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Governo dos EUA defende restrição a jornalistas na Casa Branca em embate judicial

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos oficializou a defesa em tribunal federal da prerrogativa da Presidência de negar o acesso de correspondentes de grandes veículos de comunicação às dependências da Casa Branca. A argumentação do governo foi apresentada na terça-feira (22), focando na proteção da segurança nacional, poucas horas antes do início da análise de uma ação movida em conjunto pelas empresas jornalísticas.

Defesa Governamental e o Alcance da Autoridade Presidencial

Em um documento submetido ao juiz distrital Timothy Kelly, o Departamento de Justiça argumentou que a circulação de profissionais de imprensa em áreas restritas do complexo presidencial, como o Salão Oval, não se configura como um direito constitucionalmente garantido. Pelo contrário, a entrada seria uma concessão discricionária do Poder Executivo.

Bandeiras americanas e a Casa Branca ao fundo Crédito: Mixvale.com.br

A entidade governamental reforçou perante a corte que, “no mínimo, o governo pode controlar o acesso de repórteres a áreas presidenciais restritas, como o Salão Oval, mesmo por razões discriminatórias em relação a pontos de vista”. Tal posicionamento alinha-se à visão do ex-presidente Donald Trump, que considera a presença de repórteres no local um privilégio administrativo passível de revogação imediata.

Justificativas da Casa Branca para as Restrições de Credenciais

A Casa Branca enviou notificações formais às direções da CNN, MS NOW e Politico, apontando supostas violações de padrões de decoro e riscos à segurança interna. As justificativas detalhadas pelo governo indicam que a CNN teria veiculado reportagens sobre projetos de construção de um abrigo subterrâneo na Ala Leste e a condução de operações militares relativas ao Irã.

A emissora MS NOW foi notificada por sua cobertura de investigações sobre vazamentos internos e decisões estratégicas também ligadas ao Irã. Já o Politico recebeu contestações por matérias que abordavam o financiamento do salão de eventos, a atuação no Oriente Médio e discussões envolvendo sanções direcionadas à Rússia.

A Resposta das Empresas de Mídia e a Primeira Emenda

Na petição protocolada em conjunto perante o Judiciário, as três organizações de notícias solicitaram a concessão de uma medida liminar urgente para restabelecer os acessos que foram revogados. As empresas declararam no documento que a proibição imposta pelo Poder Executivo atinge garantias fundamentais previstas na Constituição do país.

“Esta proibição não poderia ser um ataque mais direto à Primeira Emenda, nem uma violação mais flagrante de nossos princípios constitucionais mais fundamentais”, afirmaram os veículos em seu requerimento judicial, sublinhando a importância da liberdade de imprensa para a democracia.

Precedente Judicial e o Papel do Juiz Timothy Kelly

Este litígio atual ecoa um embate legal similar ocorrido em 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump, quando a administração tentou revogar o passe de imprensa do correspondente Jim Acosta, da CNN. Naquela ocasião, o caso também foi julgado pelo juiz Timothy Kelly, que havia sido nomeado por Trump para o tribunal federal no ano anterior.

O magistrado concedeu uma liminar determinando a imediata devolução da credencial do jornalista. Sua decisão se baseou no princípio do devido processo legal, apontando a ausência de notificação prévia e de oportunidade de defesa antes que a penalidade fosse aplicada. Este precedente é crucial para o julgamento atual, pois estabelece um histórico de como o mesmo juiz interpretou questões similares de acesso à imprensa.

Próximos Passos no Calendário da Disputa Judicial

A disputa legal entre a Casa Branca e os veículos de imprensa segue um cronograma definido pelo tribunal:

  • 19 de setembro de 2026: O Serviço Secreto recolhe e desativa os passes de imprensa dos correspondentes da CNN, MS NOW e Politico na Casa Branca.
  • 21 de setembro de 2026: CNN, MS NOW e Politico entram com processo conjunto no Tribunal Distrital de Washington.
  • 22 de setembro de 2026: O Departamento de Justiça protocola sua resposta perante o tribunal, e a Casa Branca remete justificativas às redações.
  • 23 de setembro de 2026: Audiência por videoconferência com o juiz Timothy Kelly é iniciada para avaliar o pedido de liminar.
  • 25 de setembro de 2026: Prazo estipulado pelo tribunal para as empresas de mídia apresentarem formalmente suas objeções aos argumentos do governo.

As organizações jornalísticas têm até a próxima sexta-feira, dia 25 de setembro, para apresentar suas considerações finais em resposta aos argumentos formalizados pelos advogados do governo federal, antes de uma decisão sobre a liminar.