
Penitenciária estadual em Idaho (EUA), nas proximidades de Boise — Foto: Reprodução/Idaho Department of Correction Crédito: Extra.globo.com
O estado de Idaho, nos Estados Unidos, deu um passo inédito ao iniciar a busca por voluntários para formar pelotões de fuzilamento, que passarão a ser o método padrão de execução de condenados à pena capital. A medida, sancionada recentemente, posiciona Idaho como a única unidade federativa norte-americana a adotar essa prática como via primária para a aplicação da sentença.
A decisão de Idaho surge após um período de impasse, motivado pela falha na tentativa de executar o assassino condenado Thomas Eugene Creech por meio de injeção letal. Este incidente, somado à escassez contínua dos fármacos necessários para a injeção letal, impulsionou a discussão sobre alternativas. A proposta de lei, que ganhou considerável apoio popular, foi finalmente aprovada e recebeu a sanção do governador republicano Brad Little, tornando-se vigente na última quarta-feira (1/7).
Atualmente, Idaho possui oito indivíduos no corredor da morte, aguardando a aplicação de suas sentenças. As execuções estavam suspensas justamente devido à carência dos medicamentos para o procedimento de injeção. A adoção do fuzilamento é vista como uma solução para retomar o cumprimento das penas capitais no estado.
As penitenciárias estaduais de Idaho foram instruídas a recrutar policiais para compor os pelotões de fuzilamento, em vez de formar “especialistas em execuções”. A legislação estabelece que os voluntários devem ser membros da força policial e não podem ter qualquer histórico disciplinar que envolva uso excessivo de força ou emprego indevido de armas de fogo, garantindo um processo rigoroso de seleção.
A equipe será composta por seis voluntários, com funções claramente definidas. Três policiais serão os atiradores principais, responsáveis pelos disparos letais. Dois suplentes permanecerão em prontidão, caso seja necessário. O sexto voluntário assumirá a liderança da equipe, encarregado de carregar os fuzis e coordenar todo o procedimento da execução, que ocorrerá na penitenciária de segurança máxima, localizada nos arredores da capital, Boise.
A identidade dos policiais voluntários será mantida em absoluto sigilo, conforme a lei estadual. Apenas o diretor e o vice-diretor da prisão terão conhecimento de quem são esses indivíduos. Este anonimato visa proteger os envolvidos em um processo tão sensível e controverso.
Embora Idaho seja pioneiro na adoção do fuzilamento como método padrão, outros quatro estados americanos já permitem essa prática, embora de forma secundária ou alternativa. São eles: Mississippi, Oklahoma, Carolina do Sul e Utah. Esta distinção ressalta a singularidade da abordagem de Idaho no cenário jurídico dos Estados Unidos.
Até o momento, o ano corrente registrou 16 execuções em todo o território americano. A decisão de Idaho de reintroduzir e padronizar o fuzilamento reacende o debate sobre os métodos de aplicação da pena capital e as dificuldades enfrentadas pelos estados para cumprir as sentenças de morte.