
Way of the Sword - reprodução Crédito: Mixvale.com.br
O recente lançamento de “Onimusha: Way of the Sword” para o Nintendo Switch 2 marcou um ponto de virada inesperado para a Capcom, consolidando a série em um cenário de jogos de ação AAA. Desde a introdução da aclamada RE Engine com “Resident Evil: Biohazard”, a desenvolvedora japonesa tem demonstrado uma consistência notável em seus lançamentos, combinando excelência técnica com diversão cativante. A decisão de reviver “Onimusha”, uma franquia que havia permanecido em segundo plano por muitos anos e possui um perfil mais restrito, surpreendeu o mercado. Contudo, a nova iteração da saga de samurais e demônios não apenas atendeu, mas superou as expectativas, entregando uma experiência de combate e terror japonês que se destaca no portfólio do console mais recente da Nintendo, provando a vitalidade de uma série clássica em uma plataforma moderna.
A narrativa do jogo imerge os jogadores na épica jornada de Miyamoto Mushashi, um samurai errante movido por um desejo incessante de aprimoramento marcial. Após um confronto decisivo que culmina na morte do líder de um clã rival, Mushashi é emboscado por seres demoníacos conhecidos como Genma, que o levam à beira da aniquilação. Resgatado por uma manopla mística, ele descobre que o artefato lhe confere a capacidade de absorver as almas dos inimigos caídos, essencial para sua sobrevivência. Essa nova condição, porém, o afasta de sua humanidade, impulsionando-o em uma busca desesperada para remover o artefato e recuperar sua essência. Sua missão se entrelaça com a de um grupo de samurais que detêm os poderes Oni, dedicados a proteger o mundo da crescente ameaça demoníaca. Embora o início da trama se desenrole em um ritmo mais cadenciado, a evolução de Mushashi, de um guerreiro orgulhoso e isolado para uma figura consciente de seu papel maior no destino do mundo, é retratada com maestria, garantindo uma imersão profunda na história e no desenvolvimento dos personagens.
The combat in Onimusha Way of the Sword is actually really good. There's plenty more too, cause I'm only about 20 hours in so far pic.twitter.com/0UEqKIkcLq
— Blue Thunder 🔜 GAMESCOM (@BlueThunderReal) August 31, 2026
O sistema de combate em “Onimusha: Way of the Sword” é, sem dúvida, um dos pilares que sustentam a excelência do título, oferecendo uma profundidade e uma variedade que cativam os jogadores. A experiência de luta é continuamente enriquecida pela diversidade e pela complexidade dos encontros com chefes, cada um exigindo uma abordagem estratégica única. Os designs desses monstros são notavelmente inventivos, variando de criaturas grotescas a seres de pura malevolência, e suas sequências de ataque são implacáveis, mantendo os jogadores em um estado constante de alerta e exigindo reflexos apurados. Alguns desses colossos são seres gigantescos que demandam esquivas precisas e ataques calculados para evitar golpes devastadores. Outros, por sua vez, exibem uma agilidade surpreendente, desafiando os jogadores a desabilitar suas armaduras protetoras através de pontos fracos específicos. A sensação inicial de que certos adversários são invencíveis é uma parte integrante do desafio, mas é gradualmente superada à medida que se aprende seus padrões de movimento e se aprimora o timing dos ataques, revelando uma curva de aprendizado gratificante que se consolida como um dos pontos altos da jogabilidade. Essa dinâmica eleva o jogo além de um mero hack-and-slash, transformando cada batalha em um quebra-cabeça de ação.
Para aqueles que estão dando os primeiros passos no universo desafiador de “Onimusha: Way of the Sword”, uma recomendação de grande valia é a ativação dos “avisos de ação” no menu de configurações do jogo. Embora essa funcionalidade venha desabilitada por padrão nas dificuldades mais elevadas, sua ativação fornece indicações visuais claras sobre qual tipo de ataque é mais eficaz para romper a defesa dos oponentes, simplificando a compreensão das mecânicas iniciais. Essa ferramenta, que a princípio pode parecer uma simplificação excessiva do gameplay, na verdade desempenha um papel crucial ao facilitar a adaptação dos jogadores à curva de dificuldade progressivamente crescente de “Onimusha”. Ao invés de comprometer o desafio geral, ela torna a experiência de aprendizado mais acessível, permitindo que os novatos compreendam as nuances do combate sem se sentirem sobrecarregados. Isso é particularmente importante para que o jogo não afaste jogadores menos experientes no gênero, garantindo que o desafio seja equilibrado com a acessibilidade, um fator-chave para a longevidade de títulos complexos.
Além da intensidade dos combates, “Onimusha: Way of the Sword” oferece uma experiência imersiva na exploração de uma versão da Kyoto da era Edo, que foi brutalmente devastada pelas forças demoníacas Genma. A direção de arte do jogo é simplesmente fantástica, criando uma atmosfera de horror corporal visceral e impressionante. Os cenários são preenchidos com rios de sangue escorrendo por vielas, torres macabras construídas a partir de pilhas de cadáveres e cenas de desmembramentos gráficos que reforçam o tom sombrio da narrativa. Até que Mushashi e seus aliados consigam purificar certas áreas, o ambiente é de constante tensão e ausência de qualquer sensação de descanso, mantendo o jogador sempre em alerta. Espelhos espirituais, estrategicamente espalhados pelo mapa, servem como pontos de refúgio e permitem aprimorar equipamentos, desenvolver novas habilidades e realizar viagens rápidas entre diferentes locais, adicionando uma camada de estratégia à exploração. O jogo transporta o jogador por florestas sinistras e densas, montanhas deslumbrantes com vistas perturbadoras e um palácio imperial subterrâneo que esconde segredos ancestrais. Em muitos aspectos, a intensidade do terror psicológico e visual de “Onimusha” supera até mesmo a atmosfera de alguns dos títulos mais recentes da aclamada série “Resident Evil”, demonstrando a maestria da Capcom em diferentes abordagens do gênero de horror.
Os proprietários do Nintendo Switch 2 têm motivos para celebrar, pois “Onimusha: Way of the Sword” é renderizado de maneira exemplar na plataforma, entregando uma performance robusta tanto no modo TV, com a console acoplada ao dock, quanto no modo portátil, para jogatinas em movimento. Com uma taxa de quadros desbloqueada, o jogo oferece uma fluidez notável nas ações e nos combates, sem que isso implique em grandes sacrifícios na fidelidade gráfica geral. Pequenos detalhes, como a representação do cabelo e as feições faciais de NPCs secundários, foram os elementos que mais sentiram o impacto das otimizações, mas a jogabilidade central e a experiência visual principal permanecem impecáveis. A mira giroscópica para o arco, um recurso exclusivo e bem-implementado do Switch 2, prova ser bastante útil e intuitiva, adicionando uma camada extra de precisão e imersão aos confrontos à distância. O título proporciona uma experiência divertida e consistentemente estável em ambos os modos de uso do console, consolidando-se como mais um port de alta qualidade que a Capcom entrega para a plataforma da Nintendo, reforçando a capacidade do Switch 2 de rodar produções AAA com competência.
Apesar de suas muitas qualidades inegáveis e da recepção geralmente positiva, “Onimusha: Way of the Sword” apresenta alguns pontos que podem gerar certo incômodo em parte da comunidade de jogadores. A sequência de abertura, por exemplo, estende-se por mais de vinte minutos de cenas cinematográficas, um tempo considerável que, para alguns, pode alienar o jogador antes mesmo de o engajamento com a jogabilidade ser efetivamente estabelecido. As explicações iniciais de mecânicas mais complexas, como a do sistema Issen, poderiam ser apresentadas de forma mais clara e didática. Essa falta de clareza pode levar alguns jogadores a dependerem excessivamente de bloqueios e aparos nos estágios iniciais, sem explorar plenamente o potencial das técnicas mais avançadas. Embora o jogo ofereça uma abundância de atividades secundárias, algumas delas seguem um design excessivamente linear e repetitivo, o que, para certos jogadores, pode dar a impressão de que o título tenta esticar artificialmente sua duração. Em comparação, as missões secundárias de “Pragmata”, outro título da Capcom, foram percebidas como mais concisas, diretas e recompensadoras, oferecendo um contraste que evidencia a oportunidade de aprimoramento em “Onimusha” nesse aspecto.
Em retrospectiva, “Onimusha: Way of the Sword” emerge como uma surpresa grandiosa e um retorno triunfante para uma franquia há muito adormecida. Embora o jogo incorpore elementos que remetem a títulos do estilo Souls, suas mecânicas são notavelmente acessíveis e recompensadoras, tanto para novatos no gênero quanto para veteranos que buscam um novo desafio. A experiência se alinha mais com a escala e a progressão de “Jedi: Fallen Order” do que com a dificuldade implacável e a precisão exigida por “Sekiro”, oferecendo um equilíbrio que agrada a um público mais amplo. No entanto, sua fusão singular de terror atmosférico, rica mitologia japonesa e um estilo visual distintivo o diferencia completamente de seus contemporâneos. A aventura de Mushashi mantém o jogador constantemente engajado, impulsionando a superação de desafios e o retorno contínuo às batalhas contra chefes, que se tornam cada vez mais gratificantes. Com “Way of the Sword”, a série Onimusha não apenas reencontra seu caminho, mas também alcança um equilíbrio notável em sua execução, reforçando o status da Capcom no auge de sua produção atual e provando que há espaço para reviver clássicos com uma nova roupagem e qualidade excepcional.