
Foliões em Black Rock City, sede do Burning Man, em Nevada (EUA) — Foto: Reprodução/X Crédito: Extra.globo.com
As autoridades divulgaram os laudos que esclarecem as causas dos falecimentos de três participantes durante a última edição do festival Burning Man. O Escritório Regional do Médico Legista do Condado de Washoe, nos Estados Unidos, revelou na última sexta-feira (16) que as mortes foram atribuídas a uma combinação de condições cardiovasculares preexistentes e, em dois casos, ao uso de substâncias ilícitas. Este número representa um recorde de fatalidades para o evento, conhecido por sua atmosfera de contracultura e liberdade, que geralmente registra uma média de um óbito por edição.
O primeiro falecimento registrado foi o de Tshombe Sampson, de 62 anos, em 3 de setembro. Mesmo com a rápida intervenção da equipe de emergência do festival, que tentou manobras de ressuscitação, ele não resistiu. A causa oficial foi apontada como doença cardiovascular hipertensiva e aterosclerótica, caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias. Sampson era uma figura conhecida na comunidade do Burning Man, onde prestava serviços jurídicos voluntários.
No dia seguinte, 4 de setembro, um homem de 51 anos, cuja identidade não foi revelada, sentiu fortes dores no peito e veio a óbito a caminho de um hospital em Reno, Nevada. Para este caso, o legista concluiu que a morte foi acidental, resultado de uma combinação fatal de intoxicação por metanfetamina e MDMA, agravada por diabetes tipo 2 e uma condição cardíaca preexistente.
O terceiro óbito ocorreu em 5 de setembro, com Craigh Mann, de 60 anos, encontrado sem vida em seu trailer. A investigação determinou que a morte também foi acidental, provocada por uma mistura de cocaína e metanfetamina, somada à doença cardiovascular aterosclerótica que o acometia.
Os resultados das autópsias acendem um alerta sobre os riscos em ambientes de festival, especialmente quando condições de saúde preexistentes se somam ao uso de substâncias. A aterosclerose, mencionada em dois dos casos, é uma doença silenciosa que pode ser fatal quando o coração é submetido a estresse físico ou químico. O “por que isso importa” reside na necessidade de conscientização sobre os perigos do uso de drogas recreativas, que podem ter interações letais com enfermidades não diagnosticadas ou subestimadas, transformando uma celebração em tragédia.
O Burning Man, realizado no Deserto de Black Rock, é um evento que desafia os limites convencionais e atrai dezenas de milhares de pessoas em busca de experiências únicas. Embora promova a autoexpressão e a liberdade, o ambiente extremo do deserto e a cultura de experimentação podem expor os participantes a riscos significativos de saúde e segurança.
As mortes recentes ocorrem em um cenário de um crime ainda sem solução de uma edição anterior do festival. Um ano antes dos falecimentos atuais, Vadim Kruglov, um cidadão russo de 37 anos residente no estado de Washington, foi encontrado esfaqueado dentro de uma barraca em 30 de agosto, enquanto a icônica estátua do “Homem” queimava. Uma faca permaneceu cravada em seu pescoço, e a autópsia não indicou ferimentos de defesa, sugerindo que ele teve pouca ou nenhuma chance de reagir.
Investigadores do Gabinete do Xerife do Condado de Pershing acreditam que Kruglov foi morto dentro da barraca onde seu corpo foi descoberto. Uma das maiores lacunas na investigação é o período de aproximadamente quatro horas entre o momento estimado da morte e a descoberta do corpo. Registros indicam que Vadim havia recebido atendimento médico em um hospital temporário do festival e foi liberado por volta das 17h, mas seus movimentos até as 21h14, quando foi encontrado, permanecem desconhecidos.
No início daquela madrugada, por volta das 2h, Kruglov foi visto como DJ ao lado de dois homens em um acampamento nos arredores do festival. Apesar de centenas de pistas recebidas, as autoridades não conseguiram identificar esses homens, e o homicídio permanece um caso aberto, adicionando uma camada de complexidade aos desafios de segurança que o Burning Man enfrenta.