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Lages, localizada na Serra Catarinense, emerge como um polo de inovação no agronegócio com o desenvolvimento de um teste rápido inédito para identificar vacas produtoras de Leite A2 diretamente nas fazendas. Esta tecnologia, apresentada em um programa recente, oferece um diagnóstico em apenas 20 minutos a partir de poucas gotas do produto, eliminando a necessidade de exames genéticos laboratoriais demorados e caros. Além disso, o ecossistema local tem gerado avanços em análise de sementes e estratégias de regeneração do solo.
As empresas de tecnologia agrícola, conhecidas como agtechs, que operam na região, buscam oferecer soluções que impulsionem a rentabilidade, a sustentabilidade ambiental e a segurança sanitária nas propriedades rurais de Santa Catarina. Entre as diversas iniciativas do centro tecnológico, destacam-se a aplicação combinada de microalgas e bactérias para purificação de efluentes e revitalização do solo, além de exames fitossanitários céleres que previnem a perda total de plantações de grãos.
O teste para Leite A2, denominado Dairy Tech e também conhecido como MilkTest, foi concebido no Brasil pela startup Scienco Biotech, incubada no Orion Parque Tecnológico em Lages. Anteriormente, a certificação do Leite A2 — um produto que não contém a proteína beta-caseína A1, frequentemente associada a desconfortos digestivos em consumidores — dependia exclusivamente da genotipagem, um método de mapeamento genético que demandava mais tempo e recursos dos pecuaristas.
“Nossa empresa de biotecnologia, de origem totalmente brasileira, foca em desenvolver diagnósticos inovadores com baixo custo, acessíveis a todos os produtores, agregando valor significativo às suas operações”, declarou Maria de Lourdes Borba Magalhães, professora da Udesc e CEO da Scienco Biotech.
Fundada em 2016, a partir de pesquisas acadêmicas realizadas no Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV/Udesc), a Scienco Biotech já expande suas ferramentas de diagnóstico para além das fronteiras nacionais. Atualmente, a agtech exporta suas inovações para países como Portugal, Coreia do Sul, Colômbia e Nova Zelândia, onde atua como fornecedora para a renomada A2 Milk Company.
Para além dos avanços na pecuária leiteira, o dinâmico ambiente de inovação da Serra Catarinense fomenta projetos dedicados à proteção de lavouras e ao reaproveitamento de resíduos agrícolas. No mesmo complexo tecnológico de Lages, operam a Alga&nzyme, reconhecida em 2 de setembro de 2026 como uma das primeiras empresas-filhas da Udesc Lages, e a Plant Colab, estabelecida em 2022 com foco na fitopatologia, a ciência que investiga as enfermidades das plantas.
A Alga&nzyme, sob a liderança de Thaís Agda Rodrigues da Cruz Primo, doutoranda da Udesc Lages e fundadora, especializa-se no tratamento avançado de efluentes utilizando microalgas, convertendo a biomassa gerada no processo de purificação da água em bioinsumos agrícolas para o solo. A empresa foi a única representante da Serra Catarinense entre as 20 selecionadas na 6ª edição do edital Acelera Startup SC, da Fapesc, e alcançou o terceiro lugar no programa nacional Empreendedoras Tech em 2026. Por sua vez, a Plant Colab desenvolve diagnósticos fitossanitários ágeis, que são cruciais para auxiliar agricultores na tomada de decisões e prevenir que pragas devastem plantações de grãos.
O progresso das agtechs em Lages é impulsionado pela estrutura do Orion Parque Tecnológico, que celebrou uma década de operação, abrigando dezenas de empreendimentos com base científica e tecnológica. Os dados consolidados do complexo de inovação e de suas empresas residentes evidenciam o impacto econômico e os marcos recentes alcançados pelas iniciativas da região.
A tecnologia do teste rápido de Leite A2 conferiu projeção internacional ao polo de Lages no primeiro semestre de 2026. Em março de 2026, a Scienco Biotech conquistou o prêmio principal da Startup Competition do South Summit Brazil 2026, evento realizado em Porto Alegre (RS), superando mais de três mil startups concorrentes com sua ferramenta Dairy Tech.
Em comunicado divulgado pela Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), foi ressaltado que “o reconhecimento no South Summit representou um marco fundamental em nossa jornada, especialmente pela visibilidade global que o evento oferece”.
Para a gestão do complexo de inovação lageano, a participação de empresas locais em competições internacionais valida o trabalho de incubação realizado no interior do estado. Claiton Camargo de Souza, diretor-executivo do Orion Parque Tecnológico, afirmou: “Chegar à final do South Summit significa exposição para investidores, empresas e líderes mundiais em inovação. Independentemente do resultado no evento, já é uma grande conquista para a Scienco, para o ecossistema de inovação da Serra Catarinense, para as startups de agrobiotecnologia e para o Orion Parque Tecnológico, que acompanha, apoia e impulsiona esses empreendimentos.”
A apresentação original do programa, exibida em 18 de outubro de 2026, detalhou as três frentes tecnológicas desenvolvidas na Serra Catarinense — o exame de Leite A2, a análise fitossanitária e o uso de microalgas — sem especificar os nomes das empresas no resumo. A identificação nominal das três residentes do polo de Lages responsáveis por cada solução (Scienco Biotech, Alga&nzyme e Plant Colab) é baseada em registros públicos do parque tecnológico, da Udesc e da Fapesc.