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Mulher é detida na Crimeia por suposto assassinato de ex-comandante ucraniano com explosivo

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Autoridades russas na Crimeia anunciaram a prisão de uma mulher sob a acusação de ser a responsável pela morte de um ex-comandante de submarino ucraniano que havia desertado para a Rússia. Robert Mansurovich Shageev, de 49 anos, faleceu na quinta-feira (13/8) em Sebastopol, vítima de um artefato explosivo que teria sido plantado por Margarita Reut, de 32 anos. O incidente intensifica as tensões na península, território anexado por Moscou em 2014 e ponto central das disputas entre os dois países.

A dinâmica do ataque explosivo em Sebastopol

De acordo com as investigações preliminares, Margarita Reut, cujo nome também aparece como Margareth Reutt ou Margarita Reutova, teria colocado um dispositivo explosivo em uma lixeira posicionada ao lado de um banco. O ataque ocorreu enquanto Shageev descia uma escadaria na Avenida Stoletovsky, acompanhado de um amigo. A detida é suspeita de ter agido sob as ordens dos serviços especiais ucranianos, que a teriam recrutado para a execução do oficial.

Margarita Reut é acusada de plantar explosivo que matou o desertor ucraniano Robert Mansurovich Shageev na Rússia — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com

A força da explosão foi tamanha que moradores da região a confundiram com um ataque de drone contra um prédio residencial, gerando pânico. Robert Shageev não resistiu aos ferimentos e morreu no próprio local. O governador regional, Mikhail Razvozhayev, condenou o episódio, afirmando que a acusada agiu sem remorso e sob a direção de Kiev, classificando o ato como “profundamente perturbador”.

O perfil da suspeita e seu histórico de atritos com as autoridades russas

Nascida em Yaroslavl, na Rússia, Margarita Reut vivia em Sochi, um balneário às margens do Mar Negro, mas mantinha frequentes viagens à Crimeia. A prisão dela em Sebastopol teria sido efetuada com base na análise de imagens de câmeras de segurança, e a mulher teria confessado o crime. Seu passado revela uma trajetória diversificada, incluindo trabalho como acompanhante sexual e, anteriormente, como bióloga em um laboratório que produzia supositórios vaginais.

Margarita já havia tido problemas com a polícia em um incidente anterior, que ocorreu em julho, quando supostamente gritou “Bem feito para vocês, russos!” ao tomar conhecimento de um ataque de drone ucraniano a uma estação ferroviária na região russa de Rostov. Esse episódio resultou em uma multa de 30.000 rublos (cerca de R$ 1.900) por “descrédito” das forças armadas russas e uma detenção de dois dias por resistência à autoridade. Meses depois, em fevereiro, ela expressou publicamente em suas redes sociais a “vergonha de ser russa” ao compartilhar resultados de um teste genético, indicando um histórico de sentimentos anti-Moscou.

A trajetória de Shageev: deserção e acusações de alta traição pela Ucrânia

Robert Mansurovich Shageev era um ex-comandante de submarino da Ucrânia que desertou para a Rússia em 2014, no período da anexação da Crimeia. Sua morte, se confirmadas as acusações, representa um golpe significativo em meio à guerra de inteligência entre os dois países. Este tipo de ação sublinha a intensidade do conflito e a perseguição de alvos considerados traidores por seus países de origem.

Em julho de 2022, o Departamento de Investigação de Estado da Ucrânia (SBI) havia formalmente indiciado Shageev por alta traição. As autoridades ucranianas o acusavam de participação direta na invasão em grande escala, sendo apontado como responsável por ordenar e coordenar ataques com mísseis de cruzeiro Kalibr, lançados de submarinos, contra cidades e infraestruturas civis ucranianas. A eliminação de um desertor de alto escalão, acusado de tais crimes, reflete a determinação de Kiev em atingir figuras que considera inimigas da nação.