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Polícia Federal mira ex-governador Mauro Mendes e deputado Fábio Garcia em operação por desvio de R$ 308 milhões

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Uma extensa investigação da Polícia Federal, com uma operação programada para 6 de agosto de 2026, foca em um complexo esquema de desvio de verbas públicas que ultrapassaria os R$ 308 milhões em Mato Grosso. As apurações têm como alvos principais o ex-governador Mauro Mendes e o deputado federal Fábio Garcia (União), cotado para a vice-governadoria em uma chapa futura, além de outros agentes públicos e privados.

Operação em quatro estados e o rol de investigados

A ação policial prevê o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão distribuídos por Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará, demonstrando a amplitude geográfica da suposta rede criminosa. Além dos nomes de grande projeção política, a investigação se estende a secretários estaduais, um desembargador e um procurador do estado, cujas identidades ainda não foram divulgadas.

Crédito: Mixvale.com.br

As permissões para as diligências e para o bloqueio de bens foram concedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A corte determinou a indisponibilidade de ativos que podem atingir a cifra de R$ 316 milhões, além de autorizar a quebra de sigilos bancário e fiscal dos indivíduos envolvidos, buscando rastrear a movimentação financeira.

O cerne da controvérsia: acordo tributário sob suspeita

As investigações tiveram início a partir da análise de um termo de conciliação firmado entre o Estado de Mato Grosso e uma empresa de telefonia privada, a Oi S.A. O acordo visava a restituição de valores relacionados a uma antiga controvérsia tributária envolvendo o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A Polícia Federal aponta indícios de que essa transação financeira foi supostamente utilizada para desviar recursos públicos. O mecanismo envolveria uma rede sofisticada de fundos de investimento em cascata e companhias intermediárias. O objetivo, segundo os investigadores, seria dissimular a origem, a circulação e o destino final do dinheiro, dificultando o rastreamento.

Os crimes que, em tese, podem ser caracterizados incluem organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, delitos contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada. A complexidade do esquema sugere uma ação coordenada para a apropriação indevida de recursos públicos.

Histórico do acordo milionário com a Oi S.A.

O litígio entre a administração estadual e a Oi S.A. perdurava desde 2009. Em abril de 2024, a conciliação foi selada, com um débito inicial de R$ 690 milhões sendo renegociado para um pagamento final de R$ 308 milhões por parte do estado. Em agosto de 2025, o Judiciário de Mato Grosso havia chancelado o acordo entre a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) e a operadora.

Entretanto, antes mesmo da operação atual, em maio de 2025, o Ministério Público Estadual (MPE) já havia instaurado um procedimento investigatório. A intenção era verificar se o montante de R$ 308 milhões, referente à cobrança de ICMS considerada indevida, havia sido direcionado para beneficiar pessoas com ligações ao ex-governador Mauro Mendes.

A decisão mais recente do STF destaca que a essência da apuração envolve dois pontos cruciais: a adequação da cessão de crédito dentro das normas de recuperação judicial da empresa e a verificação das graves denúncias de irregularidades na alocação desses recursos públicos.

Posicionamento de Mauro Mendes sobre a investigação

Em comunicado oficial, o ex-governador Mauro Mendes declarou que possui total confiança na condução das apurações pela Polícia Federal. Ele reiterou seu compromisso em colaborar com todas as requisições das autoridades, aguardando o desenrolar do processo com serenidade e convicto de que os fatos serão integralmente esclarecidos.

A presença de nomes proeminentes da política mato-grossense e nacional na lista de investigados eleva a relevância deste caso. As suspeitas de desvio de verbas públicas por meio de esquemas financeiros complexos podem ter impactos significativos na cena política e na percepção da gestão pública, especialmente em um ano eleitoral.