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As forças armadas dos Estados Unidos confirmaram nesta terça-feira, 29 de julho de 2026, a interceptação de mísseis balísticos lançados pelo Irã contra instalações militares americanas em diversas partes do Oriente Médio. O incidente ocorreu em um momento de alta tensão regional, enquanto o presidente Donald Trump se reunia na Casa Branca com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, um conhecido defensor de uma linha dura contra Teerã.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou, por meio de um comunicado, que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) disparou múltiplos mísseis balísticos em uma tentativa de ataque surpresa contra tropas americanas na região. Todas as ogivas foram interceptadas com sucesso, garantindo a segurança do pessoal militar. Pelo menos cinco interceptações foram registradas sobre o espaço aéreo da Jordânia, indicando a abrangência da ofensiva.
At 5:45 p.m. ET today, Islamic Revolutionary Guard Corps forces launched multiple ballistic missiles from Iran in an attempted surprise attack on U.S. forces based in the Middle East. All Iranian missiles were successfully intercepted. U.S. forces remain vigilant and at a high…
— U.S. Central Command (@CENTCOM) July 28, 2026
A Guarda Revolucionária Iraniana, por sua vez, assumiu a autoria dos disparos, alegando ter mirado uma base aérea americana e um centro do Comando Central localizados na Jordânia. Em sua declaração, a IRGC reiterou que “enquanto as ameaças contra a República Islâmica do Irã persistirem e as ações ilegais e maliciosas das forças americanas contra nossos interesses continuarem, a resistência prosseguirá”. Analistas em Teerã caracterizaram o movimento como um “ataque preventivo”, e não meramente reativo, sinalizando uma mudança na estratégia iraniana.
A escalada de confrontos não se limitou aos mísseis iranianos. Simultaneamente, ataques conjuntos dos Estados Unidos e da Arábia Saudita no Iraque, também em 29 de julho de 2026, resultaram na morte de ao menos 20 membros das Forças de Mobilização Popular (PMF) do Iraque e feriram outros 32, segundo o próprio grupo. Essas ações representaram a primeira grande operação militar americana no Oriente Médio desde que o presidente Donald Trump havia suspendido uma intensa campanha de bombardeios treze dias antes, alegando que “boas conversas” estavam em andamento com o Irã.
Os ataques aéreos conjuntos foram justificados por Riad e pelo CENTCOM como uma resposta a agressões de milícias apoiadas pelo Irã contra tropas americanas e infraestrutura de energia saudita. Em Bagdá, especialistas consideraram o incidente um “evento significativo para as PMF”, um grupo que, embora legalmente parte das forças estatais iraquianas, possui fortes laços com Teerã. A presidência iraquiana condenou veementemente o “ataque inaceitável” contra as instalações das PMF, reforçando a rejeição a qualquer uso do território iraquiano como plataforma para ataques contra nações vizinhas.
A confirmação do ataque iraniano gerou imediata repercussão nos mercados globais. Os futuros do petróleo americano, que antes operavam em queda devido à pausa nos ataques de Washington, registraram um salto superior a 4%, superando a marca de US$ 82 o barril. Os contratos futuros do Brent, referência internacional, ultrapassaram os US$ 88 o barril, refletindo a preocupação com a segurança do abastecimento na região.
Em Washington, analistas observaram que o Irã estava “enviando uma mensagem a Trump de que precisa estar envolvido em todas as discussões” sobre o futuro da região. A reunião entre o presidente americano e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, um notório crítico do programa nuclear iraniano, adicionou uma camada de complexidade ao cenário. Netanyahu demonstrou grande interesse em discutir a questão da Montanha Pickaxe, onde Israel aponta a existência de construções que poderiam indicar o desenvolvimento de uma nova instalação nuclear iraniana.
Jason Campbell, pesquisador sênior do Middle East Institute, interpretou as ações de Teerã como uma tentativa de “retomar a iniciativa e o ímpeto”. Ele complementou que o Irã tem expressado ceticismo de que os EUA utilizam as pausas entre os ataques para se preparar para uma nova fase de violência, o que leva Teerã a acreditar que os EUA estão fazendo exatamente isso com a última interrupção.
Outro ponto de atrito constante na região é o Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para o transporte de petróleo. Donald Trump tem criticado o bloqueio iraniano a algumas embarcações, enquanto o Irã sustenta seu direito de controlar a navegação pela passagem. Em 29 de julho de 2026, a Guarda Revolucionária Iraniana anunciou ter “atingido e parado” três petroleiros em Ormuz, alegando que as embarcações “continuaram a navegar por uma rota insegura e ilegal, ignorando nossos avisos”.
Omã havia apresentado ao Irã uma proposta para gerenciar o tráfego no estreito de forma conjunta, mas Teerã a rejeitou. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, informou à televisão estatal que seu país recusou a divisão igualitária das rotas de trânsito. Em vez disso, Teerã sugeriu administrar a navegação em seu lado do estreito, enquanto Mascate (capital de Omã) administraria apenas uma porção da via oposta, e não sua totalidade. Em paralelo a essa escalada, fontes informadas indicaram que o Irã deverá receber uma remessa inicial de até 400 lançadores de mísseis antiaéreos portáteis de fabricação chinesa nas próximas semanas, um movimento estratégico para fortalecer suas defesas aéreas de curto alcance.
A avaliação geral é que os ataques recentes recolocaram a região em estado de alerta máximo, desfazendo dias de relativa calma e indicando uma intensificação das tensões entre as potências envolvidas.