
supercomputador - metamorworks/ shutterstock.com Crédito: Mixvale.com.br
A Intel, gigante global de tecnologia, sinalizou seu forte interesse em fornecer a infraestrutura tecnológica para o futuro supercomputador da administração pública brasileira. Tiago Rubortone Velasque, executivo da companhia para a América Latina, confirmou que a proposta da empresa abrangerá não apenas o fornecimento de hardware, mas também suporte operacional completo e a entrega das máquinas através de seus parceiros comerciais estabelecidos no país.
A arquitetura do sistema demandará unidades de processamento gráfico (GPUs) de alta performance para aceleração, mas os processadores centrais (CPUs) tradicionais terão uma função crucial na estrutura planejada. Essa combinação visa otimizar o desempenho e a versatilidade do equipamento.
Embora o treinamento de modelos computacionais avançados utilize intensivamente as unidades gráficas, Velasque enfatizou que as aplicações mais sofisticadas também exigirão uma quantidade considerável de processadores centrais para gerenciar e coordenar toda a estrutura digital. Este arranjo técnico é projetado para garantir a eficiência e a sustentabilidade financeira do projeto, alinhando-se com a meta nacional de investir R$ 23 bilhões em supercomputação e nuvem para IA, visando a autonomia tecnológica até 2028.
A multinacional está preparada para apresentar as mais recentes tendências globais e as melhores práticas operacionais para o novo equipamento governamental. O representante da empresa reiterou que “existem oportunidades para as soluções da Intel no pregão público do supercomputador”, indicando a intenção de competir ativamente.
No mercado brasileiro, a venda de equipamentos da Intel ocorre exclusivamente por meio de fabricantes integradores de sistemas, como Dell, HP e Lenovo, que atuam como intermediários na distribuição de seus produtos.
A administração federal lançou em 20 de agosto a próxima fase do Programa Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), por meio de uma concorrência pública de R$ 1 bilhão. O objetivo é adquirir um supercomputador com capacidade de 7,2 mil petaflops, destinado a impulsionar pesquisas científicas em diversas áreas no Brasil. Este investimento representa um marco significativo na modernização tecnológica do país.
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, declarou em 25 de agosto que o edital para a aquisição do maquinário estatal permite a participação de propostas vindas de companhias estrangeiras, abrindo o leque de opções para o governo.
A máquina de alta performance será instalada no Rio Grande do Norte, com o propósito de fortalecer a infraestrutura tecnológica da região. O Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), que atualmente opera a unidade Santos Dumont em Petrópolis, será o responsável pela gestão e controle operacional do novo equipamento.
Velasque detalhou a atuação da Intel no Brasil e observou uma transição gradual do processamento de dados, que antes se concentrava em grandes centros de armazenamento, para dispositivos de ponta, mais próximos do usuário final ou da fonte de dados.
Essa mudança impulsiona a chamada “IA híbrida”, um conceito defendido por Velasque no qual o próprio dispositivo executa a maior parte das operações de inteligência artificial, recorrendo a serviços de nuvem remotos apenas para tarefas de altíssima complexidade. Este método resulta em respostas mais rápidas do sistema e garante uma proteção mais direta de informações sensíveis, o que é crucial para setores que lidam com dados confidenciais.
O setor financeiro tem se destacado na adoção dessa abordagem, beneficiando-se de métodos estruturados de triagem e governança de dados já existentes. Outros segmentos, como o de energia e telecomunicações, também estão expandindo a busca por essas soluções operacionais inovadoras. Para essas instituições, o foco principal é converter a modernização tecnológica em ganhos econômicos diretos e otimização de processos.
Velasque também apontou que a modernização tecnológica no ambiente corporativo brasileiro frequentemente enfrenta obstáculos operacionais específicos, que podem atrasar a implementação de novas soluções.
Em relação a questões de suprimento, Velasque informou que a escassez global de componentes de memória tem impactado a Intel. No entanto, a fábrica está empenhada em ajustar sua cadeia de suprimentos para assegurar a distribuição contínua e organizada aos montadores credenciados, mantendo o monitoramento constante sobre a disponibilidade dos insumos.