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Polícia Federal convoca Jaques Wagner para depor em inquérito bilionário sobre fraudes com Banco Master

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A Polícia Federal (PF) agendou para 7 de agosto o depoimento do senador Jaques Wagner (PT-BA) no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação, que apura um complexo esquema de fraudes financeiras estimado em bilhões de reais, tem o Banco Master como um dos alvos principais e busca esclarecer o papel de agentes públicos na suposta rede ilícita. O encontro será presencial, na Superintendência da PF em Brasília, conforme solicitação emitida na terça-feira, 21 de julho de 2026.

O Foco da Operação Compliance Zero e o Envolvimento do Senador

A Operação Compliance Zero concentra-se em indícios de um vasto esquema de irregularidades financeiras. A Polícia Federal considera o senador Jaques Wagner como o “suposto beneficiário central” de vantagens econômicas sob apuração. A linha de investigação sugere que o parlamentar teria atuado como agente público para favorecer indivíduos e empresas envolvidas, em troca de pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais de origem ilícita.

Crédito: Mixvale.com.br

Este não é o primeiro contato do senador com a investigação. Em 18 de junho, Jaques Wagner já havia sido alvo da nona fase da mesma operação, quando imóveis a ele relacionados em Salvador, na Bahia, e em Brasília foram vistoriados por mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A relevância da apuração reside na conexão entre figuras políticas de alto escalão e esquemas financeiros de grande porte, potencializando o impacto na confiança pública e na integridade das instituições financeiras.

Ligações Financeiras e Suspeitas de Vantagens Indevidas

As investigações da PF indicam uma relação próxima entre o senador e o banqueiro Augusto Lima, que foi sócio de Daniel Vorcaro e proprietário do Banco Pleno. Esta instituição financeira também teve suas atividades encerradas pelo Banco Central (BC), o que adiciona uma camada de complexidade ao cenário de fraudes apuradas. A proximidade de Wagner com figuras-chave do setor financeiro é um dos pontos focais da investigação.

Entre as suspeitas levantadas pela Polícia Federal, estão pagamentos e outras vantagens recebidas por Jaques Wagner em troca de seu apoio a proposições legislativas no Congresso que poderiam beneficiar o Banco Master, como a denominada “Emenda Master”. As apurações incluem ainda a aquisição de um apartamento de luxo na capital baiana e transferências que somam R$ 3,5 milhões para membros da família do político, levantando questões sobre a origem e a finalidade desses recursos.

Repercussões Políticas e a Defesa do Parlamentar

Jaques Wagner tem refutado veementemente todas as acusações de conduta imprópria. No entanto, os desdobramentos da operação tiveram impacto direto em sua trajetória política. Poucos dias após a fase da operação que o teve como alvo em junho, o senador se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio da Alvorada e, logo em seguida, anunciou sua saída do posto de líder do governo no Senado, uma movimentação que gerou grande repercussão nos bastidores políticos.

Na ocasião, o senador declarou que sua “prioridade absoluta é provar [sua] inocência e se dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da [sua] reeleição junto com Rui Costa para o Senado”. Coincidentemente, nesta mesma terça-feira, 21 de julho, data da solicitação de seu depoimento pela PF, Wagner está programado para anunciar os nomes que irão compor sua chapa de suplentes na corrida pela reeleição ao Senado, durante um evento na sede do PSD, na Bahia. Este contexto ressalta a pressão política e jurídica sobre o senador em um momento crucial de sua carreira.