
Parque Estadual Caminhos dos Gerais - Reprodução/ Facebook Crédito: Mixvale.com.br
Uma descoberta botânica de grande relevância foi confirmada no norte de Minas Gerais, com a identificação de uma nova espécie vegetal nas proximidades do Parque Estadual Caminhos dos Gerais, em Monte Azul. A planta, que apresenta uma tonalidade lilás vibrante e características morfológicas singulares, recebeu o nome científico de Eriope barrinhae, em reconhecimento ao trabalho do gerente da unidade de conservação, Alessandre Custódio Jorge, apelidado de “Barrinha”.
A homenagem a Jorge, servidor do Instituto Estadual de Florestas (IEF), destaca sua dedicação à preservação ambiental e ao fomento de pesquisas científicas na região. A informação foi divulgada pelo Governo de Minas Gerais, sublinhando a importância da biodiversidade mineira.
Observada pela primeira vez no Pico da Formosa, a Eriope barrinhae foi classificada como uma espécie inédita devido a traços distintivos, apesar de compartilhar semelhanças com outras plantas já catalogadas. Danilo Zavantin, um dos pesquisadores envolvidos na descoberta, explicou que a coloração lilás profunda de suas pétalas a diferencia de espécies análogas, que geralmente exibem tons mais claros. Além disso, a planta possui uma combinação única de pelos distribuídos de maneira irregular, reforçando sua individualidade morfológica.
Alessandre Jorge expressou sua honra com o reconhecimento, destacando que a espécie pertence à família Lamiaceae, conhecida por incluir diversas plantas aromáticas empregadas em culinária e chás. Para ele, a nomeação simboliza uma vida dedicada à salvaguarda da riqueza natural de Minas Gerais.
A escolha do nome Eriope barrinhae vai além de um simples tributo pessoal. Zavantin ressaltou que a iniciativa representa um reconhecimento mais amplo ao empenho de todos os servidores ambientais que acreditam na conservação e incentivam a geração de conhecimento sobre a flora do estado. É um incentivo para a continuidade dos estudos e da proteção do patrimônio natural.
O Governo de Minas Gerais enfatizou que esta nova descoberta reforça a importância ecológica do Espinhaço Setentrional, uma das áreas mais cruciais para a conservação da flora brasileira. O fato de a Eriope barrinhae ter uma distribuição extremamente restrita a uma única área específica do parque eleva seu risco de extinção, tornando sua proteção uma prioridade ambiental urgente.
Renato Ramos, outro pesquisador integrante da equipe, apontou os potenciais benefícios futuros que a preservação da Eriope barrinhae pode trazer. Ao proteger uma espécie botânica específica, abre-se caminho para futuras investigações sobre possíveis propriedades culinárias ou medicinais, que podem, eventualmente, gerar impactos socioeconômicos positivos para as comunidades locais. Este é um dos “porquês” da conservação: a possibilidade de descobertas que beneficiem a humanidade.
A identificação desta nova planta é um dos resultados do Plano de Ação Territorial para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Espinhaço Mineiro (PAT Espinhaço Mineiro). Coordenado pelo IEF entre 2020 e 2025, o plano recebe apoio do Projeto Pró-Espécies e do Programa Copaíbas, sendo fundamental para a preservação ambiental da região.
Desde 2023, o PAT Espinhaço Mineiro já contabiliza mais de 15 novas espécies catalogadas em suas expedições, evidenciando a vasta biodiversidade ainda pouco explorada do Espinhaço Setentrional. Entre as descobertas recentes estão:
Gabriela Brito, analista ambiental do IEF, sublinhou que essas descobertas ressaltam a riqueza biológica desconhecida da região e a necessidade de fortalecer as ações de pesquisa, conservação e produção de conhecimento sobre a biodiversidade mineira.