
Paola Stefany Neto Cirino é a principal suspeita de ter matado casal de idosos em apartamento de luxo em BH. — Redes sociais Crédito: Mixvale.com.br
As investigações sobre o brutal assassinato de um casal de idosos em um apartamento de luxo na região Centro-Sul de Belo Horizonte ganharam novos e importantes desdobramentos. A perícia da Polícia Civil confirmou a presença de clonazepam, um potente tranquilizante, no sangue de Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76. Paralelamente, as autoridades conseguiram identificar tanto a placa quanto o proprietário do automóvel que teria transportado a principal suspeita, Paola Stefany Neto Cirino, para o centro da capital mineira após o crime.
A detecção do clonazepam, um medicamento com fortes propriedades sedativas e ansiolíticas, alinha-se diretamente com a versão apresentada pela diarista Paola Stefany Neto Cirino durante seu interrogatório. Ela confessou ter adicionado comprimidos à bebida servida às vítimas antes de atacá-las. Essa evidência forense é crucial, pois sustenta a narrativa da suspeita sobre a incapacitação prévia do casal.
Felipe Freitas, delegado responsável pelo caso, revelou que a diarista mencionou informalmente ter utilizado quatro comprimidos do tranquilizante no suco das vítimas. No entanto, a equipe de investigação não descarta a possibilidade de que uma dose ainda maior tenha sido administrada, visando eliminar qualquer capacidade de defesa do casal antes do duplo homicídio. Tal fato poderia indicar um grau ainda mais elevado de premeditação e intenção de incapacitação total, tornando a ação ainda mais calculada.
A identificação do carro que teria levado Paola Stefany do local do crime representa um avanço significativo para a Polícia Civil. A suspeita havia alegado, em depoimento, ter solicitado uma corrida a um motorista de aplicativo que estaria nas proximidades do prédio das vítimas, pagando R$ 40 pelo trajeto. Para verificar a veracidade dessa informação e determinar se houve qualquer tipo de auxílio em sua evasão, a investigação já solicitou dados às plataformas de transporte.
A análise desses dados é fundamental para validar a versão de Paola sobre sua fuga. Além disso, a polícia busca determinar se o motorista tinha conhecimento da situação ou se agiu inadvertidamente. A elucidação desse ponto é vital para descartar ou confirmar a participação de terceiros na logística pós-crime.
Os assassinatos do advogado Cláudio Atala Inácio e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio aconteceram na segunda-feira, 29 de abril, no apartamento do casal, localizado no bairro São Pedro. Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, havia sido contratada para um serviço de limpeza no imóvel, após recomendação de um familiar das vítimas.
A Polícia Civil aponta que, após dopar o casal com o tranquilizante, Paola utilizou uma faca encontrada na própria residência para cometer os homicídios. Em seguida, ela subtraiu joias, relógios, celulares e outros objetos de valor, saindo do prédio com diversas bolsas e sacolas. A investigação apurou que parte desses bens foi posteriormente negociada por aproximadamente R$ 59 mil.
Os corpos foram encontrados pelo filho do casal no dia seguinte, 30 de abril. Graças a imagens de câmeras de segurança, a polícia conseguiu identificar rapidamente a suspeita e, no dia 2 de maio, recuperou os telefones celulares das vítimas na cidade de Vespasiano. Paola foi capturada em um hotel em Itabira, Região Central de Minas Gerais, onde confessou os crimes e teve sua prisão em flagrante formalizada. As autoridades continuam as diligências para apurar a possível participação de outras pessoas na fuga e na comercialização dos itens roubados.