
O americano Tim Kennedy (ao centro), ex-lutador do UFC, foi baleado quando estava em missão armada privada no Congo — Foto: Reprodução/Facebook Crédito: Extra.globo.com
O ex-lutador de peso-médio do UFC e veterano das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos, Tim Kennedy, foi atingido por três disparos durante uma operação como prestador de serviços de segurança privada na República Democrática do Congo (RDC). O incidente ocorreu em meio a um cenário de conflito intenso que assola o leste do país africano.
Kennedy, de 47 anos, fazia parte de uma equipe de operações recrutada pela empresa Vectus Global para uma missão no Kivu do Sul, uma das províncias congolesas mais afetadas pela instabilidade. Em 17 de setembro, o grupo foi alvo de uma emboscada violenta, que resultou em aproximadamente 20 pessoas feridas ou mortas. O ex-atleta sobreviveu ao ataque, apesar de ter sido atingido por três tiros nas pernas.
Após o incidente, Kennedy foi prontamente transportado de volta para os Estados Unidos. Atualmente, ele se encontra em estado estável e recebendo tratamento no Centro Médico Militar Nacional Walter Reed, localizado em Bethesda, Maryland. A rápida evacuação e o atendimento especializado foram cruciais para sua recuperação.
A Vectus Global, responsável pela contratação de Kennedy e sua equipe, foi fundada por Erik Prince, conhecido por ser o proprietário original da polêmica empresa militar privada Blackwater. A missão da Vectus Global na RDC envolvia uma série de objetivos estratégicos: proteger as receitas de mineração do governo congolês, combater o contrabando de recursos e auxiliar na arrecadação de impostos. A presença de empresas de segurança privada em zonas de conflito, como a RDC, reflete a crescente tendência global de terceirização de serviços militares e de segurança, muitas vezes preenchendo lacunas onde as forças estatais são insuficientes ou ineficazes. Essa prática, embora controversa, é vista por alguns como um meio de estabilizar regiões e proteger interesses econômicos vitais.
A República Democrática do Congo, anteriormente conhecida como Zaire, enfrenta uma grave crise humanitária e um conflito armado prolongado, concentrado principalmente na região leste. Esse cenário é impulsionado pelo avanço do grupo rebelde M23, uma coalizão congolesa que, segundo o governo da RDC, recebe apoio de milhares de soldados ruandeses.
O M23 conseguiu tomar o controle de áreas estratégicas no leste do país, incluindo a importante cidade de Goma e partes das províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, onde Kennedy foi ferido. O governo congolês acredita que a emboscada que atingiu o grupo de segurança foi orquestrada por essas forças rebeldes, que seriam apoiadas pela nação vizinha, Ruanda.
Este conflito prolongado já resultou em milhões de deslocados internos e centenas de milhares de novos refugiados na região dos Kivus. A situação agrava drasticamente a escassez de alimentos e aumenta exponencialmente o risco de violência contra a população civil. Em resposta à escalada da crise, o governo da República Democrática do Congo cortou relações diplomáticas com Ruanda, acusando o país vizinho de violação de fronteiras e ocupação territorial, o que eleva ainda mais as tensões regionais.