
Bolas prateadas apareceram em praias australianas — Foto: Agência Espacial Australiana Crédito: Extra.globo.com
Um estágio de foguete da SpaceX, empresa de exploração espacial de Elon Musk, encontra-se em uma trajetória que o levará a colidir com a superfície lunar. A informação, confirmada pelo especialista em rastreamento espacial Bill Gray, destaca a crescente preocupação com a quantidade de objetos artificiais que orbitam nosso planeta e, por vezes, caem de volta na Terra.
A previsão é que o componente do foguete atinja o satélite natural na próxima quarta-feira, dia 5, viajando a uma velocidade impressionante de quase 9 mil quilômetros por hora, cerca de sete vezes a velocidade do som. Este foguete americano, que cumpriu sua função de lançar dois módulos de pouso lunar, permaneceu inoperante por mais de doze meses, transformando-se em um exemplo do que a comunidade científica denomina “lixo espacial”.
O lixo espacial compreende uma vasta gama de resíduos: desde partes de foguetes desativados até satélites que já não funcionam, todos flutuando nas proximidades da Terra. A acumulação desses objetos não representa apenas um perigo para futuras missões espaciais, mas também começou a gerar riscos tangíveis para a população e as propriedades no solo terrestre.
A ocorrência de detritos espaciais atingindo a superfície terrestre, antes um evento isolado há algumas décadas, agora se manifesta com frequência alarmante. Dados recentes da Força Espacial dos Estados Unidos indicam que quase 820 objetos reentraram na atmosfera, um salto significativo em comparação com os 110 casos registrados em 2016. Esse aumento demonstra a urgência de uma solução para o problema.
Não é incomum encontrar em plataformas digitais vídeos que mostram esses detritos caindo do céu, muitas vezes em um espetáculo visual que lembra a queda de meteoros. Embora a maioria desses objetos se desintegre completamente ao reentrar na atmosfera terrestre, há situações em que fragmentos conseguem chegar ao solo, como testemunhado na Austrália.
Recentemente, esferas prateadas misteriosas foram descobertas em uma praia no nordeste de Queensland, Austrália, em julho. A Agência Espacial Australiana (ASA) identificou que esses objetos “aparentam ser recipientes pressurizados de um veículo de lançamento espacial”, confirmando a chegada de lixo espacial em áreas povoadas e alertando para a necessidade de identificação e manejo desses materiais.
Além dos riscos diretos à segurança, a proliferação de lixo espacial também desencadeia complexas questões diplomáticas. Uma parte considerável de resíduos de lançamentos chineses, por exemplo, acaba caindo nas águas do Mar do Sul da China, uma área já notória por suas tensões políticas e militares. Pescadores filipinos, que enfrentam confrontos constantes com a Guarda Costeira chinesa, agora precisam também se precaver contra fragmentos de foguetes. As autoridades filipinas chegam a aconselhar que evitem o mar durante lançamentos realizados a partir de Hainan, o principal centro espacial da China.
Outra questão crucial que emerge é a responsabilidade financeira por danos causados por esses detritos. Quando o lixo espacial é de origem nacional, espera-se que o governo do país em questão cubra os prejuízos. Contudo, a situação se complica drasticamente quando o objeto é estrangeiro, e a resolução pode depender de tratados internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU).
A população muitas vezes fica à mercê das ações governamentais para obter reparação. No Quênia, por exemplo, um anel de foguete caiu dezesseis anos após seu lançamento. Levou meses para que a origem do objeto, de uma espaçonave francesa, fosse confirmada. Até hoje, o governo queniano não solicitou indenização à França pelos danos, que atingiram casas em um vilarejo próximo ao local do impacto, conforme relatou o senador Daniel Maanzo. A dificuldade em identificar o proprietário e, consequentemente, o responsável pela negligência, tem impedido qualquer forma de compensação.