
F1 Correspondent & PresenterLawrence Barretto Crédito: Formula1.com
Há um ano, Laurent Mekies assumia a liderança da equipe Red Bull Racing, tornando-se apenas o segundo chefe de equipe na história da escuderia. Atualmente, a equipe mantém a mesma quarta colocação no Campeonato de Construtores, o que à primeira vista poderia sugerir estagnação. No entanto, uma análise mais profunda revela que, nos bastidores, há um intenso processo de reestruturação e rejuvenescimento em andamento, delineando um futuro distinto para a organização.
Ao completar um ano desde a nomeação de Laurent Mekies, a Red Bull Racing se encontra na quarta posição do Campeonato de Construtores, exatamente onde estava há doze meses. Contudo, essa aparente constância numérica mascara uma série de transformações internas significativas. A pergunta que surge é se a hexacampeã mundial atingiu um platô ou se as mudanças implementadas por Mekies estão pavimentando o caminho para um ressurgimento.
Quando Mekies assumiu o comando no verão passado, sucedendo Christian Horner, que havia liderado a equipe desde sua fundação em 2005, ele encontrou um cenário desafiador. A equipe vinha de um início de temporada complicado, com um baixo moral. Naquele período, após doze Grandes Prêmios, a Red Bull havia acumulado 172 pontos, com uma média de 14,3 pontos por corrida, e estava a 288 pontos da então líder McLaren.
Neste ano, após nove etapas, a equipe somou 128 pontos, resultando em uma média de 14,2 pontos por corrida. Embora a pontuação total seja menor devido ao menor número de provas, a diferença para a atual líder do campeonato, a Mercedes, diminuiu para 205 pontos. Esses números sugerem uma proximidade ligeiramente maior com o topo, mesmo que a distância ainda seja considerável. Isso demonstra a resiliência da equipe em um ambiente altamente competitivo, onde cada ponto é crucial.
Embora os dados brutos possam levar à conclusão de que a Red Bull está na mesma situação de 12 meses atrás, essa interpretação não reflete a realidade das mudanças em curso. É verdade que a equipe ainda não venceu um Grande Prêmio em 2026 e permanece na quarta posição, atrás de Mercedes, Ferrari e McLaren. No entanto, no universo da Fórmula 1, é amplamente conhecido que a reconstrução de uma operação de alto nível exige tempo e uma abordagem estratégica, não sendo um processo instantâneo.
Laurent Mekies, com sua reputação de ser um líder focado nas pessoas, acredita que o capital humano é a chave para o sucesso de qualquer empreendimento. Nos primeiros seis meses de sua gestão, correspondendo à segunda metade do ano passado, ele dedicou-se a conhecer profundamente a equipe, identificando seus pontos fortes e fracos. Essa fase de imersão foi fundamental para estabelecer uma base sólida para as futuras decisões.
Para auxiliar nesse processo de avaliação, Mekies tomou uma decisão ousada: continuar o desenvolvimento do carro de 2025 até o final da temporada. Essa escolha foi feita apesar de a maioria dos rivais já ter direcionado todos os seus recursos para o desenvolvimento do carro da temporada seguinte, que introduziria um novo conjunto de regulamentos de chassi e unidade de potência. Essa estratégia visava maximizar o aprendizado e a compreensão do equipamento existente.
O dirigente de 49 anos estava ciente de que essa estratégia poderia prejudicar a equipe no início de 2026 e, possivelmente, nas duas temporadas seguintes, pois significaria começar a nova era com um carro subdesenvolvido. Contudo, Mekies considerou essa abordagem a mais acertada no contexto de um plano de longo prazo, priorizando o conhecimento e a otimização de processos internos em detrimento de um desempenho imediato.
Os resultados imediatos dessa decisão foram, previsivelmente, mistos. A Red Bull conseguiu reduzir drasticamente a diferença para a McLaren nas etapas finais da temporada anterior. Max Verstappen conquistou seis das últimas nove corridas, diminuindo um déficit de 104 pontos para apenas dois no encerramento do campeonato. Se Verstappen tivesse garantido o título no último instante, a decisão de Mekies teria sido publicamente aclamada como um golpe de mestre.
Nos bastidores, porém, a estratégia já era considerada um sucesso, mesmo com a equipe iniciando a temporada atual em desvantagem, como esperado, e parecendo a menos provável entre as quatro principais a disputar o título. O foco no desenvolvimento contínuo do carro de 2025 permitiu a Mekies uma visão clara do que funcionava e do que não funcionava, fornecendo dados cruciais para a reestruturação.
Ao estender o desenvolvimento até o final do ano anterior, Mekies obteve insights valiosos sobre as áreas que necessitavam de fortalecimento, tanto em termos de infraestrutura quanto de pessoal. Ele pôde identificar quais departamentos exigiam investimentos e quais indivíduos poderiam precisar de novas funções ou treinamentos. Essa análise detalhada foi essencial para as mudanças implementadas na equipe.
Esse processo de avaliação e planejamento permitiu que a equipe evoluísse significativamente nesta temporada. Fontes internas indicam que cerca de 130 novos profissionais se juntaram à Red Bull nos primeiros quatro meses do ano. Mekies reforçou diversas áreas e ajustou outras, buscando otimizar a estrutura e o fluxo de trabalho da organização.
No âmbito técnico, Craig Skinner, que ocupava o cargo de Chefe de Design por duas décadas, deixou a equipe. Para seu lugar, Ben Waterhouse foi transferido da equipe irmã Racing Bulls, assumindo a função de Chefe de Performance e Design Engineer, reportando-se ao Diretor Técnico Pierre Wache. Andrea Landi, com vasta experiência na Ferrari e na Racing Bulls, chegou para ser o Chefe de Performance, agregando conhecimento estratégico.
Naturalmente, os frutos dessas alterações levarão tempo para serem plenamente percebidos. Um fator relevante é que o novo túnel de vento da equipe só estará operacional no próximo ano. Isso implica que o primeiro carro a se beneficiar plenamente dessa nova infraestrutura, após o período de calibração, será o modelo de 2028. A Fórmula 1 é um esporte de ciclos longos, e investimentos em infraestrutura como essa sublinham uma visão de futuro.
O tempo é um fator implacável no automobilismo, e a equipe precisa encontrar maneiras de otimizar o desempenho com o que tem disponível agora, especialmente considerando que o carro atual tem enfrentado problemas com a asa traseira em dois Grandes Prêmios consecutivos. Apesar dos desafios, o ambiente dentro da equipe é visto como positivo, com uma forte convicção de que sabem o caminho para retornar à frente e competir por vitórias nas corridas.
Há também motivos para otimismo em relação ao segundo assento da Red Bull, onde Isack Hadjar tem mostrado uma adaptação notável em sua segunda temporada. O jovem piloto francês tem demonstrado consistência e velocidade, consolidando sua posição como um ativo valioso para o futuro da equipe.
Hadjar finalizou entre os seis primeiros em cada um dos últimos cinco Grandes Prêmios, ocupando a oitava posição no Campeonato de Pilotos. Ele está a apenas 24 pontos de seu companheiro de equipe, Max Verstappen, um tetracampeão mundial. Essa proximidade de desempenho é um indicativo claro do potencial do piloto e de sua rápida evolução no cenário da Fórmula 1.
Na maioria das corridas, Hadjar tem se mantido a cerca de um quarto de segundo de Verstappen, o que representa um desempenho significativamente superior ao da maioria de seus antecessores. Essa consistência e velocidade o colocam em uma posição de destaque, validando a aposta da Red Bull em seu talento e desenvolvimento.
Pode-se argumentar que, até o momento, Hadjar se apresenta como um dos companheiros de equipe mais desafiadores, se não o mais desafiador, que Verstappen enfrentou desde Daniel Ricciardo em 2018. Considerando que, nesse período, Verstappen teve ao seu lado pilotos fortes e vencedores de corridas como Sergio Pérez e Pierre Gasly, o desempenho de Hadjar, mesmo em uma amostra relativamente pequena de nove corridas, é impressionante e promissor.
“Para nós, a imagem geral é que ele dá um passo à frente a cada vez que sai com o carro”, afirmou Laurent Mekies sobre Hadjar. “Isso é muito positivo para o restante da temporada”, completou o chefe de equipe, ressaltando a confiança no progresso contínuo do jovem piloto e a importância de seu desenvolvimento para os objetivos da Red Bull.
O cenário não é tão tranquilo do outro lado da garagem, onde o futuro de Max Verstappen na equipe permanece incerto, uma situação que já existia quando Mekies assumiu. O piloto holandês é conhecido por sua ambição de vencer, e a ausência de vitórias nesta temporada, devido à falta de um equipamento competitivo, tem gerado especulações sobre sua permanência.
Considerando as opções limitadas para uma possível mudança – McLaren, Ferrari e Mercedes já têm suas formações de pilotos definidas para o próximo ano –, a melhor alternativa para Verstappen parece ser permanecer na Red Bull. A equipe, por sua vez, está empenhada em recuperar a performance e lutar novamente pelas primeiras posições do grid, criando um ambiente propício para o campeão.
Garantir que Verstappen permaneça será uma das maiores prioridades de Mekies nos próximos meses. A maneira mais eficaz de conseguir isso é proporcionar ao piloto um carro que lhe permita competir por vitórias e, consequentemente, lutar pelo campeonato. A capacidade de entregar um equipamento competitivo será o fator determinante para a manutenção de seu principal talento.