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EUA impõem tarifa de 15% sobre silício e impactam fábrica de US$ 2,5 bilhões

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Em uma decisão que reconfigura o panorama comercial do setor de alta tecnologia, o governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, instituiu em 6 de agosto de 2026 uma nova taxa de 15% e valores mínimos para a importação de derivados de polisilício. A medida gerou instabilidade imediata na operação da Wacker Chemie em Charleston, Tennessee, onde a empresa alemã viu seus dois últimos clientes locais se afastarem logo após o anúncio da intervenção.

A unidade industrial de Charleston representa um investimento privado de aproximadamente US$ 2,5 bilhões e é responsável por 600 empregos na região sul do país. No ano anterior, a fábrica já havia enfrentado reduções de pessoal devido à acirrada concorrência global e tem se esforçado para mitigar perdas comerciais recentes. Apesar da saída inicial de compradores, a liderança da Wacker Chemie assegurou que não há planos para encerrar as atividades da instalação em Charleston.

Chip Crédito: Mixvale.com.br

Medidas alfandegárias americanas estabelecem preços mínimos e tributação

A Casa Branca ativou os dispositivos da Seção 232 do Trade Expansion Act com o objetivo de frear o avanço de concorrentes estrangeiros ao longo da cadeia produtiva do silício, um componente vital para inúmeras indústrias, incluindo a de semicondutores.

O novo conjunto de regras tarifárias será implementado a partir de 4 de dezembro de 2026 e abrange diversas etapas do processamento do mineral. As autoridades em Washington definiram patamares de preços compulsórios para a entrada de insumos no mercado doméstico, impactando diretamente os custos de importação:

  • Polisilício importado: US$ 21 por quilograma
  • Lingotes e wafers: US$ 100 por quilograma
  • Células solares: US$ 0,22 por watt
  • Módulos solares: US$ 0,38 por watt

Novas normas aduaneiras nivelam produtos importados e impactam aquisições locais

A regulamentação alfandegária aplica as novas taxas sobre os produtos estrangeiros sem fazer distinção se a matéria-prima usada na montagem desses componentes teve origem na China ou em fornecedores localizados em solo americano. Com isso, compradores enfrentam uma desvantagem econômica ao adquirir o insumo produzido no Tennessee, que, conforme pesquisa da Bernreuter Research, pode custar até quatro vezes mais, criando barreiras significativas no mercado.

A analista Elissa Pierce, da consultoria Wood Mackenzie, expressou que as tarifas comerciais, em sua configuração atual, não são projetadas para impulsionar a demanda pelo produto fabricado internamente nos Estados Unidos, levantando dúvidas sobre a eficácia da medida para o objetivo proposto.

Ameaça do setor de energia solar na viabilidade da indústria de chips

O material destinado à fabricação de semicondutores representa uma parcela mínima, cerca de 2,4%, de todo o polisilício globalmente produzido, o que força as refinarias a manter um volume substancial de fornecimento para painéis fotovoltaicos a fim de cobrir os custos operacionais das fábricas. Sem o suporte das vendas em massa para o segmento solar, instalações de alta tecnologia perdem a sustentabilidade financeira necessária para purificar o silício no grau eletrônico exigido por projetos estratégicos, como a Fábrica 52 da Intel no Arizona, um complexo que recebeu mais de US$ 5 bilhões em investimentos, evidenciando a interdependência e fragilidade do setor.

Concorrência global com produtores da Ásia e Oriente Médio no setor

Nos Estados Unidos, apenas a Wacker Chemie e a Hemlock Semiconductor operam plantas industriais dessa categoria, enquanto a China detém cerca de 95% do refino mundial de polisilício para o setor solar. A Hemlock Semiconductor consegue reduzir sua exposição às flutuações do mercado porque sua empresa-mãe, a Corning, consome o mineral diretamente na produção de wafers. No cenário internacional, empresas como a United Solar Polysilicon, localizada em Omã e com laços com a China, demonstraram uma visão favorável às novas diretrizes americanas, indicando a complexidade da dinâmica global.

Repercussão entre investidores e diálogo com as autoridades governamentais

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos abriu a possibilidade para que as empresas negociem individualmente incentivos financeiros, caso optem por expandir a manufatura interna de wafers e células. O diretor-executivo da Wacker Chemie, Christian Hartel, já havia alertado investidores que a companhia corre o risco de registrar um excesso de capacidade produtiva em suas três unidades, caso as barreiras tarifárias não atinjam seus objetivos de forma eficaz.

O analista Sebastian Bray, do banco Berenberg, indicou que a empresa alemã apresentará sua atualização operacional aos investidores em Londres no dia 17 de setembro, após as ações da companhia registrarem uma desvalorização de 2,6% no mercado.