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Índia destina bilhões para fortalecer fabricação de smartphones e desafiar liderança chinesa

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Nova Deli revelou, na última quarta-feira, 15 de julho de 2026, um abrangente plano de bilhões de dólares destinado a impulsionar a produção de celulares inteligentes e componentes semicondutores em solo indiano. A iniciativa tem como meta consolidar a nação como um epicentro global da indústria eletrônica, capitalizando sobre sua crescente capacidade na montagem de iPhones para a Apple e visando diminuir a forte dependência das cadeias de suprimentos sediadas na China. Essa estratégia posiciona a Índia para assumir um papel mais influente na reconfiguração do cenário da manufatura tecnológica global.

Programa de incentivos redefine o panorama da produção de celulares na Índia

Batizado de “Mobile Phone Manufacturing Scheme”, o novo programa foi concebido para operar por um período de cinco anos, com uma alocação orçamentária de cerca de ₹625 bilhões, o que corresponde a aproximadamente 6,5 bilhões de dólares. Ele instituirá um sistema de gratificações para as empresas fabricantes de smartphones, calculadas com base em seu volume de vendas qualificado, com percentuais de incentivo que oscilam entre 2,25% e 5%. Haverá ainda um estímulo extra de 1,5% para as companhias que demonstrarem preferência pela aquisição de peças e componentes cruciais produzidos dentro das fronteiras indianas. A expectativa é que, durante a vigência desta política, a produção total de aparelhos móveis atinja a marca de ₹39 trilhões, equivalente a cerca de 405 bilhões de dólares.

Crédito: Mixvale.com.br

Investimento adicional para aprimorar a manufatura de semicondutores

Complementando as medidas para o setor de telefonia, o governo indiano reservou um aporte adicional substancial de ₹1,28 trilhão, cerca de 13,3 bilhões de dólares, especificamente para reforçar a produção nacional de semicondutores. Este montante representa uma ampliação notável de um plano de incentivo pré-existente, que já contava com 10 bilhões de dólares e foi introduzido em 2021. A finalidade é prover um suporte mais robusto para áreas críticas como equipamentos de fabricação de chips, insumos, desenvolvimento de projetos e atividades de pesquisa, visando estabelecer uma infraestrutura sólida para toda a cadeia de valor da indústria de semicondutores.

Apple lidera diversificação e atrai grandes fabricantes para a Índia

Ao longo dos últimos dez anos, a Índia consolidou-se como um polo manufatureiro de smartphones de crescente importância, atraindo a atenção de corporações globais de peso como Apple, Samsung e também de empresas chinesas proeminentes como Xiaomi, Oppo e Vivo. A Apple, em particular, deu início à montagem de seus iPhones no território indiano em 2017 e, desde então, tem ampliado progressivamente sua capacidade produtiva através de parceiros como a Foxconn e o Grupo Tata. Atualmente, aproximadamente um quarto de todos os iPhones são produzidos na Índia. Essa estratégia de descentralização das cadeias de suprimentos, afastando-se da concentração na China, é um pilar fundamental para a gigante de Cupertino.

Em um desenvolvimento recente, as autoridades indianas deram luz verde a uma parceria estratégica para a fabricação de celulares entre a chinesa Vivo e a empresa de eletrônicos indiana Dixon Technologies. Com o intuito de dinamizar ainda mais o segmento, foi implementada a remoção de tarifas de importação para certos componentes de telefones e outros dispositivos eletrônicos. Essa medida tem o potencial de diminuir os custos operacionais para uma série de fabricantes, incluindo nomes como Apple e Xiaomi, tornando a produção local mais competitiva.

O longo caminho para desafiar a hegemonia chinesa na indústria

Embora os progressos sejam notáveis, a Índia ainda enfrenta uma trajetória considerável para conseguir suplantar a proeminência chinesa no setor. No ano de 2025, a China detinha uma fatia impressionante de 63% da produção mundial de smartphones, em contraste com os 18% da Índia, conforme dados levantados pela Counterpoint Research. Essa disparidade sublinha a escala e a complexidade do robusto ecossistema de manufatura e fornecedores que Nova Deli se empenha em estabelecer.

Analistas do mercado enfatizam uma alteração na abordagem estratégica indiana. Navkendar Singh, vice-presidente associado da IDC, salientou que a recém-lançada iniciativa representa uma evolução do paradigma de “apenas montar mais” para um foco em “aprofundamento tecnológico, pesquisa e desenvolvimento, e agregação de valor local”. Ele observou que, embora a Índia tenha demonstrado excelência na etapa final de montagem, ainda persiste uma dependência significativa de componentes provenientes do exterior. Tarun Pathak, diretor de pesquisa da Counterpoint Research, complementou que a manufatura local pode gerar benefícios duradouros, sobretudo em um cenário onde a depreciação da rupia indiana torna os produtos importados mais caros.

Foco na criação de empregos e no fortalecimento de marcas indianas

As políticas de estímulo econômico projetam a geração de cerca de 60.000 novas vagas de trabalho diretas no segmento de fabricação de aparelhos móveis. Adicionalmente, o governo indiano estabeleceu como objetivo prioritário a promoção e o crescimento de marcas nacionais de telefones celulares. Ashwini Vaishnaw, que ocupa o cargo de ministro da Tecnologia da Informação da Índia, ressaltou que o plano para smartphones contempla um bônus extra de 3% sobre as vendas qualificadas, especificamente direcionado para atividades de design e pesquisa de produtos, com a finalidade explícita de impulsionar a criação e o reconhecimento de marcas indianas.

Historicamente, a Índia já abrigou fabricantes de telefones móveis de origem local, como Micromax, Karbonn e Lava. Contudo, essas empresas viram sua participação de mercado minguar drasticamente diante da investida agressiva de concorrentes chinesas como Xiaomi, Vivo e Oppo, que atualmente controlam uma parcela considerável do mercado de smartphones no território indiano. O propósito central das novas iniciativas é inverter essa trajetória e consolidar a atuação de companhias indianas no cenário tecnológico.

Ambição da Índia de criar um ecossistema eletrônico robusto e autossuficiente

As aspirações da indústria de smartphones da Índia transcendem a mera promoção de marcas locais. Pankaj Mohindroo, presidente da India Cellular and Electronics Association, uma entidade que congrega gigantes como Apple e Google, declarou que a nação almeja atingir uma participação entre 35% e 40% na produção global de aparelhos celulares. A política recém-implementada, em sua visão, tem o potencial de fomentar o desenvolvimento de redes de fornecedores, aprimorar a experiência em engenharia e consolidar o conhecimento de manufatura indispensáveis para que a Índia aprofunde sua inserção nas cadeias de suprimentos tecnológicas mundiais.

O investimento concomitante da Índia tanto em celulares quanto em semicondutores evidencia um esforço coordenado por parte do governo de Nova Deli para edificar um ecossistema de fabricação de eletrônicos de alta complexidade. Este tipo de ecossistema foi, por muitos anos, a base da supremacia produtiva da China. O sucesso expressivo na montagem de iPhones já serviu como prova de que o país tem capacidade de assumir uma posição mais relevante na manufatura global. O maior obstáculo, contudo, será assegurar que os fornecedores, a tecnologia de ponta e os processos de produção de maior valor agregado acompanhem e reforcem essa evolução.