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Locação de robôs por assinatura impulsiona automação e democratiza acesso a tecnologias avançadas

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O modelo de locação de robôs está se consolidando como uma das transformações mais impactantes no panorama industrial atual. Empresas de diversos setores estão optando por assinaturas ou contratos de leasing de equipamentos robóticos, que incluem serviços como manutenção, atualizações de software e suporte técnico especializado. Essa abordagem, conhecida como “Robotics as a Service” (RaaS), tem sido implementada com sucesso em hospitais, fábricas, propriedades rurais e até mesmo em eventos, sendo reconhecida pelos fabricantes como o motor principal para a expansão da robótica nos próximos anos, democratizando o acesso a tecnologias de ponta.

Essa mudança no mercado é impulsionada pela rápida evolução da tecnologia robótica. A aquisição direta de um robô pode resultar em obsolescência veloz, dada a constante introdução de novas versões e capacidades. O sistema de aluguel, contudo, oferece às companhias a vantagem de utilizar as inovações mais recentes sem a necessidade de investimentos iniciais elevados e repetitivos, permitindo flexibilidade e atualização contínua.

Fabricante BMW inicia testes com robôs humanoides em suas instalações de produção

A renomada montadora de veículos BMW anunciou recentemente a intenção de integrar dois robôs humanoides equipados com inteligência artificial em uma de suas linhas de montagem. Este movimento estratégico visa explorar novas fronteiras na automação industrial e otimizar processos.

Os robôs, denominados AEON, são fruto do trabalho da empresa sueca Hexagon. Estas máquinas, que combinam as cores preto e branco, possuem uma altura de 1,65 metro, pesam 60 quilos e se locomovem por meio de um par de rodas.

O protótipo desses avançados dispositivos está equipado com 22 sensores e múltiplas câmeras, o que amplia significativamente suas capacidades de interação com o ambiente e de percepção espacial, tornando-os mais adaptáveis a diferentes cenários.

Em hospitais norte-americanos, diversas instituições já utilizam robôs contratados sob o regime de aluguel para o transporte eficiente de medicamentos, materiais e outros suprimentos entre as diferentes alas. Dados da companhia Diligent Robotics indicam que cerca de cem unidades do robô Moxi operam nesse formato de assinatura em estabelecimentos de saúde, reduzindo o custo inicial para a implementação dessa tecnologia vital.

Além das entregas em ambientes hospitalares realizadas pelos robôs Moxi, existem outras variantes desenvolvidas para funções diversas, como atuar como bartenders em eventos ou realizar a capina autônoma em plantações rurais. Na China, a automação doméstica já é uma realidade, com máquinas de limpeza impulsionadas por inteligência artificial operando em residências.

Uma das funcionalidades notáveis de um desses robôs domésticos é a capacidade de dobrar roupas, um processo que leva vários minutos para ser concluído. A execução dessa tarefa é descrita como semelhante à forma como uma criança realiza a atividade pela primeira vez, evidenciando a complexidade da destreza manual para as máquinas.

No setor industrial, empresas também estão adotando o modelo de locação para automatizar suas linhas de produção, evitando a compra direta de equipamentos dispendiosos. A Formic, uma empresa sediada nos Estados Unidos, por exemplo, gerencia uma frota de mais de 250 robôs industriais alugados para fabricantes, cobrando uma taxa mensal fixa que abrange instalação, manutenção e monitoramento constante. Esta estratégia é crucial para democratizar o acesso à automação para negócios de pequeno e médio porte.

Na China, a locação de robôs com características humanoides tem experimentado um crescimento notável, impulsionada por demonstrações que se tornaram virais em plataformas digitais e em grandes eventos públicos. Empresas locais passaram a oferecer esses equipamentos para feiras, campanhas de promoção, cerimônias de casamento e ações de marketing, onde os robôs também são empregados na recepção de convidados e na interação com o público.

Contudo, apesar do crescente interesse, especialistas alertam que os robôs humanoides ainda não possuem a autonomia necessária para substituir um grande número de trabalhadores. Atualmente, muitos desses dispositivos demandam a supervisão e programação de operadores humanos, mostrando maior eficácia em exibições, atividades de entretenimento e funções predefinidas, em contraste com operações mais complexas e independentes. Um centro de treinamento governamental próximo a Pequim emprega mais de 120 humanoides em tarefas repetitivas, sempre sob a orientação de instrutores que utilizam controles manuais.

China avança na automação com sistemas de limpeza robótica em residências

Apesar dos desafios, a China segue expandindo seus investimentos na área, com o objetivo de solidificar sua posição de liderança em inteligência artificial e robótica. O governo chinês incentiva a integração desses dispositivos em centenas de aplicações práticas, enquanto as empresas fabricantes preveem que o modelo de aluguel contribuirá para acelerar a adoção dos robôs, coletar dados valiosos para o aprimoramento de seus sistemas e expandir a base de consumidores.

Conforme informações divulgadas pela imprensa oficial chinesa, o país já conta com mais de 153 mil empresas especializadas na locação de robôs. Os custos diários para o aluguel podem variar entre 3 mil e 3,5 mil yuans, equivalentes a aproximadamente R$ 2,3 mil e R$ 2,7 mil. A companhia californiana 1X Technologies planeja iniciar as entregas de seu robô auxiliar doméstico NEO ainda este ano, com uma mensalidade de US$ 499 (cerca de R$ 2.000) no formato de assinatura.

Detalhes do robô auxiliar doméstico NEO da 1X Technologies

O robô NEO, desenvolvido pela 1X Technologies, é um assistente doméstico projetado para executar tarefas como limpeza, organização de objetos e outras atividades cotidianas. Seu custo estimado para aquisição é de US$ 20.000, ou pode ser acessado por meio de um plano de assinatura mensal.

Especialistas do setor preveem que o sistema de assinatura ganhará ainda mais proeminência à medida que a tecnologia avança e os custos de produção se tornam mais acessíveis. A projeção é que, de forma semelhante ao que ocorreu com os serviços de computação em nuvem e softwares licenciados por assinatura, as empresas adotarão essa prática de forma generalizada, consolidando o RaaS como um pilar da automação moderna.