
Crédito: Formula1.com
A Fórmula 1 celebra quatro décadas desde sua primeira incursão além da Cortina de Ferro, marcando presença no recém-construído autódromo de Hungaroring, nos arredores da vibrante capital húngara, Budapeste. Esse movimento, em 1986, não apenas expandiu o alcance global da categoria, mas também consolidou o circuito como um palco de corridas memoráveis, conhecido por sua pista sinuosa que desafia os pilotos a cada volta.
Desde sua estreia histórica, o Grande Prêmio da Hungria se tornou uma etapa fixa e muito aguardada no calendário da Fórmula 1, tradicionalmente ocorrendo durante o auge do verão europeu. Ao longo dos anos, a prova entregou uma série de eventos dramáticos e reviravoltas inesperadas, incluindo estreias de vencedores, recuperações espetaculares e confrontos intensos que entraram para a história do automobilismo.
Essas quatro décadas foram repletas de episódios que cativaram fãs ao redor do mundo, solidificando o Hungaroring como um local de lendas. A seguir, revisitamos alguns dos momentos mais icônicos que marcaram a trajetória deste desafiador circuito.
A temporada de 1989 viu Nigel Mansell iniciar sua jornada na Ferrari com uma vitória no Brasil, no Circuito de Jacarepaguá. Contudo, as corridas seguintes não corresponderam às expectativas, e a situação parecia piorar na Hungria, onde o “Leão” obteve uma modesta 12ª posição no grid de largada.
No dia da corrida, Mansell demonstrou uma performance impressionante, escalando o pelotão de forma incisiva. Na metade da prova, ele já estava na cola do líder Ayrton Senna, que se mostrava um adversário difícil de superar. O ponto de virada ocorreu quando Senna hesitou ao tentar ultrapassar o retardatário Stefan Johansson na Curva 3; Mansell aproveitou a brecha, mergulhando por dentro para ultrapassar ambos em uma única manobra ousada. Essa liderança foi convertida em uma vitória célebre, no mesmo autódromo onde, três anos mais tarde, ele selaria seu título mundial de 1992 pela Williams.
Após conquistar o título mundial em 1996, Damon Hill perdeu seu assento na Williams e, para a temporada de 1997, encontrou refúgio na equipe Arrows, então considerada uma escuderia de meio de pelotão, na melhor das hipóteses. Hill havia somado apenas um ponto nas dez primeiras etapas do campeonato, enfrentando uma sequência de quatro abandonos e uma falha na largada. No entanto, no Hungaroring, o Arrows A18, equipado com pneus Bridgestone, surpreendeu com um desempenho notável.
Hill garantiu a terceira posição no grid, seu melhor resultado na temporada, e rapidamente superou Jacques Villeneuve e Michael Schumacher para assumir a liderança, abrindo uma vantagem considerável. O piloto britânico mantinha uma folga de 34 segundos, mas a apenas três voltas do fim, uma falha hidráulica atingiu seu carro.
Hill lutou desesperadamente para segurar a ponta, mas não conseguiu evitar a ultrapassagem de Villeneuve na última volta, contentando-se com o segundo lugar. Foi um desfecho cruel para Hill e para a Arrows, uma equipe que jamais conquistaria uma vitória em Grandes Prêmios.
O Grande Prêmio da Hungria de 1998 exemplificou o auge do domínio de Michael Schumacher na era Ferrari, em parceria com o gênio da engenharia Ross Brawn. A McLaren havia monopolizado a primeira fila do grid na classificação, com Mika Hakkinen largando da pole position e Schumacher posicionado em terceiro.
No entanto, Brawn orquestrou uma mudança estratégica para Schumacher, optando por um plano de três paradas nos boxes – uma decisão que se revelou um golpe de mestre. O ritmo acelerado de Schumacher, em uma época que permitia o reabastecimento durante a corrida, foi tão eficaz que ele emergiu de seu último pit stop já na liderança. O piloto alemão seguiu para uma vitória crucial que reacendeu suas chances na disputa pelo campeonato daquele ano.
Em uma temporada marcada por notáveis oscilações de desempenho entre as principais equipes e na estreia do formato de classificação de volta única, Fernando Alonso e a Renault brilharam no Hungaroring em 2003. O piloto espanhol já havia demonstrado seu talento em 2001, durante sua campanha de estreia pela equipe Minardi, e no início de 2003, conquistou sua primeira pole position e pódio na Malásia, além de ter desafiado Michael Schumacher pela liderança em sua terra natal, na Espanha.
Na Hungria, todas as peças se encaixaram perfeitamente para Alonso. Ele garantiu a pole position com uma vantagem de um quarto de segundo e rapidamente se distanciou dos adversários, chegando a colocar uma volta sobre seu companheiro de equipe, Jarno Trulli, e até mesmo sobre o então campeão mundial, Michael Schumacher.
Ao cruzar a linha de chegada, Alonso se tornou o mais jovem vencedor da Fórmula 1 até aquele momento, aos 22 anos, e o primeiro piloto espanhol a triunfar em um Grande Prêmio.
Em 2006, Jenson Button enfrentava o risco de ser categorizado como um “quase-vencedor” na Fórmula 1, acumulando respeitáveis 13 pódios e três pole positions, mas ainda sem uma vitória em seu nome. A tendência parecia se manter quando seu motor Honda falhou durante o treino livre, resultando em uma punição de 10 posições no grid de largada, o que transformou sua quarta posição na classificação em um distante 14º lugar.
Sua campanha, até então discreta, parecia destinada a continuar sem brilho. Contudo, a chuva impactou uma corrida na Hungria pela primeira vez na história, e Button demonstrou um ritmo impressionante, galgando posições rapidamente. O líder inicial, Kimi Raikkonen, abandonou a prova após colidir com o retardatário Vitantonio Liuzzi. Pouco depois, Fernando Alonso foi jogado contra as barreiras após uma porca de roda se soltar, logo após a troca para pneus slicks em uma pista que secava.
Button herdou a liderança, manteve a calma e venceu com uma vantagem de meio minuto, um momento catártico para sua carreira.
A maior parte do drama que se desenrolou no Grande Prêmio da Hungria de 2007 não ocorreu durante a corrida, mas sim nos momentos finais da sessão de classificação, envolvendo os companheiros de equipe da McLaren, Lewis Hamilton e Fernando Alonso, que já mantinham uma rivalidade acirrada. Hamilton saiu para a pista à frente de Alonso no início do Q3, desrespeitando as instruções da equipe de manter a ordem.
Alonso retaliou nos minutos finais ao permanecer parado nos boxes, logo à frente de Hamilton, apesar de receber ordens para seguir. Com essa manobra, Alonso conseguiu completar uma volta rápida e garantir a pole position. No entanto, Hamilton, como Alonso havia planejado, ficou sem tempo suficiente para completar sua volta de saída e, consequentemente, foi impedido de realizar sua segunda tentativa no Q3.
Os comissários puniram Alonso com uma penalidade de cinco posições no grid, e a McLaren teve seus pontos retirados da corrida de domingo, além de não poder receber o troféu de Construtores no pódio, caso vencesse. Hamilton, por sua vez, triunfou no Grande Prêmio de domingo, em meio ao caos.
Em um Grande Prêmio da Hungria de 2014, marcado por condições climáticas instáveis entre seco e molhado, os rivais pelo título Nico Rosberg e Lewis Hamilton partiram de posições extremas no grid, após Hamilton sofrer uma falha no Q1. Contudo, nenhum dos pilotos da Mercedes conseguiu a vitória naquele dia. Rosberg perdeu terreno devido ao timing do Safety Car na fase inicial da corrida, que foi pontuada por acidentes graves envolvendo Marcus Ericsson e Sergio Perez – com Sebastian Vettel quase se juntando a eles no muro.
Fernando Alonso acabou liderando, seguido por um Hamilton em recuperação e um Daniel Ricciardo com pneus mais novos. Foi o estreante da Red Bull quem se destacou.
Ricciardo ultrapassou Hamilton na Curva 2 antes de mergulhar à frente de Alonso na Curva 1, a apenas duas voltas do fim, consolidando uma vitória memorável e emocionante.
Max Verstappen assegurou sua primeira pole position na Hungria em 2019, um marco significativo em sua carreira na Fórmula 1. O jovem piloto da Red Bull conseguiu manter a posição de pista nos estágios iniciais da corrida, demonstrando sua habilidade e a força de seu carro no desafiador traçado do Hungaroring.