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Jovem iraniana condenada à morte confessou participação em protestos para evitar estupro da irmã gêmea

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Uma dramática revelação veio à tona no Irã, onde Taraneh Rahimi, de 19 anos, foi sentenciada à morte após confessar ter participado de manifestações antigovernamentais. A mãe das jovens, Marzieh Nourmohammadi, de 43 anos, afirmou que a confissão foi feita sob coação, com a intenção de proteger sua irmã gêmea, Romina Rahimi, de uma ameaça de estupro por agentes carcerários.

A Sombra da Tortura e a Confissão Forçada

As irmãs Rahimi foram detidas em janeiro, em meio a uma onda de protestos que varreu o país. Segundo relatos de familiares, elas foram submetidas a torturas intensas por um período de quatro meses. A violência foi tão severa que, durante a audiência de sentença, a própria mãe mal conseguiu reconhecer as filhas, tamanha a desfiguração e os ferimentos que apresentavam.

Taraneh (à esquerda) e Romina Rahimi — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com

Marzieh Nourmohammadi passou quatro meses sem informações sobre o paradeiro de Taraneh e Romina, mantidas em custódia por autoridades do regime teocrático. A mãe descreveu o pavor de saber que as filhas, ainda estudantes do ensino médio, foram retiradas de suas casas, espancadas, tiveram os pés quebrados e os cabelos arrancados enquanto estavam presas.

Sentenças Discrepantes e a Arbitrariedade do Sistema

A condenação de Taraneh à morte por enforcamento, enquanto Romina recebeu uma pena de 25 anos de prisão, levanta questionamentos profundos sobre a justiça no Irã. A disparidade entre as sentenças permanece um mistério e reflete a imprevisibilidade do sistema judicial iraniano.

Um primo das gêmeas, Masoud Nourmohammadi, residente nos Estados Unidos, expressou sua perplexidade diante da situação. Ele ressaltou a falta de aderência do regime às suas próprias leis, citando o desrespeito a prazos legais para recursos e a execução sumária de jovens manifestantes, o que, para ele, demonstra uma total ausência de lógica e legalidade.

O Contexto de Repressão e a Clamada Inocência

A mãe das jovens insiste na inocência de Taraneh, afirmando que a bondade de sua filha é evidente em seu olhar. Este caso se insere em um cenário mais amplo de repressão no Irã, onde as autoridades têm buscado punir exemplarmente os participantes dos protestos. Os atos de violência e as sentenças severas servem como um alerta para a comunidade internacional sobre a escalada da crise de direitos humanos no país.

Este ano, o Irã já registrou mais de 500 execuções, um número alarmante que inclui pelo menos 29 indivíduos diretamente ligados às manifestações antigovernamentais de janeiro. A situação das irmãs Rahimi, que tinham apenas 19 anos quando se juntaram a milhões de pessoas nas ruas, sublinha a vulnerabilidade dos jovens e a brutalidade da resposta estatal aos dissidentes.

As irmãs permanecem detidas na penitenciária de Dowlatabad, em Isfahan, enquanto a família luta por justiça e pela vida de Taraneh em um sistema onde a esperança de um julgamento justo parece cada vez mais distante.