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Empresas falham em obter retorno de investimentos digitais, aponta análise global

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Menos da metade das iniciativas de transformação digital em empresas ao redor do mundo alcança ou supera suas metas de negócio, com uma taxa de sucesso de apenas 48%. Essa constatação, revelada por uma pesquisa global do Gartner, motivou uma análise aprofundada publicada recentemente pelo executivo Rodrigo Resende, que identificou falhas estratégicas comuns que impedem as organizações de colher os benefícios financeiros e operacionais de seus aportes em tecnologia. O cenário aponta para um dilema crucial: bilhões são investidos em modernização, mas grande parte desse capital não se traduz em valor tangível, gerando um desperdício significativo e impactando a competitividade.

O diagnóstico detalhado por Rodrigo Resende, que atua como presidente e CEO da integradora Chaintech, sediada em São Paulo, critica a forma como a modernização empresarial tem sido conduzida. Em sua visão, muitas companhias encaram o avanço tecnológico como uma mera aquisição de ferramentas. Resende argumenta que “adotar tecnologia não é necessariamente transformar um negócio”, o que frequentemente resulta em gastos ineficazes quando novos sistemas são implementados sobre processos internos que já eram ineficientes.

Crédito: Mixvale.com.br

A pesquisa do Gartner, base para essas observações, envolveu entrevistas com 3.186 diretores de tecnologia da informação (CIOs) e outros líderes tecnológicos em 88 países, além de 1.126 executivos de diferentes áreas corporativas (CxOs). O estudo sublinha que decisões tomadas isoladamente pelo departamento de TI limitam o impacto dos projetos em toda a companhia. Por outro lado, a consultoria descobriu que quando a liderança é compartilhada de forma contínua entre equipes de tecnologia e gestores de negócios – um grupo que o Gartner denomina “Vanguardistas Digitais” – a probabilidade de sucesso das iniciativas tecnológicas salta para 71%.

Colaboração entre tecnologia e negócios impulsiona resultados

Essa abordagem de responsabilidade compartilhada redefine a estrutura de planejamento corporativo, garantindo que a implementação de novos sistemas esteja alinhada a objetivos práticos de mercado. Em vez de se limitar a uma função de suporte ou ao papel de usuários passivos de plataformas, os líderes das áreas de negócios passam a participar ativamente da formulação da estratégia técnica, trabalhando lado a lado com a gestão de sistemas de informação. Essa sinergia é fundamental para que a tecnologia sirva a propósitos comerciais claros e não seja apenas um fim em si mesma.

A análise proposta pelo executivo da Chaintech identificou cinco equívocos estratégicos comuns que freiam o progresso das empresas na era digital. O primeiro deles é priorizar a seleção da tecnologia antes de definir claramente qual gargalo operacional precisa ser resolvido. O segundo erro reside na confusão entre digitalizar procedimentos burocráticos e promover uma verdadeira transformação das rotinas. Resende esclarece que “digitalizar é usar a tecnologia para reproduzir ou automatizar uma tarefa; transformar é questionar se essa tarefa, em sua forma atual, ainda faz sentido para o negócio”.

Os três equívocos restantes completam a lista de obstáculos. O terceiro mito restringe a inovação à simples utilização de ferramentas de inteligência artificial, ignorando outras formas de progresso. O quarto problema decorre de concentrar a governança digital exclusivamente sob a alçada do setor de tecnologia da informação, isolando-a do restante da organização. Por fim, o quinto mito é encarar a transformação corporativa como um projeto com prazo de conclusão fixo, desconsiderando que é um processo contínuo de adaptação às constantes mudanças do mercado.

Essa discussão sobre a efetividade dos investimentos digitais ganha relevância em um período de aportes vultosos no setor produtivo, especialmente em inteligência artificial. No entanto, muitas dessas inovações chegam aos orçamentos sem se traduzir em um retorno financeiro proporcional nos balanços das empresas. Dados da consultoria McKinsey, incluídos na análise, mostram que 62% das organizações já estão testando soluções de IA, mas quase dois terços ainda não conseguiram escalar essa tecnologia para a totalidade de suas operações, e apenas 39% reportaram um impacto financeiro mensurável no lucro operacional.

Ampliação de indicadores melhora captura de valor em modernização

A dificuldade em quantificar os resultados desses investimentos é um desafio persistente, mas um estudo da consultoria Deloitte oferece um contraponto importante. A pesquisa indica que empresas que adotam um leque mais abrangente de indicadores de desempenho – incluindo métricas de eficiência, satisfação do cliente e otimização de rotinas internas – têm uma probabilidade 22% maior de extrair valor real dos recursos financeiros aplicados em iniciativas de modernização. Isso sugere que a forma como o sucesso é medido é tão crucial quanto a tecnologia empregada.

As métricas iniciais do Gartner CIO and Technology Executive Survey foram apresentadas em 22 de outubro de 2024, durante o congresso internacional Gartner IT Symposium/Xpo. A análise divulgada por Rodrigo Resende em 6 de outubro de 2026 integrou esses dados com informações de estudos da McKinsey e da Deloitte, embora os títulos oficiais e os anos de publicação das edições específicas dos relatórios dessas duas últimas consultorias não tenham sido detalhados.