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Região Nordeste concentra as dez cidades mais violentas do Brasil, revela Anuário da Segurança Pública

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A região Nordeste do Brasil se destaca negativamente no mais recente Anuário da Segurança Pública, divulgado em julho de 2026, ao abrigar as dez cidades com as maiores taxas de mortes violentas intencionais no país em 2025. O levantamento, que detalha o cenário da segurança pública, aponta uma concentração alarmante de violência urbana nessa área.

Os dados revelam que a Bahia é o estado mais afetado nesse recorte específico, com cinco de seus municípios figurando entre os dez mais perigosos. O Ceará aparece com três cidades na lista, enquanto Pernambuco e Paraíba contribuem com uma cidade cada, consolidando a predominância nordestina nos índices mais críticos de violência.

Crédito: Mixvale.com.br

Maranguape no Ceará lidera com índices mais alarmantes

Pelo segundo ano consecutivo, Maranguape, no Ceará, se posicionou como a cidade mais violenta do país em 2025. O município registrou uma taxa de 100,3 mortes violentas intencionais para cada 100 mil habitantes, um aumento expressivo em comparação com as 80 mortes por 100 mil habitantes observadas no ano anterior, 2024. Este dado sublinha um agravamento contínuo da situação na localidade.

Entre as cinco primeiras posições do ranking de cidades, três são da Bahia, evidenciando a complexidade dos desafios de segurança no estado. Eunápolis ocupa a segunda colocação, com uma taxa de 85,1 mortes, seguida por Porto Seguro em quarto lugar, com 71,2, e Simões Filho, que aparece na quinta posição, com 68,1. As mortes violentas intencionais, conforme o anuário, incluem homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.

Cenário da violência em nível estadual no país

Em uma análise abrangente dos estados, o Amapá mantém a posição de unidade federativa mais violenta do Brasil. Apesar de uma ligeira redução de 6% em sua taxa entre 2024 e 2025, passando de 45,2 para 42,5 mortes a cada 100 mil habitantes, o estado do Norte ainda lidera o ranking de forma preocupante. A composição dos estados com as maiores taxas de violência se manteve estável em relação a 2024, mesmo com quedas nos índices gerais.

A Bahia, em segundo lugar, demonstrou uma diminuição de 10% em sua taxa, que recuou de 40,7 para 36,8 mortes violentas. O Ceará, na terceira posição, registrou uma queda de 7,5% em seus indicadores, caindo de 37,5 para 34,7. Essas reduções, embora positivas, não foram suficientes para alterar suas posições relativas entre os estados mais violentos.

No extremo oposto, Santa Catarina desponta como o estado com a menor taxa de mortes violentas do país, registrando apenas 7,6 a cada 100 mil habitantes. Este feito coloca o estado do Sul à frente de São Paulo, que desde 2014 detinha a menor taxa e agora apresenta 7,8 mortes violentas por 100 mil habitantes. A performance de Santa Catarina oferece um contraponto significativo ao panorama nacional.

Em um balanço geral, 19 estados brasileiros e o Distrito Federal conseguiram reduzir suas taxas de mortes violentas, um sinal positivo na luta contra a criminalidade. No entanto, sete estados apresentaram um aumento nos índices, indicando que os desafios de segurança pública persistem e se manifestam de forma heterogênea pelo território nacional.

Tendências e contrastes na segurança nacional

O Anuário de Segurança Pública de 2025 revela um cenário de contrastes na segurança do país. O Brasil atingiu o menor número de assassinatos desde 2012, ano em que o Fórum iniciou o levantamento, somando 40.775 vítimas, o que representa uma queda de 8% em relação a 2024. Pela primeira vez na história da pesquisa, a taxa nacional de mortes violentas ficou abaixo de 20, marcando 19,1 por 100 mil habitantes, um marco importante na redução da violência letal.

Contrariando a tendência geral de queda, os feminicídios atingiram um número recorde em 2025, com uma média de quatro mulheres mortas por dia. Este aumento alarmante ressalta a urgência de políticas mais eficazes para combater a violência de gênero. Outros indicadores de violência contra a mulher também mostraram elevação, incluindo violência psicológica (17%), stalking (30%), descumprimento de medida protetiva (17%) e ameaças (0,5%). Para cada feminicídio consumado, houve três tentativas, evidenciando a gravidade do problema.

O levantamento também aponta para um crescimento de 5% no número de mortes causadas por policiais no último ano, enquanto as mortes de policiais em serviço diminuíram 3%. Além disso, os registros de produção, posse ou distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil tiveram um aumento preocupante de 25%, sinalizando a expansão de crimes digitais graves. Os casos de bullying e cyberbullying entre jovens também cresceram mais de 60% após a criação de um tipo penal específico em 2024, indicando que a legislação trouxe à tona a dimensão do problema.

Em um aspecto positivo, a quantidade de adolescentes cumprindo medida socioeducativa no Brasil caiu 54% em nove anos, totalizando 12,2 mil jovens. A maioria desses adolescentes são meninos (93%), negros (74%) e com idade entre 16 e 18 anos (76%), sendo as infrações mais comuns roubo (29%) e tráfico de drogas (28%).

O sistema prisional, por sua vez, registrou um aumento de 6% na população carcerária, alcançando 964 mil pessoas, com a projeção de ultrapassar 1 milhão de presos até 2027 se a tendência atual for mantida. Quanto ao acesso a armas, o país conta com 2,1 milhões de empresas e pessoas autorizadas a possuir armamento, das quais 1 milhão possuem licença de Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CAC), somando 1,6 milhão de armas cadastradas. Um dado preocupante é que três em cada dez armas possuem registro vencido.

Detalhes das cidades com maior incidência de mortes violentas intencionais

A seguir, apresentamos uma lista parcial das cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes e suas respectivas taxas de mortes violentas intencionais, conforme o Anuário de Segurança Pública de 2025:

  • Maranguape, CE: 100,3
  • Eunápolis, BA: 85,1
  • Maracanaú, CE: 80,7
  • Porto Seguro, BA: 71,2
  • Simões Filho, BA: 68,1
  • Jequié, BA: 67,4
  • Caucaia, CE: 66,6
  • Cabo de Santo Agostinho, PE: 65,1
  • Santa Rita, PB: 60,9
  • Juazeiro, BA: 55,8
  • Sobral, CE: 54
  • São Lourenço da Mata, PE: 53,3
  • Marituba, PA: 52,7
  • Camaçari, BA: 52,2
  • Caxias, MA: 49,5
  • Teixeira de Freitas, BA: 49,4
  • Itaperuna, RJ: 47,5
  • Santana, AP: 47,1
  • Vilhena, RO: 46,5
  • Altamira, PA: 45,4
  • Luís Eduardo Magalhães, BA: 44,8
  • Feira de Santana, BA: 44,2
  • Salvador, BA: 44
  • Petrolina, PE: 43,3
  • Camaragibe, PE: 41,6
  • Balsas, MA: 41,5
  • Ilhéus, BA: 41,2
  • Itapipoca, CE: 41
  • São Gonçalo do Amarante, RN: 40,2
  • Maceió, AL: 39,7
  • São Mateus, ES: 39,4
  • Araguari, MG: 38,9
  • Ipojuca, PE: 38,5
  • Barra Mansa, RJ: 37,4
  • Lauro de Freitas, BA: 36,9
  • Marabá, PA: 36,8
  • Recife, PE: 36,3
  • Itaituba, PA: 36,2
  • Macapá, AP: 36,1
  • Paranaguá, PR: