Categories: Notícias

Legistas australianos esclarecem morte de turista belga desaparecida por mais de dois anos na Tasmânia

Share

Após um período de incerteza que se estendeu por mais de dois anos, as autoridades da Tasmânia, na Austrália, divulgaram a conclusão oficial sobre o falecimento de Céline Cremer, uma turista belga de 31 anos. Seus restos mortais foram localizados em dezembro do ano passado, encerrando um caso que mobilizou intensamente a atenção da imprensa australiana e europeia. A investigação apontou que a morte, ocorrida na floresta tropical, foi acidental, resultado de uma série de eventos infelizes.

Detalhes do desaparecimento na natureza selvagem

Céline Cremer foi avistada pela última vez em 17 de junho de 2023, nas proximidades da icônica Cradle Mountain. A jovem havia partido para uma trilha pela vasta floresta tropical da Tasmânia. O alerta sobre seu sumiço, no entanto, só foi comunicado às autoridades nove dias após sua última aparição, intensificando a preocupação com seu paradeiro.

O celular da mochileira Celine Cremer foi encontrado dois anos após seu desaparecimento — Foto: Reprodução/Montagem/Polícia da Tasmânia/Rob Parsons Crédito: Extra.globo.com

As buscas por Céline começaram após a localização de seu veículo no ponto de partida de uma das trilhas. Equipes de resgate enfrentaram condições climáticas extremas, com frio intenso e tempo severo, que tornaram as operações perigosas e dificultaram o progresso. Apesar dos esforços iniciais, que duraram duas semanas, a turista não foi encontrada, e os trabalhos de busca continuaram por quase três anos sem qualquer pista.

A difícil busca e a descoberta dos restos mortais

Um desenvolvimento crucial no final de 2025 permitiu um avanço significativo no caso. Os restos mortais da belga foram finalmente descobertos perto de Philosopher Falls, na localidade de Waratah. Em fevereiro do ano seguinte, o comandante Nathan Johnston, da Polícia da Tasmânia, confirmou que exames periciais atestaram a identidade dos restos mortais. A notícia trouxe “imenso alívio” para a família de Céline, conforme depoimento de sua irmã, Amelie Cremer, em uma rede social, após uma “espera interminável”.

Conclusão oficial: uma série de equívocos fatais

A legista da Tasmânia, Madeleine Wilson, declarou que Céline Cremer provavelmente faleceu entre 17 e 21 de junho de 2023. A causa da morte foi classificada como acidental, descartando as teorias de crime que circularam na internet. A investigação oficial descreveu o óbito como consequência de uma “confluência de erros”, iniciando-se quando a turista optou por seguir uma trilha secundária em direção à represa Magnet Dam, após sua visita a Philosopher Falls, em vez de retornar diretamente ao estacionamento.

Madeleine Wilson detalhou que “a trilha para Magnet Dam não era bem definida” e que Céline “saiu do caminho e se perdeu”. Este desvio ocorreu no final do dia, poucos dias antes do solstício de inverno, período em que a luz natural já diminuía rapidamente na região, aumentando o risco de desorientação.

Condições adversas e a desorientação da turista

As condições no local eram extremamente desafiadoras, com temperaturas próximas de zero grau. A turista estava com “roupas insuficientes” e não possuía itens impermeáveis, essenciais para o clima local. Além disso, o sinal de celular na área era intermitente, e Céline perdeu seu aparelho no final da tarde. Dados recuperados do dispositivo mostraram que, antes de perdê-lo, ela havia tirado diversas fotos, gravado vídeos e utilizado o Google Maps.

A legista indicou que Céline Cremer provavelmente se perdeu por volta das 15h49, ficando “desorientada” sem seu celular e mudando de direção. A rota exata que ela percorreu entre a perda do aparelho e sua chegada ao rio Arthur, onde seu corpo foi encontrado, não pôde ser determinada com precisão.

Hipóteses sobre os últimos momentos de Céline

Os restos mortais da belga apresentavam danos e diversas fraturas. O médico legista Andrew Reid avaliou que essas lesões poderiam ter sido resultado de uma queda ou trauma contuso antes da morte, ou ainda causadas pelo impacto do corpo contra rochas e detritos enquanto era levado pela correnteza do rio. Acredita-se que ela possa ter escorregado e caído, ou tentado atravessar o rio sem sucesso.

No relatório final, hipotermia, trauma e afogamento foram apontados como possíveis causas da morte, em uma combinação de fatores que se mostraram fatais. A ausência de indícios de envolvimento de terceiros reforçou a classificação da morte como acidental, encerrando um longo período de incerteza para a família e para o público que acompanhou o caso.