
Americana Mary Sorenson está desaparecida após avalanche de lama varrer a fronteira entre o Tibete e o Nepal — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com
Uma jornada espiritual que era o “sonho da vida” de Mary Sorenson, de 60 anos, transformou-se em angústia para sua família, após a turista americana desaparecer na região fronteiriça entre o Nepal e o Tibete. Ela é uma das milhares de pessoas afetadas por um catastrófico deslizamento de lama ocorrido na última quarta-feira (26/8), logo após concluir sua peregrinação ao Monte Kailash, um local de profunda reverência para budistas e hindus.
Nascida em Atlanta, Geórgia (EUA), Mary Sorenson empreendeu uma peregrinação espiritual ao Monte Kailash, conhecido como a “Montanha Proibida” no Tibete, um dos mais sagrados para as tradições hindu e budista. Durante a jornada, que estava em sua lista de desejos de vida, ela participou de práticas de ioga, orações e meditação ao lado de um grupo de compatriotas.
A peregrina já havia completado a desafiadora travessia e estava a caminho de casa, nos Estados Unidos, quando o desastre natural a atingiu. Na terça-feira anterior ao deslizamento, Mary enviou sua última comunicação à família. Seu filho, Riley Wildeman, relatou à imprensa que a mensagem indicava que ela estava “descendo a montanha” e ansiosa pela longa viagem de volta, onde planejava refletir sobre a experiência.
De forma tocante, a mensagem final de Mary expressava gratidão profunda. “Ela terminou a mensagem dizendo: ‘Sou muito grata por vocês serem minha família'”, recordou Riley, um professor de escola pública, destacando o afeto contido nas últimas palavras da mãe.
Desde o desaparecimento, a família de Mary Sorenson mobilizou todos os recursos possíveis, contatando o Departamento de Estado dos EUA e autoridades governamentais do Nepal e da China. Riley Wildeman descreveu a situação como uma “angústia imensa, muita tristeza e dor. Uma dor profunda, visceral”, mas fez questão de diferenciar: “Sentimos a angústia da situação, não a dor da perda”.
A família mantém a esperança, impulsionada pela fé. “Toda a minha família e minha mãe acreditam em um Deus que realiza milagres, e creem que o milagre resultante disso será algo que talvez não compreendamos plenamente agora, mas que, ao olharmos para trás, saberemos reconhecer e sentir”, afirmou Riley, reforçando a crença em um desfecho positivo.
As inundações e deslizamentos de lama que surpreenderam a fronteira entre o Nepal e o Tibete na manhã de quarta-feira, pouco depois do último contato de Mary com sua família, provocaram uma crise humanitária de grande escala. Equipes de resgate trabalham incessantemente, dia e noite, em uma região montanhosa e de difícil acesso, o que complica ainda mais as operações.
A agência de gestão de desastres do Nepal informou que mais de 4.700 pessoas estão desaparecidas em meio à lama e aos escombros. Entre os desaparecidos, um número significativo de 592 são estrangeiros, refletindo a popularidade da região para peregrinos e turistas. As autoridades locais confirmaram que pelo menos 85 cidadãos americanos estão entre os que ainda não foram localizados, sublinhando a dimensão internacional da tragédia.