
Participantes do Burnig Man, evento de contracultura em deserto de Nevada — Foto: Reprodução/X Crédito: Extra.globo.com
O renomado festival de contracultura Burning Man, realizado anualmente no deserto de Black Rock, em Nevada, Estados Unidos, foi palco de duas mortes em um curto intervalo de dois dias nesta edição. Os incidentes adicionam uma camada de preocupação ao evento que reúne dezenas de milhares de pessoas, especialmente porque ocorrem com o pano de fundo de um homicídio brutal e ainda não esclarecido da edição anterior.
No último sábado, dia 5 de setembro, Craig Mann, de 60 anos, foi encontrado sem vida por outros participantes em Black Rock City, o acampamento temporário do festival. A organização do evento confirmou a descoberta do corpo sob condições de chuva intensa, mas a causa da morte de Mann ainda não foi tornada pública. O projeto Burning Man expressou suas mais profundas condolências à família, amigos e companheiros de acampamento do falecido.
Dois dias antes, na quinta-feira, 3 de setembro, outro participante, um homem na faixa dos 50 anos, enfrentou uma emergência médica grave. Sua identidade não foi divulgada. De acordo com relatos da organização, esforços de salvamento foram imediatamente aplicados antes que ele fosse levado às pressas para o centro de atendimento de emergência montado no próprio local do festival, onde foi declarado morto pouco tempo depois. A organização do Burning Man lamentou profundamente o ocorrido.
As mortes recentes reacendem a atenção para um caso trágico e ainda sem resolução ocorrido no festival no ano anterior. Em 30 de agosto de 2025, Vadim Kruglov, um homem russo de 37 anos residente no estado de Washington, foi encontrado assassinado dentro de uma barraca no deserto de Black Rock. Seu corpo estava em uma poça de sangue por volta das 21h15, exatamente enquanto a icônica estátua do “Homem” era consumida pelas chamas.
A investigação do homicídio de Kruglov, que já dura um ano, revelou detalhes perturbadores. Uma faca foi encontrada cravada em seu pescoço, e a autópsia não indicou ferimentos de defesa, sugerindo que a vítima teve pouca ou nenhuma chance de reação. As autoridades acreditam que Vadim foi morto no local onde seu corpo foi descoberto, dentro da barraca vermelha e branca.
Uma das maiores lacunas na investigação refere-se às aproximadamente quatro horas entre o horário estimado da morte de Vadim e o momento em que ele foi encontrado. Os “Black Rock Rangers”, voluntários do festival que oferecem assistência, teriam levado Kruglov a um hospital temporário no evento, o Rampart, onde ele recebeu atendimento médico e foi liberado por volta das 17h do dia 30 de agosto.
Contudo, os investigadores não conseguiram rastrear seus movimentos entre a liberação e as 21h14, quando foi encontrado com o ferimento fatal. Anteriormente naquela mesma madrugada, por volta das 2h, Vadim havia sido visto atuando como DJ ao lado de dois homens em um acampamento próximo, não muito distante de onde seu corpo seria encontrado. Apesar de centenas de pistas, as autoridades ainda não conseguiram identificar esses indivíduos.
O Burning Man, um evento com raízes em 1986 e que se mudou para o deserto em 1990, é conhecido por sua proposta de experimentação comunitária e social, focando em arte, autoexpressão e cultura. Ele atrai dezenas de milhares de pessoas de todo o mundo interessadas em uma experiência transformadora, baseada em princípios como autossuficiência radical e deixar nenhum rastro.
A edição atual do festival, que começou em 30 de agosto e termina nesta segunda-feira, 7 de setembro, com a tradicional queima da gigantesca escultura, enfrentou outros desafios. Uma forte tempestade de areia no início do evento destruiu diversas tendas, incluindo o popular Domo da Orgia, que foi substituído por um ônibus. Além disso, um caso inusitado envolveu uma mulher que deu à luz no festival sem saber que estava grávida.
Apesar do espírito libertário, a organização do Burning Man reitera que o evento não tolera atividades ilegais e diversas agências policiais patrulham Black Rock City, com risco de multas, prisões ou despejo para quem infringir a lei. Os recentes incidentes, no entanto, colocam em xeque a segurança e a capacidade de resposta em um ambiente tão vasto e desafiador, levantando questões sobre como o festival lidará com esses eventos em edições futuras.