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Ex-executivo da Capcom detalha impacto negativo de Resident Evil Code: Veronica e bastidores de RE7

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Um ex-gerente sênior de produção global da Capcom, Miguel E. Corti, fez revelações surpreendentes sobre a história da franquia Resident Evil, atribuindo ao jogo “Resident Evil CODE: Veronica” um impacto diretamente negativo na direção da série de terror. As declarações foram publicadas no domingo (18), por volta das 14h37, em uma sequência de 66 postagens na rede social Bluesky, que detalhavam os bastidores da desenvolvedora e foram posteriormente removidas. Na visão do executivo, o título lançado em 2000 foi o ponto de partida para a fase mais focada em ação, vista em “Resident Evil 5” e “Resident Evil 6”.

Corti, que ingressou na empresa japonesa em 2007, participou ativamente da produção de diversos jogos da saga. Em sua avaliação, o game do console Sega Dreamcast marcou o instante exato em que a franquia abandonou sua essência original, pavimentando o caminho para uma abordagem menos centrada no survival horror tradicional.

Crédito: Mixvale.com.br

“Todos sempre mencionam os três primeiros jogos de RE e parecem esquecer de Code Veronica. Existe uma linha direta de CV até RE 5 e 6; CV é o jogo em que a série saiu dos trilhos ao tentar enfiar o máximo de locais e tramas que um disco de Dreamcast conseguia comportar”, declarou Corti em suas publicações, traduzidas livremente.

Nas mensagens que foram ao ar e depois desapareceram do Bluesky, Miguel Corti indicou que a percepção interna da equipe da Capcom sobre o jogo de 2000 gerou consideráveis divergências criativas ao longo dos anos. Ele revelou que o cerne do problema em torno de “Resident Evil CODE: Veronica” residia no fato de que muitos desenvolvedores do estúdio o consideravam o melhor capítulo da série antes do lançamento de “Resident Evil 4”, enquanto o próprio executivo frequentemente defendia nos bastidores a superioridade de “Resident Evil 2” em termos de qualidade e estrutura.

O ex-gerente também direcionou críticas específicas à cena de abertura da campanha protagonizada por Claire Redfield. Corti classificou a sequência inicial como uma imitação explícita do filme “Duro de Matar” e de obras do diretor John Woo, carecendo de quaisquer elementos de terror e servindo como uma premonição do estilo que seria abraçado por “Resident Evil 5” e “6”.

Apesar de suas fortes críticas ao projeto, o profissional fez um apelo aos leitores para que analisassem seus comentários sobre a obra com cautela. “Sem querer desmerecer os fãs de CV, mas ver como ele teve um desenvolvimento negativo direto na franquia significa que sou bastante parcial contra ele. Recebam meu viés com cautela”, afirmou.

Desenvolvimento de Resident Evil 7 e a busca por aclamação

O extenso fio de 66 postagens abordou principalmente os bastidores da produção de “Resident Evil 7”, um jogo que marcou o retorno da franquia às suas raízes de sobrevivência e terror após a recepção dividida do sexto capítulo numerado. Corti revelou que as versões iniciais planejadas para o sétimo título buscaram inspiração direta em “The Last of Us”, pois a equipe de desenvolvimento aspirava alcançar o mesmo reconhecimento crítico que outros jogos focados em narrativa estavam recebendo na época.

“Os altos executivos da Capcom estavam mais do que felizes com RE6, mas os desenvolvedores queriam a aclamação da crítica que outros jogos estavam conquistando, especialmente porque muitos deles eram obviamente influenciados por RE”, disse Corti sobre a mudança de direção criativa dentro da empresa.

Ao analisar o resultado de “Resident Evil 7” uma década após o período de produção, o ex-gerente afirmou que os problemas técnicos e conceituais do projeto já eram conhecidos internamente, mas acabaram sendo desconsiderados durante o cronograma de trabalho. “É ótimo ver este jogo ainda gerando discussões críticas cerca de 10 anos depois. Suas falhas se destacam mais provavelmente graças às comparações com os remakes. Como alguém profundamente envolvido com a produção, posso dizer que muitas das falhas estavam vividamente presentes na época e foram redondamente ignoradas”, declarou.

Enredo de Code Veronica e o futuro da série com remakes

A trama original de “Resident Evil CODE: Veronica” desenrola-se três meses após a devastação de Raccoon City em “Resident Evil 2”. A história acompanha os irmãos Claire Redfield e Chris Redfield depois que a jovem é capturada pela corporação farmacêutica Umbrella e levada para uma prisão na Ilha Rockfort e, posteriormente, para uma base de pesquisa na Antártida. O motivo pelo qual Miguel Corti decidiu apagar as 66 publicações no Bluesky, onde comentava o jogo, não foi esclarecido.

Apesar das ressalvas e críticas apontadas pelo ex-integrante da produtora, o título de 2000 é o próximo na fila da estratégia de recriações da empresa japonesa, que acumula números expressivos no mercado global de videogames, evidenciando o valor duradouro de seus clássicos.

Em um comunicado oficial enviado à imprensa em 8 de junho de 2026, a Capcom confirmou que o lançamento de “Resident Evil Veronica” (o remake) acontecerá em 2027, com versões confirmadas para PlayStation 5, Xbox Series X/S, Nintendo Switch 2 e PC via Steam.