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Mulher é formalmente acusada de homicídio após namorado, em leito de morte, afirmar que colisão foi intencional na Flórida

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Uma dramática reviravolta em uma investigação de acidente de trânsito em Flagler, na Flórida, culminou na acusação de homicídio contra Leigha Mumby, de 25 anos. O caso ganhou contornos sombrios depois que seu namorado, Daniel Waterman, de 22, antes de falecer, deu indicações claras de que a colisão do carro contra uma árvore, ocorrida em fevereiro de 2025, teria sido um ato deliberado da jovem.

Acidente grave e sinais de alerta no hospital

Leigha Mumby e Daniel Waterman se envolveram em um grave acidente automobilístico em 9 de fevereiro de 2025. O veículo, conduzido por Leigha, colidiu violentamente contra uma árvore na rodovia Interestadual 95. Inicialmente, a ocorrência foi registrada como um acidente comum, conforme o depoimento inicial da motorista às autoridades.

Leigha Mumby será julgada pela morte de Daniel Waterman em colisão de carro contra árvore na Flórida — Foto: Reprodução/Facebook; Reprodução/Flagler County Sheriff's Office Crédito: Extra.globo.com

Equipes de resgate encontraram Leigha pedindo ajuda no local, enquanto Daniel estava inconsciente no banco do passageiro. Ele foi transportado de helicóptero para um hospital e colocado em coma induzido, sofrendo lesões gravíssimas que incluíam risco de morte no pulmão e tórax, fraturas na coluna, fêmur e clavícula, além de coágulos sanguíneos e luxação no quadril. Leigha também sofreu ferimentos sérios.

Acusação de Daniel Waterman muda o rumo da apuração

A percepção sobre o acidente começou a mudar drasticamente quando Daniel Waterman recuperou a consciência. No hospital, a tia do jovem, Tiffany, relatou que Daniel, ao perceber Leigha segurando sua mão, a afastou abruptamente. Posteriormente, quando conseguiu mover os braços, Daniel virou todas as fotos do casal que estavam ao redor de sua cama, indicando um profundo descontentamento.

Em um momento crucial, Daniel utilizou uma placa com letras para comunicar à mãe que sua namorada havia provocado a batida intencionalmente, após uma discussão sobre suposta traição. A tia Tiffany narrou que Daniel, mesmo com tubos na boca, balbuciou: “Me ajude, me ajude. Ela me matou, ela me matou”, o que instigou as autoridades a reabrir a investigação com uma nova perspectiva.

Detalhes da perícia revelam manobras suspeitas

O depoimento de Daniel às autoridades, antes de seu falecimento, foi contundente. Ele afirmou que a última coisa de que se lembrava antes do impacto era Leigha dizendo: “Não me importo com o que aconteça, você vai receber o que merece”, e em seguida, ela teria desviado o carro da pista, colidindo com a árvore.

A investigação policial detalhou que o Honda Passport de Leigha trafegava a uma velocidade de aproximadamente 150 km/h cinco segundos antes da colisão, que ocorreu às 22h25. Dados do veículo mostraram que o pedal do acelerador estava pressionado a “100% da capacidade” no momento do impacto e os freios não foram acionados. Além disso, a perícia detectou um movimento brusco do volante de 45 graus para a direita, seguido por outro de 30 graus para a esquerda, momentos antes da batida, sugerindo uma manobra deliberada.

Discussões e gravidez antes da tragédia

A motivação por trás do suposto ato foi apontada como ciúmes e raiva. Leigha teria descoberto que estava grávida no dia do acidente. Tiffany, tia de Daniel, alegou que Leigha mostrou um teste de gravidez positivo a Daniel e a uma prima dele, Sarah, antes de uma festa. Mais tarde, em particular, Leigha teria confidenciado a Sarah: “Vou garantir que o Daniel nunca mais me traia.”

Daniel e Leigha discutiram intensamente dentro do carro sobre “questões pessoais”, incluindo uma mensagem de texto que ele recebeu de uma amiga de Nova York, conforme depoimento oficial. O casal mantinha um relacionamento à distância, marcado por idas e vindas, desde que se conheceram em janeiro de 2024 pelo aplicativo Bumble.

Desdobramentos legais e um precedente similar

Daniel Waterman faleceu em 8 de outubro de 2025, aos 22 anos, em decorrência das graves lesões. Três meses após sua morte, o filho do casal nasceu. Diante das evidências e do testemunho póstumo, a Promotoria decidiu levar Leigha Mumby ao banco dos réus, com o julgamento previsto para iniciar em 12 de outubro. Ela se declarou inocente da acusação de homicídio culposo na direção de veículo automotor. Contudo, a declaração de Daniel feita por meio do quadro de letras foi considerada inadmissível pelo juiz e não poderá ser apresentada ao júri.

Este caso apresenta notáveis semelhanças com o de Mackenzie Shirilla, ocorrido em Ohio, nos EUA. Em 2022, Mackenzie, então com 17 anos, colidiu um carro contra um muro a cerca de 160 km/h, resultando na morte de seu namorado, Dominic Russo, de 21 anos, e de um amigo, Davion Flanagan, de 19. Ela foi condenada a 15 anos à prisão perpétua, com elegibilidade para liberdade condicional apenas em 2037.

A acusação contra Mackenzie Shirilla provou que o relacionamento dela com Dominic era extremamente volátil, marcado por brigas e términos frequentes. Os promotores argumentaram que ela jogou o carro contra o muro intencionalmente porque Dominic desejava encerrar a relação. A juíza do caso descreveu as ações de Mackenzie como uma “missão de morte” premeditada. Recentemente, em setembro, a Suprema Corte de Ohio rejeitou a tentativa mais recente de Mackenzie de recorrer da condenação, que se baseava em novas evidências médicas que sugeriam um possível desmaio antes do impacto. Assim como no caso de Leigha, o acelerador estava pressionado ao máximo e não houve acionamento dos freios.