
Americano Preston Harp virou sandinista na Nicarágua — Foto: Reprodução/Instagram Crédito: Extra.globo.com
Enquanto Natalie Harp dedica-se como secretária particular de Donald Trump nos Estados Unidos, seu irmão, Preston Harp, vive na Nicarágua como um engajado socialista e anti-imperialista, representando um abismo ideológico que espelha as divisões políticas contemporâneas.
A história dos irmãos Harp, com suas trajetórias opostas, ganhou destaque após revelações sobre a proximidade de Natalie com o ex-presidente americano e as visões críticas de Preston sobre essa relação. Suas vidas distintas oferecem um estudo de caso sobre os contrastes ideológicos presentes no cenário global.
Preston Harp, de 38 anos, escolheu viver na Nicarágua, um dos países mais pobres da América Latina, na contramão do fluxo migratório de muitos centro-americanos que buscam oportunidades nos EUA. Em seu perfil nas redes sociais, ele se descreve como “músico, anti-imperialista, socialista/internacionalista”, alinhando-se com o movimento sandinista.
Residindo modestamente em Masaya, uma cidade no oeste da Nicarágua com cerca de 123 mil habitantes, Preston exibe abertamente seu apoio à Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN). Fotos de sua casa mostram uma bandeira do FSLN na parede, livros sobre Che Guevara em uma prateleira e até um quepe militar sandinista, ao lado de um certificado emitido por um grupo ligado ao movimento.
O sandinismo, movimento de influência marxista, notabilizou-se por liderar a resistência guerrilheira armada que derrubou a ditadura de Anastasio Somoza, apoiada pelos EUA, em 1979. Sob a liderança de Daniel Ortega, o regime sandinista domina a política nicaraguense há décadas, e Preston é considerado um “gringo sandinista” por seus amigos, admirador declarado do governo local.
No polo oposto, Natalie Harp é uma figura central na equipe de Donald Trump, descrita como “obcecada” pelo ex-presidente. Ela é a força por trás de muitas das postagens mais controversas de Trump nas redes sociais, atuando como sua secretária particular e assessora de confiança.
A relevância de Natalie na órbita de Trump ficou evidente em um incidente recente, quando o ex-presidente supostamente a priorizou em meio a uma ameaça de assassinato por agentes iranianos. Após uma cúpula da Otan na Turquia, Natalie estava entre o pequeno grupo de assessores que trocou de avião com Trump em Ancara, seguindo um alerta de inteligência israelense sobre um ataque iminente ao Air Force One. Esse episódio sublinhou a posição singular que ela ocupa.
Preston e Natalie não mantêm mais contato. O irmão, que tem 38 anos, ofereceu à imprensa americana detalhes sobre o perfil da irmã, sugerindo que ela encontraria em Trump uma figura paterna idealizada, que seu pai biológico, Robert Harp – falecido em julho de 2020 por suicídio – não representava.
Ele classificou a relação entre sua irmã e Trump como “nada saudável”, mas ressaltou que sua preocupação não reside em supostos escândalos, e sim em uma “paixão baseada em infeliz ideologia compartilhada”. Para Preston, Natalie enxerga em Trump a personificação da doutrina do excepcionalismo americano, algo que, segundo ele, seu pai nunca encarnou.
As visões divergentes dos irmãos Harp não apenas ilustram um profundo cisma familiar, mas também servem como um microcosmo das polarizações ideológicas que marcam as sociedades contemporâneas, refletindo embates entre o nacionalismo e o anti-imperialismo, e entre diferentes concepções do “sonho americano”.