
Ray-Ban Meta - Divulgação/Meta Crédito: Mixvale.com.br
A Meta apresentou uma novidade significativa no universo dos dispositivos vestíveis durante a conferência Meta Connect, realizada em Menlo Park, Califórnia. A empresa revelou os óculos inteligentes Ray-Ban Meta Audio, um modelo inovador que se destaca por não possuir câmeras, focando exclusivamente na experiência sonora, chamadas telefônicas e na interação com assistentes virtuais por comando de voz.
A decisão de desenvolver uma versão desprovida de recursos de captura de imagem reflete a crescente preocupação global com a privacidade e o registro de vídeos ou fotos em espaços públicos sem o consentimento das pessoas. “Quase 2 bilhões de indivíduos no mundo usam óculos atualmente (…), e acreditamos que, nos próximos anos, a maioria deles será atualizada para óculos com IA”, declarou Mark Zuckerberg, CEO da Meta, durante o evento, enfatizando a visão da empresa para o futuro da tecnologia vestível e a importância de atender às demandas dos usuários por dispositivos mais discretos e focados na funcionalidade essencial.
O Ray-Ban Meta Audio incorpora alto-falantes de ouvido aberto e um conjunto de microfones direcionais, projetados especificamente para isolar a voz do usuário e minimizar ruídos externos, garantindo clareza nas chamadas telefônicas. Este acessório se conecta ao agente de inteligência artificial Muse, que permite aos usuários realizar pesquisas na internet, gerenciar compromissos, monitorar atividades físicas e até mesmo efetuar compras, tudo sem a necessidade de manusear o smartphone.
Com um peso de apenas 43 gramas, a armação foi concebida para preservar a estética dos óculos de grau e de sol tradicionais da Ray-Ban, parceira da Meta, oferecendo formatos clássicos como o retrô Clubmaster e o retangular Burbank. A ausência de um módulo óptico para câmera possibilitou um aumento significativo na autonomia energética do circuito interno, que suporta 12 horas de reprodução contínua com uma única carga, além de uma reserva de 48 horas adicionais armazenadas no estojo portátil de transporte.
A decisão estratégica de remover as câmeras desta nova linha de óculos inteligentes surge em um contexto de intensificação das preocupações com a privacidade, especialmente em relação a dispositivos vestíveis que podem gravar discretamente em ambientes compartilhados. No Reino Unido, por exemplo, redes de pubs como Wetherspoon, além de teatros e restaurantes, já implementaram políticas que proíbem a entrada de clientes utilizando óculos equipados com lentes de gravação de vídeo. Este cenário demonstra como o mercado está reagindo a um histórico de debates sobre o uso de tecnologia em espaços sociais.
Paralelamente às restrições comerciais, a Meta enfrenta um processo judicial coletivo na Califórnia, sob a alegação de que a empresa teria retido e submetido fotografias privadas, capturadas por proprietários das versões anteriores dos óculos, à revisão de funcionários terceirizados para o treinamento de modelos de inteligência artificial. A contestação legal afirma que registros acidentais em áreas íntimas e documentos bancários teriam sido coletados pelos servidores corporativos, uma acusação que a direção da companhia contesta formalmente perante os tribunais norte-americanos.
Além do acessório sem sensores ópticos, a Meta aproveitou o evento para lançar a terceira geração dos óculos inteligentes com câmera, o Ray-Ban Meta atualizado. Este dispositivo conta com um sensor fotográfico de 12 megapixels, capacidade de gravação de vídeo em resolução 3K e mantém o indicador luminoso frontal que acende para alertar terceiros sobre a captação de imagens, oferecendo 27 combinações de montagem para três formatos de armação.
A empresa também exibiu o Meta VR Glasses, um visor espacial ultrafino equipado com telas de resolução 5K e um peso aproximado de 100 gramas no headset. A capacidade de processamento é transferida para um módulo externo cabeado de 300 gramas, otimizando o conforto do usuário. A linha de novidades incluiu ainda o Muse Charm, um chaveiro portátil com tela interativa e um avatar visual que remete aos populares brinquedos do tipo Tamagotchi, concebido para interações diretas com o assistente inteligente.
A Meta não divulgou informações sobre os valores oficiais ou o cronograma de chegada do Ray-Ban Meta Audio, da terceira geração dos óculos com câmera ou do visor ao mercado brasileiro, limitando os primeiros envios aos Estados Unidos a partir de terça-feira, 13 de outubro. Essa estratégia de lançamento inicial focado nos EUA é comum para grandes lançamentos de tecnologia, permitindo à empresa testar a aceitação do mercado antes de expandir globalmente.
O chaveiro Muse Charm também não teve seu preço anunciado, enquanto os óculos Meta VR Glasses terão um custo de US$ 1.299, com previsão de início das vendas para sábado, 20 de março de 2027.