
Connor Murphy — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com
Connor Murphy, um influenciador digital conhecido por promover a busca incessante pela aparência física ideal, morreu afogado na Tailândia, após um episódio de comportamento errático seguido de fuga da polícia. Aos 32 anos, Murphy, que se autodenominava “Giga Chad” em referência a um padrão exagerado de masculinidade na internet, era uma figura proeminente no movimento “looksmaxxing”, que encoraja indivíduos a adotarem métodos extremos para aprimorar sua estética.
Antes de seu trágico falecimento, Connor Murphy acumulou milhões de seguidores, inicialmente com vídeos de fisiculturismo e pegadinhas, antes de se tornar um dos pioneiros na popularização do “looksmaxxing”. Este fenômeno digital, que ganhou força nos últimos anos, estimula jovens a buscar a perfeição física por meio de intervenções que, por vezes, são perigosamente invasivas. Tais práticas podem variar desde o uso de maquiagem e exercícios faciais específicos até procedimentos cirúrgicos complexos, como o alongamento de pernas para aumentar a altura, e até mesmo técnicas chocantes como golpear o próprio rosto para definir a mandíbula.
A obsessão por uma imagem idealizada, impulsionada pelas redes sociais, cria um ambiente onde a busca por validação externa pode levar a decisões extremas. O caso de Murphy serve como um alerta sobre os perigos inerentes a essa cultura de “aperfeiçoamento” constante, muitas vezes desconsiderando os riscos à saúde física e mental.
Amigos próximos de Connor Murphy relataram que sua saúde mental parecia ter se deteriorado significativamente após um jejum de água de 40 dias, realizado e transmitido ao vivo em 2020. Chris Elkins, também influenciador fitness e amigo de Murphy, descreveu o impacto drástico da dieta, na qual o influenciador, que tinha 1,90 m, perdeu entre 23 e 27 quilos, chegando a pesar cerca de 68 quilos, partindo de um estado já atlético.
Após o jejum, a personalidade de Murphy teria mudado drasticamente. “Ele se tornou uma pessoa completamente diferente”, afirmou Elkins, lembrando que o amigo “perdeu o contato com seu antigo círculo de amizades”, o que sugere um isolamento social e uma alteração comportamental profunda ligada à sua saúde mental.
Em meio a esse período de vulnerabilidade, Connor Murphy também teria começado a usar substâncias psicodélicas, segundo o relato de Elkins. Embora o amigo reconheça o potencial terapêutico dessas substâncias, ele ressaltou os riscos do uso recreativo prolongado, especialmente para indivíduos com dificuldades em manter contato com a realidade.
Outro amigo e youtuber, Tony Huge, revelou uma prática ainda mais excêntrica de Murphy: a injeção de ouro. Tony contou que Murphy acreditava que o ouro lhe conferia “superpoderes”, chegando a derreter ou raspar joias para injetar a substância, inclusive por via intravenosa. Tais comportamentos ilustram um quadro de extrema desconexão com a realidade e a busca por soluções não convencionais para problemas que, para amigos, pareciam ser de ordem mental.
A vida de Connor Murphy teve um fim dramático em 7 de maio, na província de Samut Prakan, Tailândia. O influenciador protagonizou um episódio de destruição em uma propriedade alugada, que antes era luxuosa, onde espalhou tinta preta e amarela pelas paredes, móveis e eletrodomésticos. Fotos e vídeos do local depredado circularam, mostrando a extensão dos danos e o comportamento descontrolado.
Ao ser abordado pela polícia, o texano exibiu um comportamento errático e fugiu, pulando em um lago próximo. Murphy nadou por alguns minutos, mas acabou submerso e desapareceu. As autoridades confirmaram posteriormente a recuperação de seu corpo a aproximadamente 20 metros da margem, encerrando a trágica trajetória de um jovem que, na busca por uma imagem idealizada, pareceu se perder em um labirinto de práticas extremas e problemas de saúde mental.