
Matt Dalbey faz 'inovação satânica' durante sessão de câmara de vereadores em Iowa (EUA) — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com
Uma reunião da Câmara Municipal de Ottumwa, no estado de Iowa (EUA), foi marcada por uma intensa controvérsia na última terça-feira (6/10), quando um ex-vereador realizou uma invocação de cunho satânico que desviou completamente o foco da pauta. O incidente gerou um acalorado debate sobre a liberdade de expressão religiosa em espaços públicos e a aplicação das políticas locais.
O morador e ex-membro do conselho, Matt Dalbey, iniciou a sessão lendo uma “oração satânica”, culminando com a frase “Salve, Satanás!”. A atitude provocou uma reação imediata e veemente por parte do pastor Rick Bick, do New Life Center, presente no local, que classificou o ato como uma “maldição” sobre a cidade e exigiu que fosse desfeita naquele instante, conforme relatos da imprensa local.
A tensão se instalou rapidamente, com os 80 minutos iniciais da reunião sendo dominados pela discussão sobre a invocação. Vereadores e membros da comunidade foram pegos de surpresa pela intensidade do confronto verbal.
Matt Dalbey esclareceu que a prece utilizada é praticada pelo Templo Satânico de Iowa, organização da qual é membro. Ele enfatizou que o grupo se define como “resolutamente não teísta”, o que significa que não há crença em uma divindade satânica, mas sim a adesão a sete princípios fundamentais que guiam suas ações e filosofia.
A cidade de Ottumwa possui uma política de invocações aprovada em 20 de janeiro. Essa diretriz tem como objetivo principal reconhecer e respeitar a diversidade de crenças religiosas e não religiosas entre seus cidadãos, permitindo que diferentes pontos de vista sejam expressos, mesmo que não reflitam a opinião da maioria dos membros da Câmara. A existência dessa política é crucial para entender por que a invocação foi permitida, visando a inclusão e a prevenção de discriminação.
Os sete princípios fundamentais, que norteiam as ações do Templo Satânico de Iowa e de seus membros, são:
A vereadora Cara Galloway, conhecida por não participar das invocações, argumentou que o pastor Bick deveria ter aguardado o período reservado para manifestações dos cidadãos, a fim de manter a ordem da reunião. Galloway, que havia votado contra a própria política de invocações, defendeu a importância de seguir o regimento, alertando para os perigos de abrir precedentes que poderiam levar a custos financeiros para os contribuintes em caso de litígios.
O prefeito de Ottumwa, Benjamin Foote, tentou acalmar os ânimos pedindo um minuto de silêncio para reflexão. Contudo, a controvérsia já havia tomado conta do ambiente. A comunidade de Ottumwa reagiu com indignação, enviando mensagens furiosas à prefeitura, muitas delas com expressões agressivas e palavrões, demonstrando o profundo impacto emocional do ocorrido.
A polêmica está longe de terminar, já que Matt Dalbey está programado para realizar novamente a invocação na próxima sessão, marcada para 3 de novembro. O caso de Ottumwa ressalta o desafio que muitas municipalidades americanas enfrentam ao equilibrar a liberdade de expressão religiosa com a manutenção da neutralidade em espaços governamentais, um tema recorrente na jurisprudência dos Estados Unidos.