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A Valve prepara o lançamento de uma nova versão do seu controle Steam para 2026, uma década após o modelo original. O primeiro Steam Controller, introduzido em novembro de 2015 com preço de US$ 49,99, alcançou vendas de aproximadamente 1,5 a 1,6 milhão de unidades em quatro anos, sendo retirado do mercado em novembro de 2019, com unidades remanescentes chegando a ser comercializadas por valores simbólicos. O sucesso posterior do Steam Deck reacendeu o interesse da comunidade no hardware da empresa, pavimentando o caminho para essa nova tentativa no segmento de periféricos.
O recente Steam Controller, visualmente similar a um Steam Deck desprovido de tela, chega ao mercado sem a carga de nostalgia associada à sua versão de 2015. Com a forte aceitação do Steam Deck no cenário dos jogos, a proposta de um controle equipado com dois trackpads é agora percebida como uma solução inovadora cuja eficácia foi validada pelo uso contínuo.
Evidências sugerem que a Valve acertou em sua visão sobre o potencial do Steam Controller original em 2015, com relatos de que títulos como Civilization V proporcionavam uma jogabilidade superior. Após uma semana de testes com o mais recente modelo de 2026, o feedback inicial aponta para um alto nível de satisfação. É relevante mencionar, contudo, que a Valve não foi a criadora de todas as tecnologias incorporadas, enfrentando inclusive uma condenação de quatro milhões de dólares em um processo judicial relacionado; mesmo assim, a companhia introduziu aprimoramentos notáveis que elevam a experiência.
Uma limitação considerável, no entanto, surge quando o dispositivo é utilizado em plataformas que não possuem o software Steam, como computadores Mac, caixas de TV Xiaomi ou mini-PCs Orange Pi Zero 3W. Nestes cenários, o periférico não é reconhecido como um controle de jogo padrão, uma constatação inesperada para um gamepad. Embora sua operação seja impecável dentro do ambiente Steam, a restrição de funcionalidade em outros sistemas representa um ponto negativo importante para os usuários que buscam versatilidade em seus acessórios.
Os trackpads hápticos constituem o elemento mais distintivo do novo Steam Controller da Valve, marcando a terceira implementação dessa tecnologia pela empresa. Essa inovação já estava presente no controle original de 2015 e no Steam Deck, e agora reaparece no modelo de 2026. Curiosamente, após dez anos, a maioria dos produtores de controles ainda não integrou essa funcionalidade, optando por aprimoramentos como joysticks de efeito Hall e TMR, botões adicionais na parte traseira ou componentes modulares, em vez de investir em trackpads sensíveis à pressão para os polegares, o que ressalta a abordagem única da Valve no mercado.
Além das inovações de hardware, a Valve demonstrou uma visão progressista em seu software. O Steam Input, uma ferramenta de remapeamento universal, foi inicialmente concebido para otimizar a experiência com o gamepad de 2015. De forma curiosa, essa solução acabou por beneficiar amplamente controles produzidos por outras empresas. Por meio do Steam Input, periféricos como o DualSense da Sony ou o Pro Controller do Nintendo Switch operam de maneira eficaz em computadores pessoais, mesmo sem o suporte oficial direto de seus fabricantes. Desse modo, o Steam Input revolucionou a compatibilidade de diversos gamepads em PCs, apesar de ter sido desenvolvido para um controle com alcance de vendas restrito.
Embora seja difícil atribuir todo o mérito desta realização diretamente ao Steam Controller, a existência do Steam Input pode ser vista como um importante legado. Este software, oferecido gratuitamente, funciona com uma vasta gama de dispositivos de entrada de terceiros, sem gerar receita direta para a Valve. Contudo, ele representa uma inovação genuína que merece reconhecimento à empresa. Sua criação foi uma resposta prática à necessidade de uma interface intermediária que permitisse a comunicação entre um gamepad com trackpads duplos e um joystick e os jogos, e essa solução continua relevante mesmo após a descontinuação do controle que a originou.
Em testes de conexão Bluetooth com um computador Mac, com o aplicativo Steam completamente inativo, as configurações de entrada do sistema indicaram que o controle se identificou com os códigos de fornecedor da Valve (0x28DE) e de produto (0x1303). Uma análise detalhada dos dados de DeviceUsagePairs mostrou que o periférico foi interpretado como um mouse ({1,2}), um ponteiro ({1,1}), um teclado ({1,6}) e uma interface de uso exclusivo da Valve ({65280,1}), que corresponde à sua comunicação interna.
De maneira inesperada, o dispositivo não foi detectado como um gamepad padrão ({1,5}) ou um joystick ({1,4}). Isso sugere que, fora do ecossistema Steam, sua funcionalidade primária é limitada à emulação de um mouse, o que restringe significativamente sua versatilidade e a experiência de uso para quem busca um controle completo em diversas plataformas.