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Engenheiro da Disney revoluciona fluxo de trabalho com múltiplos agentes autônomos de inteligência artificial

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Um engenheiro de software da Disney alcançou o posto de maior usuário na plataforma interna de monitoramento de inteligência artificial da empresa, o Painel de Adoção de IA nos Estados Unidos, ao coordenar de oito a nove agentes autônomos de IA. Essa abordagem inovadora permitiu que o profissional executasse e revisasse tarefas complexas de forma simultânea, transformando atividades que antes demandavam dias ou semanas em processos finalizados em poucas horas.

O papel e a capacidade dos agentes de inteligência artificial

Agentes de inteligência artificial representam uma evolução significativa em automação, sendo programas capazes de completar sequências inteiras de trabalho de maneira independente, a partir de diretrizes humanas. Diferentemente de um chatbot, que responde a perguntas isoladas, esses agentes podem, por exemplo, compilar informações de diversas fontes ou inspecionar linhas de código. O engenheiro destacou que seus agentes coletam dados de diferentes setores da companhia e realizam uma verificação cruzada do trabalho uns dos outros, minimizando a ocorrência de falhas. “Estou expandindo os limites dos fluxos de trabalho com agentes. Não estou aqui apenas de passagem”, declarou o especialista.

Crédito: Mixvale.com.br

O sistema de acompanhamento interno da Disney monitora a performance de aproximadamente 4.800 profissionais das áreas de produto e tecnologia, abrangendo as divisões Disney Entertainment e ESPN. A ferramenta rastreia o número de solicitações realizadas e o volume de tokens — as unidades fundamentais de dados processadas pelos modelos de IA, que também servem como base para a precificação dos serviços das fornecedoras — nas plataformas de programação Claude, da Anthropic, e Cursor.

Em um período de nove dias úteis analisado em meados de abril de 2026, o painel registrou indicadores notáveis de utilização e despesas operacionais para a corporação.

Avaliação de especialistas sobre o consumo de IA na Disney

Val Bercovici, diretor de IA (Chief AI Officer) da WEKA, empresa especializada em armazenamento de dados para inteligência artificial, analisou os registros internos da gigante do entretenimento. Ele observou que o consumo de tokens se situa “no meio da curva de distribuição” e em um “ponto ideal” para uma companhia que não é predominantemente do setor de tecnologia. “Para uma empresa de tecnologia, para uma das Sete Magníficas, isso não é muito. Mas em uma da Fortune 500, está definitivamente em um patamar elevado”, explicou Bercovici, referindo-se às maiores empresas de tecnologia e ao ranking das 500 maiores corporações dos EUA.

Impacto na rotina e a nova jornada de trabalho do engenheiro

A intensa utilização dos agentes autônomos transformou a jornada e os hábitos do engenheiro líder no ranking interno da Disney. Sua rotina de trabalho, antes das 9h às 17h, agora se estende das 6h às 17h. O profissional afirmou não se importar com as três horas adicionais diárias, desde que seja recompensado de forma justa pelo aumento de produtividade. Ele também revelou que, após seu nome ganhar destaque na plataforma, passou a ser procurado por colegas interessados em replicar seus métodos de trabalho.

Receptividade da liderança e o incentivo à inovação com IA

A alta gerência da Disney demonstrou uma reação positiva ao elevado volume de uso da IA. “Eu esperava algo como ‘Ei, cara, é melhor você ir com calma’, mas a resposta foi mais ‘OK, nós realmente aprovamos o que você está fazendo. Vamos tentar gerar resultados concretos o mais rápido possível'”, relatou o engenheiro. Sete colaboradores da área de tecnologia indicaram que a empresa, sob a liderança do CEO Josh D’Amaro — que assumiu a The Walt Disney Company em meados de março de 2026, sucedendo Bob Iger —, estimula o uso frequente dessas ferramentas, com três deles notando que a postura da liderança evoluiu de um ceticismo inicial para curiosidade e apoio ativo ao longo do último ano.

Praticidade e desafios no uso da inteligência artificial

Outro engenheiro da Disney, que se descreveu como um usuário de nível intermediário, compartilhou que delega tarefas aos agentes de IA enquanto realiza atividades domésticas ou busca medicamentos, mantendo sua participação normal em reuniões. Apesar da conveniência, o profissional expressou preocupação com exageros de alguns colegas, como a prática conhecida como “vibe coding” — que consiste em solicitar à inteligência artificial a criação de softwares do zero, mesmo quando já existem soluções prontas e sem IA para a mesma finalidade, o que pode levar a um uso ineficiente de recursos.

Gamificação para impulsionar a adoção da IA

Para fomentar o engajamento das equipes técnicas, o Painel de Adoção de IA da Disney incorpora elementos de jogos, a chamada gamificação, que contabilizam marcos de utilização e sequências de dias consecutivos de atividade. Na classificação interna da empresa, manter 10 dias seguidos de uso é considerado um feito “incomum”, alcançado por cerca de 12% dos usuários; atingir 20 dias consecutivos recebe o selo “raro”, restrito a menos de 5% do quadro; e completar 30 dias seguidos é classificado como “épico”, uma marca registrada por apenas 2% dos profissionais.

Desafios do “tokenmaxxing” e a busca por eficiência

A exposição dos nomes no ranking interno, contudo, gerou entre alguns desenvolvedores um comportamento denominado “tokenmaxxing”, onde funcionários inflavam artificialmente o consumo de tokens na tentativa de demonstrar maior produtividade à gestão. Diante dessa distorção, executivos da área de streaming da companhia, incluindo Andre Rohe, vice-presidente executivo de engenharia de produto da Disney, orientaram os engenheiros em junho de 2026 a empregar a inteligência artificial para otimizar a velocidade, mas com o cuidado de evitar o desperdício de recursos, priorizando a qualidade do código e a robustez dos produtos desenvolvidos.

Monitoramento da IA em outras grandes corporações

A implementação de sistemas internos para rastrear o uso da inteligência artificial não é exclusividade da Disney, sendo uma tendência observada em outras grandes corporações norte-americanas. A Meta, por exemplo, manteve um painel interno batizado de Claudeonomics, que chegou a registrar mais de 60 trilhões de tokens processados em um período de 30 dias antes de ser desativado por um vazamento de informações. Já a Visa contabilizou o uso de 1,9 trilhão de tokens mensais em março de 2026, utilizando essas métricas para reconhecer e premiar as equipes mais produtivas, enquanto o banco JPMorgan também opera ferramentas próprias para acompanhar a adoção da tecnologia por seus colaboradores.