
Colecionador James Cranfield descobriu que 'cabeça de raposa' empalhada era parte de predador extinto e o comprou por R$ 505 mil em leilão — Foto: Reprodução/Auctioneum Crédito: Extra.globo.com
Um colecionador de artefatos taxidermizados na Grã-Bretanha fez uma descoberta extraordinária ao identificar uma peça anunciada como “cabeça de raposa do século XIX” como, na verdade, os restos de um tilacino, ou tigre-da-tasmânia, espécie extinta há quase 90 anos. A raridade foi adquirida por James Cranfield em um leilão, totalizando um investimento de R$ 505 mil, incluindo taxas.
James Cranfield, conhecido por sua coleção diversificada de taxidermia que celebra a riqueza dessa arte, deparou-se com o item em um site de leilões. Embora a descrição inicial apontasse para uma “cabeça de raposa”, uma análise mais atenta da imagem acendeu um alerta em sua mente. O britânico de 38 anos logo percebeu que as características do espécime não correspondiam às de uma raposa comum, mas sim a um animal muito mais incomum.
A intuição de Cranfield o levou a suspeitar que a peça pudesse ser um tilacino, também conhecido como tigre-da-tasmânia. Para confirmar sua hipótese, ele viajou por três horas até a casa de leilões, onde pôde examinar o artefato pessoalmente. A visita confirmou suas suspeitas: ele estava diante da cabeça de um dos mais emblemáticos predadores extintos do mundo.
O tilacino (Thylacinus cynocephalus) era um marsupial carnívoro nativo da Austrália e da Nova Guiné, com uma aparência que lembrava um cão de grande porte, distinguido por listras escuras no dorso. Antes da chegada dos colonizadores europeus, sua população já estava restrita principalmente à Tasmânia. A espécie foi implacavelmente caçada, além de sofrer com doenças e a destruição de seu habitat natural.
O último tilacino conhecido morreu em cativeiro em um zoológico da Tasmânia em 1936, marcando oficialmente a extinção do animal. A descoberta de uma peça taxidermizada como esta é de suma importância, pois oferece uma rara oportunidade de estudo e conexão com uma espécie que já não caminha sobre a Terra, ressaltando o impacto devastador da ação humana sobre a biodiversidade.
Antes de chegar ao leilão, a cabeça do tilacino havia sido adquirida em uma feira local por uma pessoa anônima, que a considerava apenas uma “raposa” com olhos esbugalhados e um sorriso peculiar, sem qualquer conhecimento de seu verdadeiro valor histórico e biológico. A peça foi então colocada à venda na Auctioneum, em Bristol, Inglaterra, onde alcançou um preço surpreendente de R$ 435 mil para o vendedor.
O arremate final, feito por Cranfield, ascendeu a um total de R$ 505 mil, incluindo as taxas de leilão. Para assegurar a autenticidade do item e afastar qualquer dúvida sobre o alto investimento, o colecionador submeteu a cabeça a exames de raio-X e tomografia computadorizada, que confirmaram não apenas ser um tilacino genuíno, mas também revelaram um crânio perfeitamente preservado em seu interior.
Cranfield expressou sua satisfação com a confirmação da autenticidade, aliviado por não ter gasto uma quantia tão significativa em uma raposa comum. Contudo, seu plano para o artefato transcende o mero colecionismo. Ele pretende que a peça seja utilizada não como um troféu pessoal, mas como uma valiosa ferramenta educacional e científica, acessível a pesquisadores que buscam aprofundar o conhecimento sobre o misterioso tigre-da-tasmânia.
Esta abordagem ressalta a importância de artefatos históricos e biológicos na educação e na pesquisa. Ao invés de permanecer em um acervo particular, a cabeça do tilacino pode contribuir significativamente para estudos sobre a espécie, sua morfologia e as causas de sua extinção, servindo como um poderoso lembrete da fragilidade da vida selvagem e da necessidade de conservação.