
Acidente de barco provocado pelo magnata George Pino matou a adolescente Luciana Fernandez — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com
Um proeminente nome do mercado imobiliário da Flórida, George Pino, foi inocentado da acusação de homicídio culposo por um júri nesta segunda-feira (22/6). A decisão judicial encerra um processo referente ao falecimento de uma jovem de 17 anos, ocorrido em setembro de 2022, após um trágico incidente envolvendo uma embarcação que ele pilotava.
O acidente aconteceu quando o empresário conduzia sua lancha de aproximadamente nove metros, levando sua esposa, Cecilia, e doze adolescentes, incluindo sua filha Carolina, que celebrava seu aniversário de 18 anos. A embarcação colidiu com um marco de sinalização na Baía de Biscayne, em Miami, enquanto navegava a uma velocidade de 75 quilômetros por hora.
O impacto causou uma grande avaria na lateral do barco, arremessando todos os ocupantes para a água. Luciana Fernandez, de 17 anos, infelizmente ficou retida sob a estrutura da lancha. Resgatada, ela foi levada a um hospital, mas veio a óbito cerca de doze horas depois. Outra passageira, de 18 anos, sofreu sequelas duradouras e incapacitantes em decorrência do choque.
Durante o julgamento, a defesa de Pino, liderada pelo advogado Howard Srebnick, sustentou que o choque com desfecho letal foi meramente um infortúnio. Segundo Srebnick, as testemunhas a bordo atestaram que a velocidade era adequada, e o empresário não estava envolvido em ações imprudentes, como disputas de velocidade ou manobras arriscadas. Nenhuma pessoa presente solicitou a diminuição do ritmo da embarcação, que seguia em trajeto retilíneo em uma área sem restrições de velocidade.
Em contrapartida, a promotora Laura Adams argumentou que Pino estava mais preocupado em manter uma imagem de “pai divertido” do que com a segurança dos passageiros. A acusação focou na alegação de que o empresário teria falseado informações sobre o consumo de álcool no dia do incidente, afirmando ter ingerido apenas “duas cervejas”. Um ponto crucial levantado pela promotoria foi a ausência de um teste de sobriedade imediato após o acidente, contrastando com a descoberta de 61 recipientes de bebidas alcoólicas na lancha por investigadores, no dia seguinte ao ocorrido.
A discrepância entre o relato de Pino sobre o consumo de álcool e a evidência encontrada posteriormente foi um dos pilares da tese da promotoria, que sugeriu que a falta de sinceridade sobre o acidente poderia se estender à quantidade de bebida ingerida. Este elemento se tornou central no debate sobre a responsabilidade do empresário, um aspecto que muitas vezes define a percepção pública em casos envolvendo figuras de destaque.
Após aproximadamente cento e vinte minutos de análise, o corpo de jurados proferiu o veredito de absolvição para o magnata imobiliário. A defesa expressou gratidão aos jurados pela meticulosa avaliação das evidências e pela proclamação de um veredito considerado justo. Desde o princípio, a tese foi de que os eventos de 4 de setembro de 2022 constituíram um infortúnio trágico, e não um ato criminoso, conforme reiterou o advogado Srebnick.