
Pesquisadores da Califórnia encontraram rara lula-de-nadadeiras-longas com 'asas de anjo' a mais de 3.400 metros de profundidade — Foto: Reprodução/MBARI Crédito: Extra.globo.com
Uma expedição científica submarina na costa da Califórnia, Estados Unidos, revelou um avistamento extraordinário: uma lula-de-nadadeiras-longas, popularmente conhecida como Magnapinna, em um habitat a mais de 3.200 metros de profundidade. A criatura, caracterizada por seus tentáculos e braços longos e finos que se assemelham a asas, foi filmada por pesquisadores explorando um vulcão submarino inativo.
A descoberta surpreendeu a equipe do Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI), que utilizava um veículo operado remotamente para analisar o fundo do mar abissal próximo ao Davidson Seamount, uma montanha submarina dentro do Santuário Marinho Nacional de Monterey Bay. A aparição repentina da lula, considerada uma das mais elusivas criaturas do oceano, gerou grande entusiasmo a bordo.
Olívia Soares Pereira, pesquisadora de pós-doutorado do MBARI, descreveu o momento da identificação. “Eu estava atenta às telas de monitoramento quando percebi algo que pareciam ser tentáculos invadindo o canto superior da imagem”, relatou a cientista brasileira em um comunicado. “Inicialmente, pensei que poderia ser uma água-viva diferente, mas assim que as pequenas protuberâncias, que parecem cotovelos, se tornaram visíveis, soube de imediato que era uma Magnapinna, antes mesmo de o corpo inteiro da lula surgir.”
Os cientistas estimaram que o exemplar avistado media aproximadamente 1,25 metro, considerando o comprimento total da ponta dos braços até a parte superior do manto. A lula foi observada a uma impressionante profundidade de 3.275 metros, um ambiente de extrema pressão e completa escuridão.
Andrew DeVogelaere, ecologista pesquisador do Santuário Marinho Nacional de Monterey Bay, da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), compartilhou sua perspectiva sobre o avistamento. “Estava focado no leito marinho quando, de repente, uma forma graciosa com ‘asas’ ondulantes, que lembravam as de um anjo, surgiu em meu campo de visão”, afirmou DeVogelaere, ressaltando a beleza e a raridade do momento.
A observação da Magnapinna é um marco significativo para a biologia marinha, pois estas lulas são raramente documentadas. A maioria dos avistamentos ocorre por acaso, em regiões oceânicas profundas que permanecem em grande parte inexploradas. A peculiar morfologia da Magnapinna, com braços e tentáculos que se estendem em ângulos distintos, a torna uma espécie de grande interesse para os pesquisadores.
Este tipo de descoberta sublinha a vastidão e a complexidade dos ecossistemas de águas profundas, que representam a maior parte do volume habitável da Terra, mas são os menos compreendidos. Cada novo registro de vida em profundidades extremas fornece dados cruciais para entender a biodiversidade do planeta, a adaptação de espécies a condições severas e a importância da conservação de áreas marinhas protegidas como o Santuário de Monterey Bay, que servem como laboratórios naturais para a ciência.