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Proprietários de smartwatches da série Samsung Galaxy Watch têm reportado uma série de incidentes preocupantes, incluindo o surgimento de marcas vermelhas circulares, irritação cutânea e bolhas preenchidas por líquido nos pulsos. Essas ocorrências, registradas a partir de terça-feira, 20 de outubro de 2026, são acompanhadas pelo esgotamento completo da bateria de ao menos cinco modelos distintos dos dispositivos durante o período de sono.
A mais recente onda de reclamações ganhou visibilidade na plataforma Reddit, especificamente na comunidade r/samsunggalaxy. Lá, o usuário “ksima_03”, proprietário de um Galaxy Watch 5 Pro, compartilhou fotografias da lesão que sofreu. “Eu dormi com meu relógio, como fiz nos últimos três anos, e acordei com uma queimadura no braço. O relógio estava com carga máxima ao deitar, completamente descarregado ao acordar, e agora não liga mais”, descreveu o consumidor.
Conforme o depoimento de ksima_03, seu Galaxy Watch 5 Pro apresentava 100% de carga antes de ser usado para dormir e nunca havia demonstrado qualquer falha nos três anos anteriores de uso ininterrupto. O usuário expressou dúvidas sobre a possibilidade de ter seu equipamento substituído, visto que o aparelho sofreu um desligamento permanente na mesma madrugada em que a lesão surgiu em seu pulso.
Além das postagens no Reddit, evidências fotográficas e relatos de experiências semelhantes foram divulgados no Facebook e nos fóruns oficiais da Samsung. As marcas avermelhadas, descritas pelos consumidores, têm um formato circular característico e aparecem precisamente na área do pulso que mantém contato direto com o conjunto de sensores BioActive, um componente óptico vital para o monitoramento de saúde, situado na parte inferior dos relógios. Os casos compilados até quarta-feira (21) envolvem pelo menos cinco modelos da empresa sul-coreana.
Duas principais frentes de investigação procuram esclarecer a causa dos ferimentos e o comportamento anômalo das baterias nos relógios Samsung, embora ainda não haja uma conclusão definitiva. A primeira teoria técnica para os episódios de desligamento inesperado sugere a execução descontrolada de processos em segundo plano. Essa condição pode forçar o processador a operar em sua capacidade máxima durante toda a noite, resultando em uma descarga abrupta da energia e gerando calor localizado intenso, capaz de ultrapassar os limites de proteção térmica do sistema antes do desligamento automático do aparelho.
Por outro lado, orientações médicas e estudos sobre o uso prolongado de dispositivos vestíveis indicam que algumas ocorrências podem ser atribuídas a dermatite de contato ou irritação severa. Fatores como atrito, pulseira excessivamente apertada, acúmulo de suor, umidade retida ou falta de limpeza na base do acessório podem contribuir para esses quadros. A Academia Americana de Dermatologia aponta que reações por contato ou fricção podem causar ardência, coceira, sensação de queimação e até bolhas com líquido. Contudo, a simultaneidade dessas lesões com o esgotamento súbito da bateria mantém acesa a suspeita de queimaduras térmicas reais, tanto entre usuários quanto entre especialistas.
Preocupações com o controle de temperatura e reações cutâneas não são novidade no setor de tecnologia vestível, tendo afetado tanto gerações anteriores da própria Samsung quanto empresas concorrentes. Recentemente, os modelos Galaxy Watch 9 e Galaxy Watch Ultra 2 foram alvo de críticas por parte dos consumidores devido à lentidão no carregamento da bateria. Esse comportamento é provocado pelo recurso de limitação térmica (thermal throttling), um mecanismo projetado para reduzir a velocidade de recarga e prevenir o superaquecimento dos componentes internos.
Em 2022, foi documentado o caso de um consumidor que sofreu uma queimadura de terceiro grau, supostamente associada ao uso de um Galaxy Watch Active 2. No mesmo ano, a fabricante Fitbit realizou um recall do modelo Fitbit Ionic após registrar 174 reclamações de superaquecimento da bateria. Além disso, proprietários dos relógios Apple Watch Series 12 e Apple Watch Ultra 4 também reportaram casos recentes de irritação na pele, evidenciando que desafios relacionados à segurança e conforto são recorrentes na indústria de wearables.
Até o momento, a causa exata das lesões nos pulsos e do esgotamento abrupto de energia não foi confirmada por nenhuma perícia independente. Até a data de publicação dos levantamentos, na quinta-feira (22), a Samsung não havia emitido um comunicado oficial reconhecendo qualquer falha de fabricação, defeito de hardware nos sensores ou erro de software relacionado aos incidentes reportados.
Em suas plataformas de suporte e nas respostas diretas aos clientes afetados, a Samsung orienta os usuários a manterem a parte inferior do relógio e a pele limpas e secas, além de ajustarem a pulseira de forma que não fique excessivamente apertada. Caso o consumidor perceba aquecimento incomum, dor ou desconforto, a instrução da empresa é remover o aparelho do pulso imediatamente, buscar avaliação médica se houver formação de bolhas ou marcas de queimadura e encaminhar o dispositivo para inspeção em uma assistência técnica autorizada.