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Uma espetacular formação atmosférica, conhecida como nuvem prateleira ou shelf cloud, cobriu parcialmente a orla da Praia do Morro das Pedras, em Florianópolis, na manhã desta terça-feira, 21 de setembro. O evento visualmente impactante, registrado por volta das 7h30, foi um dos sinais da instabilidade climática que se alastra por Santa Catarina.
A aparição da gigantesca massa de nuvens na capital catarinense é resultado de um complexo sistema de instabilidades meteorológicas que teve origem no Rio Grande do Sul e avançou progressivamente em direção ao litoral de Santa Catarina. Segundo o meteorologista Caio Guerra, da Defesa Civil estadual, a formação da nuvem prateleira precede sistemas tempestuosos de grande porte.
Para que estruturas atmosféricas de tal dimensão se desenvolvam, é necessária uma convecção altamente organizada. Guerra explicou que esse sistema começou distante da região, e a nuvem de tipo prateleira atuou como uma vanguarda das tempestades que se aproximavam, trazendo consigo rajadas de vento consideravelmente mais fortes que o padrão.
Esse tipo específico de nuvem se caracteriza por uma forma curva ou semicircular, arranjada em camadas horizontais. Sua formação ocorre no ponto de encontro entre uma corrente de ar quente que ascende e uma camada de ar mais frio que se encontra abaixo. A presença de uma nuvem prateleira é, via de regra, um indicativo claro de que tempestades severas estão por vir.
O meteorologista Caio Guerra reforçou que a nuvem prateleira observada em Florianópolis foi apenas o início da manifestação de um sistema maior. A expectativa é que novas tempestades atinjam a região ao longo do dia, mantendo o estado em alerta para eventos climáticos adversos.
Horas antes da formação na capital, praias do Sul de Santa Catarina foram atingidas por um tsunami meteorológico, um fenômeno distinto, mas também associado a rápidas e intensas variações de pressão atmosférica causadas por sistemas climáticos severos. Este evento provocou estragos significativos na região.
As ondas do tsunami meteorológico persistiram por cerca de 15 minutos, fazendo o mar avançar rapidamente sobre a faixa de areia. A força da água foi tamanha que embarcações foram destruídas e um estabelecimento comercial à beira-mar teve sua estrutura invadida pelas águas.
A Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina mantém um monitoramento rigoroso das condições meteorológicas. As instabilidades, que começaram na divisa com o Rio Grande do Sul, devem se deslocar para outras áreas catarinenses, com um pico de intensidade previsto para o período da tarde e noite.
Em um comunicado oficial, o órgão classificou como alto a muito alto o risco de ocorrências como destelhamentos, interrupções na rede elétrica, queda de galhos e árvores, alagamentos urbanos, enxurradas e deslizamentos de terra. A população deve permanecer atenta às orientações das autoridades.