
Staff WriterMike Seymour Crédito: Formula1.com
A série documental “Drive to Survive”, que estreou em 2019, acumula atualmente oito temporadas e quase oitenta capítulos em seu catálogo. Enquanto os entusiastas da Fórmula 1 aguardam o retorno das corridas em 2026, a vasta biblioteca de episódios disponíveis na Netflix oferece um entretenimento contínuo para revisitar os bastidores da categoria.
Recentemente, antes do recesso de verão da F1, o coprodutor executivo da aclamada produção, Tom Rogers, foi convidado a selecionar os momentos que mais se destacaram ao longo das oito edições já lançadas. Suas escolhas oferecem um olhar privilegiado sobre o que torna a série tão cativante para os fãs ao redor do mundo, revelando a profundidade e a autenticidade que a transformaram em um fenômeno global.
Rogers recorda o episódio que capturou a essência de Guenther Steiner, o marcante chefe de equipe, com seu famoso desabafo “slam my door”. O capítulo, intitulado “Boiling Point”, apresenta uma cena doméstica em que Steiner, enquanto cozinha massa com a esposa, tenta controlar uma panela borbulhante, metaforizando a intensa pressão que enfrentava em sua função.
A autenticidade de Guenther foi um pilar fundamental para o sucesso da série. O produtor acredita que, apesar de Steiner afirmar nunca ter assistido ao programa, sua personalidade genuína permaneceu inalterada ao longo das temporadas, garantindo que o público visse exatamente quem ele era, o que gerou algumas das frases mais memoráveis do documentário e conquistou uma nova base de fãs para a Fórmula 1.
Inicialmente reticente em participar da primeira temporada, a equipe Mercedes aceitou a condição de ser filmada em uma única corrida na segunda edição: o Grande Prêmio da Alemanha em Hockenheim, em 2019. Naquele evento, a escuderia teve um de seus piores desempenhos históricos e ainda celebrava seu 125º aniversário com trajes de época.
O que tornou o episódio notável, segundo Rogers, foi a decisão da Mercedes de permitir que as filmagens continuassem, mesmo diante de um resultado desastroso. Essa postura, vista como um ato de bravura, garantiu a autenticidade da narrativa e aprofundou a conexão do público com os desafios enfrentados pelas grandes equipes, solidificando a credibilidade do programa e seu valor jornalístico.
Outro momento marcante revisitado por Rogers é a saga da Williams em 2019, quando a equipe não conseguiu aprontar seu carro para o início dos testes de pré-temporada. Este episódio ilustra os complexos desafios impostos por novas regulamentações e a gigantesca coordenação necessária entre os diversos departamentos para colocar um veículo na pista.
A produção capturou cenas reveladoras na fábrica, mostrando centenas de profissionais dedicando “sangue, suor e lágrimas” à criação do carro, conforme o título do episódio sugere. O produtor ressalta que essa dinâmica de esforço coletivo é uma constante na F1, evidenciada em equipes como a Aston Martin e a própria Williams, e que a capacidade de filmar esse trabalho de bastidores é um diferencial do programa, oferecendo uma perspectiva crucial sobre o funcionamento interno das escuderias.
O episódio “Man on Fire” é amplamente recordado pelo dramático acidente de Romain Grosjean, mas Rogers lembra que, após a interrupção da corrida, a história se transformou em um triunfo inacreditável. Sergio “Checo” Pérez, partindo da última posição, conquistou a vitória no Grande Prêmio pela equipe Racing Point, configurando um feito esportivo extraordinário.
Para o produtor, este capítulo concentrou todos os elementos essenciais: o suspense do acidente de Grosjean e a reviravolta emocionante da corrida. A participação conjunta de Romain e sua esposa na entrevista, algo único na série, adicionou uma camada de profundidade. Além disso, foi este episódio que rendeu ao “Drive to Survive” seu primeiro prêmio Emmy, de um total de dois, sublinhando sua excelência narrativa.
Um formato inovador que se destacou foi o conteúdo gerado pelos próprios pilotos, com filmagens caseiras que revelaram um lado mais íntimo e pessoal. Essa abordagem, que conferiu um tom de diário em vídeo, foi muito bem recebida pelo público, que apreciou a honestidade e a perspectiva única dos protagonistas.
Rogers enfatiza que o sucesso de “Drive to Survive” reside na colaboração crescente de equipes e pilotos, permitindo um acesso cada vez maior aos bastidores. Essa abertura oferece aos fãs uma experiência mais rica, mostrando aspectos do fim de semana de corrida, como a rotina em hotéis e a distância da família, que antes eram invisíveis.
Apesar da constante exposição a fãs e compromissos, a vida de um piloto pode ser solitária, como demonstram momentos com parceiros como Carmen, namorada de George Russell, que ajudam a trazer um senso de normalidade. O produtor revela que o volume de material autogerado, especialmente em Singapura, foi tão vasto que renderia múltiplos episódios, proporcionando aos fãs um acesso sem precedentes à vida dos atletas e fortalecendo a conexão emocional com o esporte.