Uma das mais emblemáticas e antigas tradições da Oktoberfest de Blumenau, o concurso de chope em metro, foi oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade. A medida, formalizada por meio de lei, garante a proteção e a valorização dessa brincadeira popular que há décadas anima os visitantes da festa.
A legislação que confere o status de patrimônio foi sancionada e publicada na última segunda-feira, dia 18, no Diário Oficial do município. Essa decisão consolida a importância cultural do evento para a identidade blumenauense e para a manutenção das raízes germânicas na região.
Com a oficialização, o chope em metro passa a integrar um seleto grupo de manifestações culturais que recebem amparo legal para sua preservação e incentivo, assegurando que sua essência e popularidade continuem a prosperar nas futuras edições da Oktoberfest.
O concurso de chope em metro é uma atração central da Oktoberfest de Blumenau, conhecida por desafiar os participantes a beberem um metro de chope (equivalente a uma caneca de 600 ml) no menor tempo possível, sem tirar a caneca da boca e sem derramar uma gota. A competição, que exige técnica e fôlego, é acompanhada por torcidas animadas, criando uma atmosfera de camaradagem e diversão.
Essa brincadeira, que se destaca pela simplicidade e pelo forte apelo popular, transcende a mera disputa. Ela simboliza a celebração da cultura cervejeira e a alegria contagiante da Oktoberfest, sendo um dos momentos mais aguardados e fotografados do evento, atraindo tanto moradores quanto turistas.
A Oktoberfest de Blumenau, que teve sua primeira edição em 1984, surgiu como uma resposta à grande enchente que assolou a cidade naquele ano, buscando resgatar o ânimo da população e atrair turistas para auxiliar na recuperação econômica. Inspirada na tradicional festa de Munique, na Alemanha, a versão blumenauense se tornou a segunda maior do mundo e a maior das Américas, mantendo viva a herança cultural dos imigrantes alemães.
Ao longo das décadas, a festa se consolidou como um dos principais eventos do calendário turístico brasileiro, atraindo milhões de visitantes e movimentando significativamente a economia local. Ela celebra não apenas a cerveja, mas também a gastronomia típica, a música folclórica e as danças tradicionais, sendo um elo vital com as origens europeias da região.
O conceito de Patrimônio Cultural Imaterial, conforme definido pela UNESCO e adotado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), refere-se às práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas — junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados — que as comunidades, grupos e, em alguns casos, indivíduos, reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural. Inclui tradições orais, artes do espetáculo, práticas sociais, rituais, eventos festivos, conhecimentos e práticas relativos à natureza e ao universo, e o artesanato tradicional.
No contexto do chope em metro, o reconhecimento como patrimônio cultural imaterial significa que a brincadeira é valorizada não apenas como um passatempo, mas como um elemento fundamental da identidade e da memória coletiva de Blumenau. Essa chancela oficial garante que a tradição seja protegida, promovida e transmitida às futuras gerações, evitando seu desaparecimento ou descaracterização.
A iniciativa de transformar o chope em metro em patrimônio cultural partiu de um projeto de lei municipal, refletindo o desejo da comunidade e dos gestores públicos de salvaguardar essa manifestação cultural. O processo legislativo envolveu debates, análises de sua relevância histórica e cultural, e a compreensão de seu impacto na vida social da cidade.
Após a aprovação pelas instâncias legislativas, a lei foi encaminhada para a sanção do executivo municipal, que, ao publicá-la no Diário Oficial na segunda-feira, dia 18, efetivou o reconhecimento. Esse ato administrativo é o passo final para que o chope em metro receba o status oficial, conferindo-lhe a proteção e o incentivo necessários para sua perpetuação.
A formalização do patrimônio cultural imaterial não é um processo trivial. Ela geralmente envolve a coleta de testemunhos, registros históricos e a comprovação da relevância da prática para a identidade de uma comunidade. No caso do chope em metro, sua longevidade na Oktoberfest e o carinho com que é recebido pelos participantes foram fatores determinantes para a aprovação.
A elevação do chope em metro a patrimônio cultural imaterial traz múltiplos benefícios para Blumenau. Primeiramente, reforça a identidade cultural da cidade, que é fortemente ligada à herança germânica e à festa da cerveja. Isso se traduz em um maior senso de pertencimento para os moradores e uma atração adicional para os turistas.
Do ponto de vista turístico, o reconhecimento agrega valor à Oktoberfest, destacando a autenticidade e a singularidade de suas tradições. Eventos com patrimônios reconhecidos tendem a atrair um público mais engajado e interessado na cultura local, impulsionando a economia do turismo de forma sustentável.
A medida também serve como um exemplo de como as comunidades podem e devem valorizar suas manifestações populares. Em um cenário globalizado, a preservação de tradições únicas se torna um diferencial importante, garantindo a diversidade cultural e a riqueza de experiências oferecidas por cada localidade.
Este tipo de reconhecimento é similar ao concedido a outras expressões culturais brasileiras, como o samba de roda do Recôncavo Baiano ou a arte Kusiwa do povo Wajãpi, que também foram elevadas a patrimônio imaterial, garantindo a salvaguarda de suas respectivas importâncias históricas e sociais.
A competição de chope em metro é organizada com rigor e bom humor. Os participantes, geralmente em duplas ou trios, enfrentam o desafio de um metro de chope, servido em uma caneca especial, com uma base mais estreita e um corpo alongado. As regras são claras: não é permitido tirar a caneca dos lábios até que esteja completamente vazia e qualquer derramamento pode resultar em desclassificação.
Ao longo das edições da Oktoberfest, a modalidade tem visto recordes serem quebrados e novas técnicas surgirem. Embora o foco seja a celebração, a competição é levada a sério pelos participantes, que buscam a glória de serem coroados os “reis” ou “rainhas” do chope em metro, recebendo aplausos e reconhecimento do público.
Com o status de patrimônio cultural imaterial, o chope em metro tem seu futuro assegurado. A lei incentiva não apenas a continuidade da brincadeira, mas também a pesquisa e documentação de sua história, regras e impacto cultural. Isso permite que novas gerações compreendam a fundo o valor da tradição e se engajem em sua preservação.
O reconhecimento é um passo fundamental para que a essência da Oktoberfest de Blumenau seja mantida. Ele protege a autenticidade do evento e reafirma o compromisso da cidade com a valorização de suas raízes e a celebração de sua cultura, garantindo que o chope em metro continue sendo um símbolo de alegria e tradição por muitos anos.