Ato nº 10.400, ambos de agosto de 2026, a regulamentação concentra as transmissões de Wi-Fi doméstico e corporativo na porção entre 5.925 MHz e 6.425 MHz. Esta nova estrutura regulatória também estabelece um prazo para que as adaptações técnicas sejam implementadas, com obrigatoriedade a partir de 1º de março de 2027, impactando diretamente o desenvolvimento e a comercialização de novos equipamentos.

Crédito: Mixvale.com.br

Impacto da mudança para dispositivos Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7

A alteração na alocação de espectro afeta diretamente os equipamentos das últimas gerações de Wi-Fi, como o Wi-Fi 6E e o futuro Wi-Fi 7, que foram desenvolvidos para utilizar a totalidade do bloco de frequências agora dividido. Fabricantes e consumidores terão de se ajustar às novas regras durante o período de transição, conforme detalhado pela agência:

  • Aparelhos já certificados para uso no Brasil poderão continuar à venda, mas necessitarão de atualizações de software ou, em alguns casos, de hardware, a serem implementadas no momento da renovação de suas licenças a partir de 2027.
  • A diminuição da porção do espectro disponível para Wi-Fi restringe o número de canais de alta largura de banda (160 MHz e 320 MHz), o que exigirá que as empresas desenvolvedoras encontrem novas soluções de engenharia para otimizar o desempenho.
  • Essa regulamentação se aplica a uma vasta gama de equipamentos, incluindo roteadores de uso doméstico, dispositivos de baixa potência e infraestruturas de internet sem fio que operam em ambientes locais.

Resultados de testes e próximos passos da Anatel para coexistência

A decisão da agência foi embasada em exaustivos estudos de laboratório, que investigaram a interação entre as redes Wi-Fi e os sistemas de telefonia móvel (SMP/IMT). Esses testes revelaram incompatibilidades significativas: as medições indicaram que a operação simultânea das tecnologias poderia levar a uma queda drástica de 90% a 100% na capacidade de transmissão de dados dos dispositivos Wi-Fi, além de perdas de sinal de até 30% nos equipamentos de telecomunicações móveis em áreas de cobertura.

O conselheiro Alexandre Freire, relator do processo, defendeu que a segmentação das frequências é fundamental para evitar a saturação dos canais e garantir a qualidade dos serviços. A Anatel planeja, após a realização do leilão da faixa de 6 GHz, conduzir uma série de testes controlados. O objetivo é explorar e validar novos modelos de coexistência espectral, buscando soluções que permitam o uso eficiente e harmonioso das diferentes tecnologias no futuro, minimizando o impacto para os usuários.