
Damien, de 40 anos, e Jessica O'Brien, de 41 — Foto: Reprodução/Genesee County Sheriff's Office Crédito: Extra.globo.com
Um casal da cidade de Flint, Michigan, nos Estados Unidos, enfrenta a possibilidade de prisão perpétua após a morte trágica de seu filho de sete anos, que faleceu pesando 115 quilos em decorrência de insuficiência cardíaca. Damien O’Brien, de 40 anos, e Jessica O’Brien, de 41, foram formalmente acusados de homicídio de segundo grau, tortura e múltiplas infrações relacionadas a maus-tratos infantis, em um caso que revelou um cenário de negligência extrema e gerou grande comoção pública.
A denúncia, apresentada pela Promotoria do Condado de Genesee, detalha que os O’Brien são responsáveis por infligir graves lesões físicas ao seu filho, Casper. A gravidade da situação rapidamente ganhou destaque em Michigan e repercutiu por todo o país, provocando discussões sobre a proteção de crianças e a responsabilidade parental.
O promotor do condado de Genesee, David Leyton, descreveu o ocorrido como um “sofrimento cruel e extremo imposto a essa criança pela negligência dos pais”, em declarações a uma emissora local. O casal também é pai de uma menina de cinco anos, cujo bem-estar também se tornou objeto de preocupação.
A família residia em uma casa precária em Flint, Michigan, onde os serviços de emergência (911) foram acionados em 4 de novembro de 2025 para atender Casper, que foi encontrado em “estado crítico”. O menino foi levado às pressas para um hospital próximo, onde veio a falecer pouco tempo depois.
Um laudo médico revelou que a causa da morte foi cardiomiopatia dilatada, uma doença que compromete a função cardíaca e leva à insuficiência, com a obesidade mórbida sendo um fator contribuinte determinante. As investigações indicaram que Casper estava completamente imóvel, apresentava escaras e outras lesões na pele, evidências de prolongada inatividade e falta de cuidados básicos.
Além disso, a residência da família foi descrita como insalubre, repleta de lixo e objetos desnecessários, características que levaram os pais a serem classificados como acumuladores, reforçando o ambiente inadequado em que a criança vivia.
A alimentação de Casper, que era autista não verbal, consistia quase diariamente em grandes porções de batatas fritas, pacotes volumosos de salgadinhos industrializados, suco de maçã e água com gás saborizada. De acordo com a acusação, o menino não recebia uma dieta adequada nem era incentivado a praticar qualquer tipo de atividade física, o que contribuiu significativamente para um rápido e perigoso ganho de peso, agravando severamente seu quadro de saúde.
Com 1,27 metro de altura, Casper pesava impressionantes 115 quilos, um peso muito superior ao que seria considerado saudável para uma criança de sua idade e estatura, que normalmente varia entre 22,7 kg e 33 kg. O promotor Leyton ressaltou que a criança não tinha um pediatra e foi levada ao médico apenas uma vez, apesar de Damien O’Brien ter um bom emprego e a família possuir plano de saúde, o que acentua a negligência premeditada nos cuidados essenciais de saúde.