
Google lança Google Pics, ferramenta de IA para disputar mercado com o Canva – Mix Vale Crédito: Mixvale.com.br
A Google, gigante tecnológica sediada em Mountain View, Califórnia, implementou uma série de cinco modificações globais em suas funcionalidades de inteligência artificial, o Modo IA e as Visões Gerais de IA. O objetivo principal é aumentar a visibilidade e a frequência de exibição de links para veículos de notícias nos resultados de busca. Esta revisão, divulgada na última quinta-feira (15), surge como uma resposta direta às preocupações manifestadas por empresas de mídia, que reportavam uma diminuição no acesso de leitores devido à crescente predominância de resumos gerados automaticamente pela plataforma.
Em uma declaração oficial sobre as recentes inovações, Hema Budaraju, vice-presidente de Gestão de Produto do Google Search, esclareceu a intenção por trás do aprimoramento visual. Segundo a executiva, a meta é “aprimorar o Modo IA e as Visões Gerais de IA com links incorporados mais evidentes, informações contextuais sobre as origens, artigos recentes e outros recursos para auxiliar na exploração do conteúdo mais relevante da web”. O documento da empresa assegura um “crescimento contínuo e expressivo na inclusão de links diretos nas nossas interações com a inteligência artificial”.
A modificação técnica mais significativa implementada pela plataforma envolve a presença de links diretamente inseridos nos textos, conhecidos como links inline. Esses elementos agora aparecerão com maior frequência e em posições privilegiadas, logo no início dos trechos produzidos pela inteligência artificial. Conforme a empresa, o propósito dessa alteração é “assegurar que as fontes primárias sejam prontamente acessíveis no momento exato em que o usuário necessita”, simplificando a navegação do resumo automatizado para o site que gerou a informação original.
Além disso, os painéis de notícias recentes, exibidos logo abaixo dos sumários gerados por inteligência artificial, terão sua abrangência estendida para um número maior de nações e idiomas. Essa área dedicada exibe títulos com imagens associadas e prioriza os portais que os usuários já indicaram como “Fontes Preferidas”. O uso dessa funcionalidade pelos internautas do buscador registrou um aumento de sete vezes desde o começo do ano de 2026, indicando uma forte adesão.
A seção denominada “Aprofunde-se”, que complementa certas respostas automáticas com recomendações de páginas relacionadas, passará a incluir miniaturas de imagens e um design com botões otimizados para clique. Simultaneamente, a plataforma de busca lançou dois experimentos de interface: o primeiro consiste em uma área superior nas respostas, dedicada a realçar um ou dois links de fontes oficiais cruciais para a execução de tarefas específicas – como consultar políticas de reembolso de uma empresa aérea –, com uma breve descrição da relevância de cada link; o segundo experimento converte os nomes de criadores e de veículos de mídia, presentes nos resultados de vídeos do Modo IA, em links ativos, direcionando o usuário para os perfis de busca desses produtores de conteúdo.
Essas modificações no sistema de busca surgem na esteira do relatório “2026 Generative AI Landscape”, divulgado pela Similarweb, uma empresa especializada em monitoramento digital. A análise, que compilou dados globais entre junho de 2025 e maio de 2026, revelou que portais de notícias e editoras foram a única categoria de grande porte na internet a registrar uma queda de audiência no período de um ano, com uma retração de 5% no volume médio de visitantes únicos mensais. Isso resultou em uma audiência global de 1,4 bilhão de visitantes únicos por mês para o setor. Em contraste, as plataformas de inteligência artificial generativa experimentaram um crescimento expressivo de 57% na média mensal de visitantes únicos no mesmo período, atingindo a marca de 655 milhões de usuários por mês e um total de 9,5 bilhões de visitas mensais na web, o que representa um aumento de 70% no tráfego geral.
Enquanto o segmento jornalístico observava uma diminuição em sua audiência, conforme o levantamento anual da Similarweb, outros setores da internet demonstraram uma trajetória de expansão entre junho de 2025 e maio de 2026. Os mecanismos de busca convencionais apresentaram um crescimento de 2% nesse intervalo, alcançando uma média global de 3,3 bilhões de visitantes únicos mensais — um volume aproximadamente cinco vezes maior que a base de usuários dos chatbots de inteligência artificial. Paralelamente, os segmentos de e-commerce e de plataformas de redes sociais registraram um avanço de 7% cada.
Apesar da redução no número de acessos diretos aos portais de notícias, é notável que o conteúdo produzido pela imprensa desempenha um papel fundamental no suporte de grande parte das ferramentas de conversação. O estudo da Similarweb revelou que o material proveniente de veículos jornalísticos corresponde a 26% de todas as referências utilizadas nas respostas do ChatGPT em pesquisas realizadas em computadores desktop nos Estados Unidos. Essa porcentagem fica ligeiramente abaixo apenas da categoria de sites de avaliações e conteúdo gerado por usuários, que ocupa a primeira posição com 28,9% de participação.
A prática de manter os leitores nas páginas de resultados com respostas automáticas gerou contestações legais nos Estados Unidos, onde diversas editoras e portais de notícias entraram com ações judiciais contra o Google. As empresas alegam perdas comerciais significativas devido à diminuição do tráfego de referência. O juiz federal Amit Mehta, atuante em Washington, reconheceu, durante a análise de processos recentes, a dificuldade enfrentada pelas companhias jornalísticas, embora tenha evitado classificar a conduta da gigante tecnológica como uma violação das leis antitruste.
A interação entre a plataforma e o segmento de mídia também abrange parcerias comerciais e questionamentos acerca da clareza das métricas. No mesmo dia 15 de outubro de 2026, a companhia, sob a liderança de Nick Fox, executivo responsável pela área de Busca do Google, anunciou que seu programa experimental de licenciamento de conteúdo jornalístico para inteligência artificial (News AI pilot program) já conta com mais de 400 veículos parceiros globalmente, incluindo nomes como CNN, Financial Times, Forbes e Axios. Contudo, as editoras ressaltam que o Google Search Console — a ferramenta de monitoramento de desempenho de sites na busca — ainda não diferencia com precisão os dados de cliques e tráfego provenientes especificamente do Modo IA e das Visões Gerais de IA, o que dificulta para os jornais verificar se as recentes mudanças visuais realmente impulsionam o número de visitas.