O cenário político do Rio Grande do Sul e do Brasil ganhou novos contornos neste sábado, com a oficialização da candidatura do deputado federal Marcel van Hattem ao Senado Federal pelo partido NOVO. A convenção, realizada na capital gaúcha, Porto Alegre, reuniu importantes nomes da direita nacional e estadual, sinalizando uma articulação robusta para as eleições de 2026, vistas pelos participantes como cruciais para o futuro do país. O evento não apenas confirmou a postulação de Van Hattem, mas também serviu como palco para a apresentação de uma chapa completa, demonstrando a ambição do NOVO em ampliar significativamente sua influência legislativa.
A solenidade contou com a presença de figuras proeminentes que endossam a candidatura. Entre os presentes, destacaram-se Romeu Zema, governador de Minas Gerais e pré-candidato do NOVO à Presidência da República, reforçando o alinhamento nacional do partido. Ao seu lado, Luciano Zucco, do Partido Liberal (PL), que concorre ao governo gaúcho, e sua vice, Silvana Covatti, do Progressistas (PP), além de Sanderson, também do PL, candidato ao Senado na mesma chapa, sublinharam a união das forças de direita no estado. A presença dessas lideranças evidencia a estratégia de coalizão e a busca por uma frente ampla conservadora.
Além da candidatura majoritária ao Senado, a convenção homologou uma expressiva lista de postulantes a cargos proporcionais. Foram confirmados 29 nomes para disputar cadeiras na Câmara dos Deputados e 40 candidatos para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Este movimento estratégico visa a garantir uma base parlamentar sólida, capaz de sustentar as pautas defendidas pelo NOVO e seus aliados em todas as esferas do poder legislativo.
Em seu primeiro pronunciamento após a homologação de sua candidatura, Marcel van Hattem sublinhou a natureza decisiva das eleições de 2026. O parlamentar enfatizou que o pleito vindouro representa um divisor de águas para a nação, um momento em que as escolhas feitas nas urnas determinarão a trajetória política, econômica e social do Brasil para os próximos anos. Essa perspectiva ressalta a seriedade com que o partido encara a disputa e a magnitude dos objetivos traçados.
Uma das prioridades centrais do NOVO, conforme explicitado por Van Hattem, será o fortalecimento e a ampliação da representação da direita no Senado Federal. A busca por uma bancada robusta e alinhada ideologicamente é vista como essencial para contrapor forças políticas de outras vertentes e para impulsionar uma agenda legislativa que reflita os princípios conservadores e liberais defendidos pela legenda. A composição do Senado é crucial para a governabilidade e para a tramitação de projetos de lei de grande impacto.
Marcel van Hattem detalhou a necessidade de se formar uma maioria coesa na Casa Alta para avançar com pautas consideradas fundamentais pelo seu campo político. A formação de um bloco parlamentar sólido no Senado é vista como o caminho para garantir a aprovação de reformas e medidas que, segundo ele, são travadas pela atual configuração do Congresso. Essa estratégia reflete uma visão de longo prazo para a implementação de políticas públicas alinhadas à ideologia do partido.
Um dos pontos mais sensíveis e frequentemente abordados pela direita brasileira, e que foi explicitamente mencionado por Van Hattem, diz respeito aos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa pauta, que ressoa fortemente entre os eleitores conservadores, é apresentada como uma maneira de restabelecer o que consideram ser o equilíbrio entre os poderes e a primazia da vontade popular sobre decisões judiciais. A discussão sobre o papel do STF e os limites de sua atuação tem sido um tema central no debate político recente, e a direita busca no Senado um meio para influenciar essa dinâmica.
Durante seu discurso, o candidato expressou a convicção de que “esta é a eleição mais importante das nossas vidas, porque decidirá o rumo do país”. Ele articulou a visão do NOVO de “construir uma sociedade que reflita os valores das nossas famílias e nos inspire a servir ao bem comum, melhorando de fato a política”, uma declaração que busca conectar a agenda partidária com os anseios e princípios morais de sua base eleitoral. Tais afirmações buscam mobilizar o eleitorado, conferindo um caráter de urgência e propósito à campanha.
O parlamentar reforçou a intenção do NOVO de garantir o maior número possível de senadores alinhados à direita. Essa meta ambiciosa não se restringe apenas à eleição de Van Hattem, mas se estende à formação de uma bancada robusta que possa atuar em conjunto para promover as reformas e as pautas conservadoras em nível nacional. A estratégia envolve não apenas a captação de votos, mas também a identificação e o apoio a candidatos com perfis ideológicos similares em outros estados.
A importância de uma maioria conservadora no Senado foi novamente sublinhada por Van Hattem ao afirmar: “Precisamos eleger o maior número possível de senadores de direita para que o Senado respeite a vontade da população e paute o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal”. Essa fala reitera a prioridade dada à questão judicial e ao papel do Senado como instância de controle e fiscalização, especialmente em relação ao Poder Judiciário. A visão é de que um Senado com maior representação da direita seria mais proativo em acolher demandas da sociedade civil e de setores políticos que criticam a atuação de parte do STF.
O Senado Federal, como casa revisora e representativa dos estados, possui atribuições constitucionais cruciais, incluindo a aprovação de indicações para cargos importantes, como ministros do STF, embaixadores e diretores de agências reguladoras. Além disso, é o único órgão com competência para julgar processos de impeachment contra autoridades da República, incluindo os próprios ministros do Supremo. A busca por uma maioria de direita visa a influenciar diretamente essas prerrogativas, alterando o equilíbrio de forças dentro do Estado brasileiro.
A atual composição do Senado, embora diversificada, tem sido alvo de críticas de setores que clamam por maior alinhamento com pautas conservadoras. Uma mudança significativa na proporção de senadores poderia reconfigurar os debates legislativos, dando prioridade a temas como a flexibilização econômica, a segurança pública e a reforma administrativa, além de intensificar a fiscalização sobre outros poderes. O pleito de 2026, portanto, é visto como uma oportunidade para redefinir essas prioridades.
O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema, aproveitou seu discurso na convenção para defender uma guinada na condução do país. Zema teceu críticas contundentes à administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Partido dos Trabalhadores (PT), focando em aspectos como a gestão econômica e a agenda social. Sua fala buscou posicionar o NOVO como uma alternativa de gestão que prioriza a eficiência, a austeridade e a responsabilidade fiscal.
Zema prometeu intensificar o combate à corrupção, ao crime organizado e ao desperdício de recursos públicos, pilares de sua plataforma de governo. “Nós vamos dar um choque ético e moral na administração do Brasil. Vamos dar um choque contra a gastança do Lula e do PT e contra os criminosos e as facções criminosas”, declarou, utilizando uma retórica forte para mobilizar o público presente e demarcar uma clara oposição à atual política federal. Suas palavras ecoam o sentimento de parte do eleitorado que anseia por mudanças profundas na administração pública e na segurança.
Marcelo Slaviero, presidente estadual do NOVO, ressaltou que a convenção marca o pontapé inicial oficial da campanha da legenda no Rio Grande do Sul. Ele destacou o crescimento do partido no estado, a formação de novas lideranças e a apresentação de um conjunto de candidatos considerados “excelentes”. A aliança com o PL na disputa majoritária estadual, com o apoio a Luciano Zucco para o governo, é vista como um passo estratégico para consolidar a presença da direita no cenário político gaúcho, unindo forças em torno de um projeto comum.
De acordo com Slaviero, o NOVO chega às eleições com chapas estruturadas tanto para a Câmara dos Deputados quanto para a Assembleia Legislativa, além da crucial candidatura de Marcel van Hattem ao Senado. “O NOVO cresceu, formou lideranças, apresentou excelentes candidatos e, ao lado do PL na majoritária, com Luciano Zucco ao governo, está preparado para oferecer aos gaúchos um projeto consistente para o Estado”, afirmou, reforçando a confiança na capacidade do partido de apresentar soluções e propostas que atendam às demandas da população gaúcha. A articulação busca maximizar as chances de eleição de representantes alinhados aos valores da direita em todas as esferas do poder.
Com as candidaturas devidamente homologadas, a coalizão formada em torno de Luciano Zucco, com o apoio do NOVO e do PL, inicia sua jornada eleitoral apostando na unidade dos partidos de direita no Rio Grande do Sul. A estratégia é clara: fortalecer a representação conservadora no Congresso Nacional e no legislativo estadual, buscando influenciar as políticas públicas e o rumo do país nos próximos anos. A união dessas forças visa a consolidar um projeto político que se apresenta como alternativa às atuais administrações, tanto em nível federal quanto estadual, e reafirmar os valores que consideram essenciais para o desenvolvimento e a estabilidade da nação.