
Sofya Vershinina — Foto: Reprodução/Telegram Crédito: Extra.globo.com
Uma jovem modelo russa foi impedida de acessar a internet por um período de três anos, uma decisão judicial que reflete a crescente campanha do governo de Vladimir Putin contra o que considera “criações pornográficas” e em defesa dos “valores tradicionais” do país.
Sofya Vershinina, de 21 anos, foi condenada por produzir e distribuir vídeos com conteúdo sexualmente explícito na internet. O veredito foi proferido por um tribunal em Moscou e impõe, além do banimento digital, o pagamento de uma multa substancial, equivalente a aproximadamente R$ 305 mil.
A sentença inicial previa três anos de prisão em uma colônia penal, mas foi suspensa e substituída pela proibição de uso da internet. A decisão mais branda está condicionada ao cumprimento rigoroso das regras impostas, podendo ser revertida caso Sofya viole qualquer uma das condições estabelecidas.
Promotores russos alegam que Sofya Vershinina teria acumulado mais de R$ 2 milhões com a venda de conteúdo adulto em plataformas como OnlyFans e no aplicativo de mensagens Telegram. A modelo vivia em uma cobertura de luxo em um arranha-céu na capital russa.
Curiosamente, Sofya também era conhecida pelo apelido de Sonya Marmeladova, uma referência a uma personagem profundamente religiosa e abnegada do clássico romance “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski, publicado em 1866. Este apelido contrasta fortemente com a natureza de seu trabalho online.
Durante a investigação, a polícia confiscou o smartphone da modelo, mas uma coleção de brinquedos sexuais que pertencia a ela foi devolvida. A medida aponta para um foco específico na produção e distribuição de conteúdo digital.
O caso de Sofya Vershinina não é isolado, inserindo-se em um contexto mais amplo de repressão digital na Rússia. O Kremlin, sob a liderança de Vladimir Putin, tem intensificado a fiscalização e punição da “indústria pornográfica ilegal” do país.
Outras figuras públicas também foram alvo dessa campanha. Diana Shurygina, uma modelo de 27 anos com presença no OnlyFans, está atualmente detida, aguardando julgamento por acusações semelhantes. Essa série de ações judiciais sublinha o compromisso do governo russo em impor sua visão de moralidade e valores tradicionais na esfera digital, gerando preocupações sobre liberdade de expressão e censura na internet.