
Foliões em Black Rock City, sede do Burning Man, em Nevada (EUA) — Foto: Reprodução/X Crédito: Extra.globo.com
Um homem com cerca de 50 anos faleceu na última quinta-feira (3) durante sua participação no Burning Man, o renomado festival de contracultura realizado anualmente no deserto de Black Rock, em Nevada, Estados Unidos. A morte ocorreu em um período de intensas chuvas e formação de lama, que impuseram desafios logísticos e de segurança significativos para os milhares de “burners” reunidos na “playa”, a cidade temporária erguida para o evento.
A organização do festival, Burning Man Project, confirmou que o participante sofreu uma “emergência médica” enquanto estava em Black Rock City. Equipes de emergência agiram prontamente, prestando os primeiros socorros no local antes de encaminhá-lo ao centro médico do próprio evento, onde, infelizmente, seu óbito foi constatado. A identidade da vítima não foi divulgada, aguardando a notificação dos familiares.
Em comunicado, o Burning Man Project expressou suas condolências e reforçou o compromisso com a segurança e o bem-estar da comunidade. A nota enfatizou que recursos de apoio estão disponíveis 24 horas por dia para quem necessitar dentro da cidade temporária. As autoridades não liberaram informações adicionais sobre a causa da emergência médica ou as circunstâncias exatas do falecimento, que ocorreu em um cenário de lama e interrupções no acesso ao local.
O xerife do condado de Pershing, Jerry Allen, informou que, até o momento, não há indícios de crime relacionados à morte do participante. A investigação segue em curso, e o desfecho aguarda o laudo oficial do legista para a determinação da causa da morte. Este incidente remete a outra fatalidade ocorrida em uma edição anterior do festival.
Em 2022, o russo Vadim Kruglov, de 37 anos, foi morto a facadas na área do Burning Man, justamente quando a imponente escultura central era incinerada. O caso de Kruglov ainda permanece envolto em mistério, sem que as autoridades tenham chegado a uma conclusão sobre os responsáveis ou os motivos do crime. Tais eventos lançam uma sombra sobre a atmosfera de liberdade e autoexpressão que caracteriza o festival.
Realizado desde 1986, o Burning Man teve sua origem em uma praia de São Francisco, onde um pequeno grupo se reuniu para queimar uma efígie de madeira no solstício de verão. O evento se mudou para o deserto de Nevada em 1990, crescendo exponencialmente e esgotando os ingressos pela primeira vez em 2011. Após um hiato de dois anos devido à pandemia de Covid-19, o festival retornou com força, atraindo dezenas de milhares de pessoas de diversas partes do mundo.
O Burning Man é conhecido por sua proposta de experimentação comunitária e social, com forte ênfase em arte, autoexpressão radical e uma cultura de “deixar nenhum rastro”, onde os participantes se comprometem a limpar o local e restituir o deserto às suas condições originais. Entre as atrações mais comentadas está o “Domo da Orgia”, um espaço dedicado ao “amor livre” que funciona 24 horas por dia, com a exigência de prática de sexo seguro. A organização do festival mantém uma postura firme contra atividades ilegais, alertando que diversas agências policiais patrulham Black Rock City e podem aplicar multas, prisões ou despejos em caso de infração da lei.