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A gigante de semicondutores AMD está traçando planos ambiciosos para uma expansão substancial na entrega de chips de inteligência artificial, projetando um aumento expressivo até 2027. Essa estratégia proativa é crucial para a empresa, que recentemente superou a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado, consolidando sua posição em uma acirrada competição global com a rival Nvidia pela liderança no fornecimento de tecnologia para IA.
A diretora-executiva e presidente do conselho de administração da AMD, Lisa Su, oficializou essa meta durante um encontro com jornalistas em Taipé, Taiwan, nesta terça-feira (6). “Conseguiremos expandir nossa capacidade de oferta ao longo de 2026 e a elevaremos de forma significativa em 2027”, afirmou a executiva, ao detalhar as projeções de fabricação delineadas para os próximos ciclos industriais da companhia.
A viagem de Lisa Su a Taiwan teve como propósito central garantir que a infraestrutura de suprimentos da empresa seja capaz de ampliar a produção de processadores centrais (CPUs) e unidades de processamento gráfico (GPUs). Na capital taiwanesa, a líder da AMD participou de reuniões estratégicas com Young Liu, presidente do conselho da Foxconn, e também se encontrou com representantes de fabricantes locais de hardware, como Acer, Asus e Quanta. A agenda oficial incluiu ainda um crucial encontro com a liderança da TSMC no polo tecnológico de Hsinchu, focado na reserva de linhas de produção para wafers de tecnologia avançada.
A executiva não forneceu detalhes sobre a possibilidade de aportes financeiros conjuntos da TSMC em território norte-americano, mas enfatizou que a demanda crescente do mercado exigirá um volume industrial cada vez maior por parte da AMD. Ao ser questionada sobre as negociações com a principal fornecedora asiática, Su reiterou que a procura por chips avançados permanecerá aquecida, o que demanda a construção de estruturas produtivas mais robustas e em escala global.
Para responder às intensas pressões dos clientes internacionais, a diretoria da AMD estendeu seu modelo de planejamento de fabricação, que antes se concentrava em projeções de um a dois anos, para um horizonte mais amplo, abrangendo um período de três a cinco anos. Essa readequação operacional visa mitigar potenciais gargalos na entrega de componentes essenciais para a inteligência artificial, como as memórias de alta largura de banda (HBM), cujo mercado global opera com uma oferta limitada. Diante desse cenário de escassez, Lisa Su organizou uma viagem à Coreia do Sul, ainda nesta terça-feira, com o objetivo de negociar suprimentos com as gigantes Samsung e SK Hynix.
Justificando a transição para prazos operacionais mais longos, a presidente do conselho ressaltou a urgência em assegurar volumes maiores de componentes avançados junto aos fabricantes parceiros. “Observamos uma demanda extremamente elevada para os próximos anos. Essa alta procura nos obriga a buscar uma maior capacidade de produção de wafers de chips de ponta”, declarou Su aos jornalistas em Taipé, sublinhando a necessidade de antecipar o planejamento.
A expansão da AMD busca reduzir a vantagem de mercado atualmente detida pela Nvidia, sua principal concorrente no fornecimento de processadores e aceleradores para data centers. Enquanto coordena sua complexa cadeia produtiva asiática, a AMD também acompanha de perto os movimentos estratégicos nos Estados Unidos, onde a TSMC avalia um potencial investimento no estado do Texas para erguer novas instalações de fabricação de semicondutores de última geração.
As discussões sobre o crescimento exponencial do setor também se entrelaçam com questões de conformidade técnica e segurança cibernética. Em um evento realizado na semana anterior a 6 de outubro de 2026, executivos de tecnologia se reuniram com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma cúpula dedicada ao setor. Na ocasião, as partes concordaram com a implementação de auditorias independentes para verificar se as ferramentas de inteligência artificial operam em alinhamento com os parâmetros e intenções de seus criadores. Su comentou que a tecnologia pode ser extremamente benéfica para a humanidade, mas alertou para a necessidade premente de focar na segurança coletiva.
A AMD estabeleceu a meta de ampliar sua presença fabril em Taiwan, superando os US$ 10 bilhões que haviam sido formalizados em maio de 2026. A companhia confirmou a intenção de injetar capital adicional no robusto ecossistema de semicondutores da ilha, embora o novo valor total exato do investimento não tenha sido divulgado. A definição contratual desses montantes dependerá da conclusão das rodadas de negociação técnica que foram iniciadas com os fornecedores asiáticos.