Um homem de 56 anos, classificado pelas autoridades como um “predador sexual violento”, foi preso no início do mês em Indianápolis, Indiana (EUA). Melvin Harney Jr. é acusado de perseguir repetidamente servidoras estaduais e tentar tocar e massagear os pés das vítimas. O agressor foi encaminhado à Cadeia do Condado de Marion e responde a sete acusações criminais, incluindo agressão sexual, agressão física e voyeurismo em público, com fiança estabelecida em US$ 5.000 (aproximadamente R$ 25 mil).
Documentos judiciais revelados na última semana descrevem três incidentes distintos ocorridos nas proximidades do Centro Governamental de Indiana. Em todas as ocasiões, Harney se aproximou das mulheres com o objetivo de tocar seus pés, uma prática que ele próprio confessou à polícia ser a parte da anatomia feminina que mais o atrai sexualmente.

O primeiro caso foi registrado em 4 de maio. Uma funcionária pública caminhava em direção à garagem da Rua Washington, por volta das 16h30, quando foi seguida pelo agressor dentro de um elevador. O homem agarrou os calcanhares da mulher e inseriu a mão em seu calçado.
Diante da resistência da vítima e de seus pedidos para que parasse, Melvin Harney Jr. fez uma alegação falsa de que ela estava sangrando e ofereceu um pano. A mulher negou o sangramento, sofreu novas investidas em seu tornozelo e conseguiu escapar gritando por socorro, reportando o ocorrido à Polícia do Capitólio.
Um segundo ataque ocorreu em 4 de junho, durante o horário de almoço de outra servidora, que se dirigia a uma lanchonete. O agressor a seguiu, proferindo palavras desconexas, e tentou agarrar seu braço. Quando a mulher se esquivou, ele se abaixou para tocar seu pé direito, questionando quem fazia suas pedicures.
A vítima correu para o edifício governamental mais próximo e acenou para colegas em busca de ajuda. Câmeras de segurança capturaram o momento em que o criminoso deslizou os dedos do calcanhar até o tornozelo da mulher.
A terceira ocorrência foi em 13 de agosto, contra uma funcionária do Departamento de Saúde de Indiana, abordada na mesma garagem da Rua Washington por volta das 15h30. Após perguntar as horas, Melvin continuou a segui-la e a surpreendeu ao se ajoelhar para tocar seu pé direito, afirmando haver “algo em seu pé”. A vítima correu para uma escada externa de acesso restrito, sendo perseguida de perto pelo agressor, que questionou sua velocidade antes de fugir.
A análise minuciosa das imagens de vigilância foi fundamental para a polícia concluir que o autor dos três crimes era o mesmo indivíduo. Em 10 de setembro, policiais do Capitólio reconheceram Melvin Harney Jr. pelas características dos sapatos que ele usava nos vídeos e o detiveram perto do Monument Circle, um ponto turístico central de Indianápolis.
As investigações subsequentes revelaram que Melvin Harney Jr. possuía um extenso histórico criminal, tendo cumprido 23 anos de reclusão por agressão sexual. Ele havia sido liberado pelo Departamento Correcional de Indiana (IDOC) no início de 2026, sob um rigoroso programa de monitoramento que incluía o uso de uma tornozeleira eletrônica com GPS.
Apesar do monitoramento, que visava garantir a segurança pública, os dados do equipamento confirmaram a presença exata de Harney nos locais e horários dos ataques, traçando inclusive a rota de perseguição às vítimas. Este fato levanta questões importantes sobre a eficácia do monitoramento eletrônico em prevenir a reincidência de predadores sexuais com impulsos incontroláveis, demonstrando que a tecnologia pode rastrear, mas não necessariamente impedir a ação criminosa.
Durante o interrogatório realizado em 11 de setembro, Harney confessou a autoria dos três episódios e confirmou que o alvo de suas investidas eram os pés das mulheres. Os documentos judiciais apontam que “Melvin admitiu ter tocado os pés das mulheres com a intenção de satisfazer suas necessidades sexuais”.
O suspeito ainda declarou aos detetives que “precisava de mais tratamento” para controlar impulsos que, segundo ele, permanecem incontroláveis mesmo após mais de duas décadas de prisão e monitoramento. Uma nova audiência do caso está agendada para o dia 6 de outubro.