
Crédito: Mixvale.com.br
O Senado dos Estados Unidos barrou, em 15 de setembro de 2026, uma iniciativa legislativa crucial para o setor de ativos digitais, conhecida como Clarity Act. A votação processual em Washington resultou em um revés para senadores republicanos que apoiavam a medida, principalmente devido a intensos questionamentos éticos que surgiram em torno dos negócios do ex-presidente Donald Trump no universo das criptomoedas.
A discussão no Congresso foi acirrada, impulsionada pela revelação de que Donald Trump, antes de assumir a Casa Branca, havia levantado mais de US$ 1 bilhão por meio de empreendimentos de criptoativos desenvolvidos em parceria com seus filhos. Esse envolvimento financeiro direto de um futuro chefe de Estado com um setor em rápida expansão e ainda em busca de regulamentação clara gerou preocupações significativas sobre potenciais conflitos de interesse, um tema recorrente na política americana que ganhou nova dimensão com a ascensão das moedas digitais.
Parlamentares democratas se opuseram veementemente ao texto, argumentando que ele criaria uma brecha perigosa, permitindo que figuras públicas continuassem a negociar moedas virtuais enquanto, simultaneamente, elaboravam as diretrizes financeiras da nação. A senadora Elizabeth Warren expressou sua crítica de forma contundente: “Este projeto de lei de criptomoedas diz: ‘Vá em frente, senhor presidente’. Isso é fundamentalmente errado”. A postura da oposição irritou o líder da maioria no Senado, John Thune, que lamentou a dificuldade em alcançar concessões com os parlamentares.
O democrata Ruben Gallego foi um dos mais vocais críticos da condução do processo. Ele acusou os republicanos de encerrar as negociações de forma abrupta, forçando uma votação em plenário sem o devido diálogo. Gallego defendeu que os governistas deveriam concentrar esforços na construção de exigências éticas mais rigorosas para o setor, em vez de tentar agradar Donald Trump na busca pelos 60 votos necessários para a aprovação final. A Casa Branca, em uma tentativa de salvar a votação, chegou a apresentar termos de ética revisados dois dias antes, mas a proposta não foi suficiente para convencer os negociadores contrários ao texto.
O resultado da votação legislativa teve repercussões imediatas no mercado de criptomoedas. Logo após o anúncio, o Bitcoin registrou uma queda de 4%, com sua cotação se estabilizando em torno de US$ 75.700. Outras empresas importantes do setor também sentiram o impacto:
Este cenário contrasta com o apoio prévio do governo americano ao setor, que havia indicado nomes favoráveis às moedas digitais para agências reguladoras e chegou a propor a criação de uma reserva estratégica de Bitcoin. Além disso, a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) havia cancelado ações de fiscalização contra companhias e investidores que possuíam ligações com a família de Donald Trump, o que demonstrava uma postura mais branda que agora parece ser desafiada pelo legislativo.
Apesar do revés no Senado, algumas vozes do mercado financeiro mantêm uma perspectiva de longo prazo otimista para o segmento. David Mercer, presidente-executivo da plataforma LMAX Group, destacou que os maiores bancos e gestores de ativos do mundo já estão investindo no desenvolvimento de infraestrutura para o setor, que movimenta cerca de US$ 2,5 trilhões globalmente. Mercer afirmou que sua empresa manterá os investimentos nos Estados Unidos, fundamentando essa decisão na crença de que a clareza regulatória para os ativos digitais é uma etapa inevitável e fundamental para a maturidade do mercado.